Série ao Fundo

Do outside para o inside da sua casa

DROP CERTO!

A cada etapa que chega, os fãs de surfe entram na mesma discussão: Quem vai se dar bem nesse evento? Quem eu escolho pros meus palpites?
O Série ao Fundo apresenta uma lista com os surfistas que têm tudo para quebrar na França e fazer você quebrar! 

Este é o Drop Certo!


:: HOSSEGOR ::

O palco da nona e antepenúltima etapa do Mundial pode ser chamado de segunda casa dos brasileiros no Circuito. O evento francês já proporcionou sete títulos e cinco vice-campeonatos pro Brasil. As fortes ondas com paredes manobráveis, tubos largos e 'rampas' de decolagem para aéreos são muito comuns no beach break da charmosa Hossegor. Além disso, a semelhança
é inegável com as ondas do nosso litoral.

O australiano foi 4x campeão, mas não marcou presença no ano passado

O australiano foi 4x campeão, mas não marcou presença no ano passado

O maior campeão na França é Mick Fanning. O australiano tem quatro títulos e um vice-campeonato por lá, vencendo em 2007, 2009, 2010 e 2013. No ano passado, Mick estava em seu ano sabático e não competiu em Landes, mas nunca podemos descartar sua força e velocidade nestas condições.

'Rei da França': o brasileiro acumula bons resultados desde a época de  grommet  

'Rei da França': o brasileiro acumula bons resultados desde a época de grommet 

Se falarmos do retrospecto nos últimos anos, ninguém entra com mais favoritismo do que Gabriel Medina. O surfista de Maresias venceu na França em seu ano de estreia (2011) e quatro anos depois. Em 2016 e 2013 ficou em segundo e ainda foi 5° em 2012 e 2014. Ou seja, Medina nunca perdeu antes da quartas de final na França.

Aqui, vale lembrar a incrível vitória dele no King of Groms de 2009 com duas notas 10 na final contra Caio Ibelli quando tinha apenas 15 anos.

Em 2016, a etapa foi decisiva para John John conquistar o título

Em 2016, a etapa foi decisiva para John John conquistar o título

Outra boa aposta é John John Florence. O atual campeão mundial venceu o evento em 2014 e foi 3° em 2012 e no ano passado. O havaiano ainda acumula mais dois 5° lugares e só perdeu cedo em sua estreia no tour em 2011.

Foco na missão: Jadson precisa repetir melhor resultado pra chegar tranquilo no Havaí

Foco na missão: Jadson precisa repetir melhor resultado pra chegar tranquilo no Havaí

No único título de John John no pico, o vice ficou com Jadson André. Foi a segunda e última final do potiguar na elite. Precisando de resultados para se manter no CT, ele pode tirar um
bom resultado por lá.

Olho nele! Julian vive boa fase e está em 3˚ lugar no ranking

Olho nele! Julian vive boa fase e está em 3˚ lugar no ranking

Com grande desempenho nos últimos eventos, Julian Wilson é mais um nome para se ficar de olho. O australiano perdeu para Medina na final de 2011, conseguiu um 3° lugar em 2015 e mais dois 5° em
2013 e no ano passado.

NOTAS:

  • 🏆Líder do ranking mundial, Jordy Smith chegou duas vezes até as semifinais, em 2011 e 2014.

  • 🌊 Joel Parkinson não está em sua melhor fase, mas já venceu o campeonato em 2006 e fez semifinais em 2012 e 2013.

  • 🥇 Campeão em Trestles, Filipe Toledo vai com força total para a França, onde foi 5° no ano passado e também 3° em 2013.

  • 🥉 Melhor brasileiro no ranking, Adriano de Souza tem como melhor resultado um 3° lugar em 2015.

  • 🏄 Italo Ferreira já tirou um 5° por lá em sua estreia no Circuito em 2015.

  • ⬇ Desesperado por bons resultados, Miguel Pupo tem bom histórico em Landes, com duas quartas de final, em 2012 e 2014.

  • 🇫🇷 Mesmo sem grandes resultados em Hossegor, Jeremy Flores corre em casa e pode se dar bem, assim como Joan Duru.

  • 🇵🇹 Quem também conhece bem o pico e já mostrou seu valor no tour é Frederico Morais. Caso tenhamos mar grande, o português pode aprontar, como fez em J-Bay. 

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          DE QUEM É A ZEBRA ?

Dessa vez as apostas ficarão em Bede Durbridge. O australiano, que já anunciou a aposentadoria, tem dois vice-campeonatos em Hossegor: perdeu em 2009 para Fanning e em 2015 para Medina.

 

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.

TBT: Guilherme Herdy

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

Setembro de 2002, San Clemente, Califórnia. Ondas de 6 a 8 pés e condições jamais vistas em Trestles. O mesmo já não pode se dizer do nosso Guilherme Herdy, que levava o Brasil para sua segunda semifinal em Trestles. Em 2000, ele tinha feito a semi também. Porém, este ano tinha um gosto especial.

Guilherme Herdy competiu por 10 anos seguidos

Guilherme Herdy competiu por 10 anos seguidos

Após se recuperar de um tímpano estourado,  o niteroiense fez bonito e foi batendo todos os aussies…até chegar em Michael Campbell.

Neste evento, Campbell estava insano. Fez a melhor nota do campeonato (9.8) contra o - até então - campeão da etapa, Mick Fanning, e nas quartas e deixou pra trás o número 3 do mundo. Depois de eliminar Peterson Rosa e Teco Padartz, o australiano foi pra final com o experiente Luke Egan e perdeu. Ainda deu pra ver a bandeira brasileira tremulando na terceira posição - a mesma do 6x campeão, Kelly Slater. Que privilégio hein, Herdy?

O niteroiense fez quatro semis e duas finais. 

O niteroiense fez quatro semis e duas finais. 

Apesar do bom resultado em Trestles, 2002 foi um ano difícil pro surfe brasileiro na elite. Tempos diferentes, mas que deixam claro que, se estiver valendo algo, estaremos sempre entre os primeiros. 

TÁ QUEBRANDO PRA QUEM?

Por Guilherme Daolio

O Série ao Fundo apresenta o segundo termômetro da Tempestade Brasileira que sempre analisa o momento dos nossos surfistas após cada etapa do Mundial de Surfe. Se o atleta foi bem no último evento, ele estará CLÁSSICO. Se ficou naquele meio termo, nem brilhou e nem decepcionou, estará na MAROLA. E se a última etapa não saiu como esperado, ele ficará FLAT.

Em Trestles, tivemos mais uma etapa com todas as sensações possíveis entres os brasileiros: Título, bons resultados, eliminações precoces e definições para a próxima temporada. Então vamos ver como ficou o nosso termômetro: 

CLÁSSICO

1 – Filipe Toledo

• Campeão em Trestles (ganhou de Jordy Smith na final)

• 7° no ranking (subiu duas colocações)

• O que busca: Top 3

Apenas um surfista venceu mais de uma etapa no ano. E esse atleta é Filipinho. O surfista de Ubatuba mostrou que surfar no quintal de casa realmente faz a diferença. E não teve pra ninguém. Vitória incontestável com o já conhecido show de aéreos e também com as belas rasgadas que lhe deram o título em J-Bay.

Com o vice de Jordy, o inédito título mundial parece muito distante. Por enquanto, a briga é para ficar entre os três primeiros. Vai com força total para a França, onde foi 5° no ano passado e, em 2013, chegou em 3°.

2 – Jadson André

• 9° em Trestles (perdeu para Adrian Buchan no Round 5)

• 28° no ranking (subiu quatro colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Há tempos não víamos Jadson tão concentrado, focado e com ótimas escolhas de ondas igual em Trestles. O potiguar surfou muito, tirou Gabriel Medina com autoridade e por muito pouco não avançou direto pras quartas. No Round 5 não teve jeito: Ace Buchan foi melhor e o eliminou da competição. Mesmo com o 9° lugar, Jadson ainda está 5.250 pontos atrás da linha de corte do rebaixamento.

Hossegor pode ser uma boa oportunidade para Jadson buscar outro grande resultado e se manter na elite. Foi lá que ele fez sua segunda e última final no CT, quando perdeu para John John Florence em 2014.

3 – Adriano de Souza

• 5° em Trestles (perdeu para Adrian Buchan nas quartas de final)

• 6° no ranking (manteve a mesma colocação) 

• O que busca: Top 3

O 5° lugar não foi o que Mineiro esperava em Trestles, mas a forma como se preparou física e mentalmente foram espetaculares. Do primeiro segundo de bateria até a entrevista depois de cada round pudemos ver um atleta focado e com aquela gana que lhe deu o título mundial em 2015. Muitos consideraram a derrota para Ace Buchan polêmica, mas independentemente disso, o surfista do Guarujá voltou aos bons resultados após três 13° nos últimos três eventos.

Ele ainda é o melhor brasileiro no ranking, mas o bicampeonato parece cada vez mais difícil pela consistência de Jordy e John John. Na França, Adriano tem como melhor resultado um 3° lugar em 2015. No ano passado foi 9° por lá.

MAROLA

4 – Gabriel Medina

• 13° em Trestles (perdeu para Jadson André no Round 3)

• 8° no ranking (caiu uma colocação) 

• O que busca: Top 3

Trestles era extremamente importante para as pretensões de Medina na temporada. Após um primeiro round tranquilo, o nosso campeão mundial encontrou um inspirado Jadson André em um mar difícil. Mesmo assim, ainda achou boas manobras, o que não foi o suficiente. Os 15 mil pontos de diferença para o líder do Mundial serão difíceis de serem tirados nas três etapas restantes.

Mas na França todos sabem que Medina é o homem a ser batido. Ele ganhou em sua estreia no circuito em 2011 e repetiu a dose em 2015. No ano passado e, também em 2013, ele foi vice. Pra finalizar o ótimo retrospecto, ele tem mais dois 5° lugares em 2012 e 2014.

5 – Italo Ferreira

• 13° em Trestles (perdeu para Sebastian Zietz no Round 3)

• 23° no ranking (manteve a mesma colocação) 

• O que busca: Permanência na elite

 

É uma pena que Italo tenha se machucado logo no início da temporada. Após um 5° lugar na Gold Coast, o potiguar tinha tudo para fazer seu melhor ano na elite e brigar na parte de cima do ranking em 2017. Depois de perder três eventos, seu melhor resultado foi um 9° em Fiji. Em Trestles, Italo surfou bem no Round 1, mas tomou a virada no fim contra John John. Passou tranquilo pelo Round 2, mas não se encontrou contra Sebastian Zietz na sequência.

Italo tentará reencontrar os bons resultados em Hossegor, onde fez um 5° lugar em 2015. A perna europeia será importante para ele não chegar em Pipeline precisando de resultados para se manter na elite do surfe. Vale lembrar que o atleta pode reivindicar a vaga de atleta lesionado, a depender de avaliação da WSL.

6 – Wiggoly Dantas

• 13° em Trestles (perdeu para Adrian Buchan no Round 3)

• 21° no ranking (caiu duas colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Guigui saiu de Teahupoo com seu melhor resultado na temporada, mas o 5˚ lugar no Taiti não foi suficiente para ele embalar no tour. Com mais um 13° na conta, o surfista de Ubatuba caiu duas colocações e está em 21°, muito perto da zona de rebaixamento.

Para piorar, Wiggolly vai precisar quebrar um tabu pessoal na França, uma vez que, nos dois anos que competiu por lá, não venceu uma bateria sequer.

FLAT

7 – Miguel Pupo

• 13° em Trestles (perdeu para Filipe Toledo no Round 3)

• 31° no ranking (subiu uma colocação) 

• O que busca: Permanência na elite

Miguel Pupo vive uma situação as mais complicadas no tour. O surfista de Maresias é o pior entre os brasileiros no ranking e precisa urgentemente de grande resultados para não voltar a disputar o QS em 2018. Em Trestles tinha tudo para se dar bem, mas parou em Filipinho no round 3 e perdeu a chance de diminuir a enorme distância do Top 22.

Miguelito tem mais uma boa chance na França, já que acumula dois 5° lugares em Hossegor nos anos de 2012 e 2014. É agora ou nunca.

8 - Caio Ibelli

• 25° em Trestles (perdeu para Kanoa Igarashi no Round 2)

• 22° no ranking (caiu duas colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Após a lesão, Caio Ibelli não teve um bom retorno. O paulista acumulou seu segundo 25° seguido e está na 22° colocação do ranking, exatamente na última posição para ficar no CT no ano que vem. A vantagem é ter um vice em Bells, mas mesmo assim não dá pra relaxar. Caio treinou muito para Trestles, mas não conseguiu se encontrar e foi facilmente batido nas duas baterias que participou.

Em sua estreia no tour no ultimo ano, ele foi bem na França e saiu de lá com um 9° lugar. Não seria nada mal repetir o resultado e respirar um pouco mais aliviado neste final de ano.

9 – Ian Gouveia

• 25° em Trestles (perdeu para Ezekiel Lau no Round 2)

• 27° no ranking (caiu duas colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Fechando o nosso termômetro da Tempestade Brasileira está Ian Gouveia. O bom desempenho em Teahupoo, apesar do 13° lugar, deu boas esperanças para Califórnia, mas não foi o que aconteceu. O recifense não conseguiu tirar nenhuma nota acima doas 6,27 e foi facilmente superado nos dois primeiros Rounds.

Ian caiu para 27° no ranking e precisa estrear em Hossegor com um bom resultado para manter vivas as chances de permanência na elite do surfe mundial na próxima temporada.

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.

MOTO COMBINA COM ONDA?

Na coluna da revista Stab, o ex-surfista profissional, Michael Ciaramella faz carta aberta a idéia que parece insana (no sentido mais amplo da palavra): transformar o mar em pista para moto

Caro Robbie Maddison,

Por favor, pare.

Este truquezinho que você começou ninguém mais está comprando. Era quase legal lá no Taiti, então, você refugou entrar no tubo. Nunca seria legal em Todos [os Santos, México], mas foi muito menos legal do que poderíamos imaginar. O que você está tentando novamente é tão estúpido, mas tão determinado, que quase é impressionante. Mas não é. Afinal, você quase matou um cara no Cloudbreak ...

Se você faz por glória e fama, por favor, apenas pare, pois posso garantir que está arruinando qualquer credibilidade que tenha construído ao longo dos anos. Se você está fazendo isso com pura busca de emoção, tudo bem. Mas experimente em algum lugar selvagem e remoto. Ninguém em uma viagem à Fiji deve ter que se submeter à morte por uma "barcocicleta" (...)

Leia o restante da carta aberta de Michael Ciaramella aqui

SEGREDOS NA PISCINA DE KELLY

O lesionado Kelly Slater não participou das disputas em Trestles, mas nas últimas semanas seu nome esteve envolvido em rumores que inquietaram o mundo do surf. Sem nenhuma confirmação oficial das partes envolvidas, surgiram na internet especulações de que o primeiro campeonato na piscina de ondas de Kelly seria realizado apenas alguns dias após o término da janela da etapa californiana.

Em matéria publicada em seu site, a Stab Magazine anunciou que o primeiro campeonato no Surf Ranch de Slater, em Leemore (CA), aconteceria entre os dias 17 e 19 de setembro apenas para surfistas convidados, sem público ou transmissão. Estas informações, segundo o veículo, teriam sido confirmadas por fontes que pediram sigilo.

A Stab chegou a publicar uma lista dos atletas que supostamente participariam do evento:

  1. John John Florence
  2. Filipe Toledo
  3. Mick Fanning
  4. Jordy Smith
  5. Carissa Moore
  6. Julian Wilson
  7. Gabriel Medina
  8. Stephanie Gilmore
  9. Kanoa Igarashi
  10. Joel Parkinson
  11. Matt Wilkinson

Entretanto, o domingo (17) chegou e, até o momento desta publicação, não houve nenhum indício de que o evento foi iniciado. A WSL não toca no assunto em suas plataformas oficiais e o campeonato no Surf Ranch de Kelly não consta em nenhum dos calendários da entidade, nem mesmo na lista de eventos especiais. A mesma confidencialidade é mantida pela empresa de Slater, Kelly Wave Pool & Co, que desde Dezembro de 2015 vem adotando uma estratégia de marketing que abusa do mistério, lançando vídeos teaser esporádicos e estratégicos, que não revelam muitas informações sobre a onda ou sobre qual será o destino do negócio de Kelly, servindo apenas para aguçar a curiosidade sobre as valas artificiais perfeitas.

Uma pista, no entanto, nos ajuda a desconstruir uma das especulações recentes que vinham revoltando a torcida brasileira: a ausência do campeão mundial Adriano de Souza no evento. No Stories do Instagram de Mineirinho, uma foto de uma esquerda sendo surfada na piscina de Kelly, com a legenda "Sonho".

Postagem de hoje na conta de @adrianodesouza 

Postagem de hoje na conta de @adrianodesouza 

Na segunda-feira (18), vazou na rede um vídeo do brasileiro Caio Ibelli surfando uma direita no Surf Ranch. A gravação divulgada mostra um ângulo até então inedito da onda, revelando um pouco mais da grande estrutura que ajuda a proporcionar as ondas no meio da piscina. Para assistir ao vídeo de Caio, clique aqui. Seria essa outra pista da presença de tops do CT para um possível evento em Leemore? 

Em matéria publicada no site do Estadão, citando informações de uma fonte de dentro da WSL, o repórter Paulo Favero afirma que o evento acontecerá na terça-feira (19), com a presença do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. Segundo a reportagem, o evento seria promovido pela WSL em sigilo e teria caráter experimental, sem presença de público, imprensa e transmissão online, apesar de contar com a estrutura de transmissão apenas para fins de teste. “É um teste, com juízes e equipe de transmissão, para experimentar as novas ondas. Ano que vem a ideia é fazer um evento em maio”, afirmou a fonte do Estadão.

Ainda segundo a matéria, um dos objetivos do evento seria mostrar que a tecnologia de ondas artificiais criadas por Slater pode ser usada nos Jogos Olímpicos. A lista de atletas apresentada pelo Estadão inclui Adriano de Souza entre os convidados, mas coloca a participação de John John Florence como dúvida, já que o havaiano ainda não teria confirmado presença. O fato é que nenhum atleta da elite se manifestou publicamente sobre o evento, nem com postagens nas redes sociais.

O Série ao Fundo seguirá apurando informações que ajudem a esclarecer os mistérios deste evento que, se ocorrer, poderá ser um marco na história do surf, uma vez que possibilita novas dinâmicas para a vertente competitiva do nosso esporte. Por enquanto, o silêncio da WSL e dos atletas protegem os segredos da piscina de Kelly.

APENAS DOIS MOTIVOS DE ORGULHO

Depois de ler tanta notícia ruim, daquele tipo que nos faz sentir vergonha diante de um esquema de corrupção de quem jurou fazer bem pro Brasil, vamos focar em apenas duas pessoas pra mostrar o quanto o surfe (e o esporte) é incrível.

SILVANA LIMA

Vai Sil! A brasileira comemora o primeiro título brasileiro em Trestles...até então.

Vai Sil! A brasileira comemora o primeiro título brasileiro em Trestles...até então.

Nem precisava falar que ela é nordestina. Afinal, para cai na vala sem wetsuit em uma água com 18˚C, só quem nunca se acostumou a surfar no frio. 

Silvana Lima teve que se acostumar com coisas bem piores, como a falta de patrocínio e estrutura de competição para o surfe feminino no Brasil. Foi aí que ela partiu para outros lugares, desapegou da família e com o tempo aprendeu que desapego é uma palavra que a faria viver. 

Afinal, pra quem não sabe, a Sil, como é conhecida, teve que vender os filhos do Aloha (seu cachorro de estimaçãos) para continuar competindo. E foi essa mistura de costume e desapego que a levou a Trestles. 

Stephanie Gilmore é tricampeã mundial e primeira campeã de Trestles. Qualquer um que entrasse na água com ela estaria em desvantagem. Imagina entrar no round 1, round 3 e round 4? Derrotar (três vezes) a lenda e chegar a semifinal já parecia uma história boa. Mas se você chegou até aqui percebeu que a história da nossa brasileira já é incrível demais pra parar em uma semifinal.

Lakey Peterson não deixou que ela comemorasse a final antes da sirene. O destino fez com que a final fosse mais tranquila contra uma novata. Talveza adversária já estava assustada com o feito da brasileira nos três primeiros rounds. Mas não é que Kelly Andrew não tenha surfado bem. Fato é que a Silvana foi melhor em todas as ondas. E quando ela está conectada com o mar...dá nisso:

 

FILIPE TOLEDO

Se você segue @filipetoledo nas redes sociais deve ver tanto o surfista no papel de pai quanto acompanhar Mahina, a primogênita.

Se o ano fosse 1995, seria o avô quem estaria gravando stories do Filipinho. Este foi o ano que o campeão de Trestles nasceu, e que Ricardo Toledo conquistou o tricampeonato brasileiro de surfe. Melhor presságio impossível. 

Filipe Toledo comemora seu segundo título do ano. E esta, ainda, não é a melhor temporada dele.

Filipe Toledo comemora seu segundo título do ano. E esta, ainda, não é a melhor temporada dele.

Aliás, foi realizando o que seria impossível que Toledo venceu todas as baterias naquele lugar que chamaria de casa a partir de 2015. O surfista mudou-se para San Clemente a fim de desenvolver seu surfe. O resultado? A cada bateria que passava ele melhorava, seja contra o atual campeão ou o virtual campeão de 2017. 

Com seu surfe variando entre bordas e aéreos, deixou claro que nada está resolvido na luta pela lycra amarela. Entendeu o recado, Jordy?

É melhor se preocupar mesmo. No melhor ano carreira (2015) Filipe venceu três etapas, sendo a última em Portugal. A perna europeia nem começou, mas já promete ser a mais alucinante dos últimos tempos. 

1922 - O surfe começa aqui!

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

No dia 14 de setembro comemoramos o dia do surfe. Mas seria mais fácil dizer que hoje celebramos o nascimento do surfe que, tem como referência, a data de nascimento de Osmar Gonçalves. E a pergunta é uma só...

QUEM FOI OSMAR?

Estátua de Osmar Gonçalves está em Santos, a primeira  surfcity  do país 

Estátua de Osmar Gonçalves está em Santos, a primeira surfcity do país 

Ele nasceu no marco do Modernismo, em 1922, mas foi em 1938 que, ao ler uma revista ao estilo “faça você mesmo” ( Popular Mechanics ), decidiu levar o projeto ao amigo Júlio Putz, um famoso construtor de barcos na cidade de Santos. 

O resultado desse esforço conjunto pesava 80 quilos e media 3,90 metros. Pra completar, a tábua havaiana (como era chamada a prancha) exigia o remo e tinha um sistema de ventosas para retirar a água, que entrava toda hora na prancha de madeira.

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É meus amigos/leitores, o surfe no Brasil começou com um shaper construtor de barcos e uma fissura maior que três metros e 80 kg para se transformar nisso que é hoje. 

O documentário do jornalista Júnior Faria mostra essa data marcante e reconstrói a prancha com material e medidas originais. Assista o nascimento da história do surfe aqui:

Se Kelly é 11...Trestles é 10!

Bom, como você pode ver aqui, a história de Trestles se confunde com a história do surfe. Pensando nisso, escalamos os 10 capítulos mais incríveis da praia militar mais relax do mundo:

1. Sutherland Pro, 1977: o primeiro campeonato naquela praia foi vencido por um havaiano. E foi Michael Ho quem abriu a sequência de surfistas lendários naquelas ondas.

2. Voa, Fletcher: o que Filipe Toledo e companhia fazem hoje é resultado daquilo que Christian Fletcher começou. Em 1989, ele venceu o Body Glove soltando air reverses.

3. A mística Kelly: ninguém conseguiu marcar seu nome em Trestles como Kelly Slater. Ali ele é um sucesso de longa data. Em 1990, ele ganhava o primeiro título como profissional.

4. Coisa de minuto: Taj Burrow já comemorava a vitória sobre Kelly quando, a 1m07seg do final, o 11 vezes campeão teve seu momento Harry Potter e saiu da água com 9,27 - suficiente para garantir o tri da etapa (hoje ele tem cinco títulos em Trestles) e, de quebra, o eneacampeonato. Memorável, incrível e alucinante!

5. US$ 100.000 : Os surfistas ganhavam, no máximo, 40 mil dólares por evento conquistado. Em 2009, quando a Hurley entrou como patrocinadora do evento, este prêmio pulou pra casa dos 100 mil dólares. Mick Fanning agradeceu, colocou as verdinhas na mala e foi comemorar na Austrália

6. Mulher na rampa: com 13 anos de atraso, a WSL fez mudanças no primeiro campeonato sob seu comando. A mais memorável delas é o surfe feminino de elite com uma etapa na onda de melhor desempenho do CT. 

7. Sempre ela: No mesmo anoStephanie Gilmore retribuiu a escolha da WSL com um repertório variado, até chegar ao perfeito 10 na primeira final feminina em Trestles. 

8. Show nos ares: Lakey Peterson deixou claro que o lugar das mulheres era ali e, logo de cara, lançou um air reverse. 

9. Harry Slater: ele é uma mistura de mago e surfista. Um cara tão a frente de seu tempo que criou uma manobra fora da avaliação dos juízes. Magia pura! 

10. Pendurou a lycra: em 2015, Fred Patacchia se aposentou de forma surpreendente e impressionante. Entrou na onda pra tirar um 10 perfeito e saiu para os braços da família. 

ERA UMA VEZ EM LOWER TRESTLES...

Sexo, drogas e rock'n roll. A década de 60 nos Estados Unidos foi marcada pelo crescimento de dois grupos bem diferentes: o movimento hippie e o alistamento militar. Um ponto de encontro entre quem queria guerra e paz foi Lower Trestles. Desde o final da 2ª Guerra Mundial, a praia é parte de uma base militar. Ou seja, surfar no território da Marinha só com uma boa estratégia de fuga. Como a fissura era maior do que castigo a se cumprir, era normal ver surfistas fugindo do patrulhamento. A disputa entre os lados parecia não ter fim. Foi aí que apareceu a pessoa certa na hora certa. 

Observe que a área da Base Militar cobre sete praias do sul da Califórnia. Trestles é a segunda.

Observe que a área da Base Militar cobre sete praias do sul da Califórnia. Trestles é a segunda.

Em 1970, o presidente Richard Nixon assinou um decreto permitindo acesso ao público em parte dos 122 mil hectares do Parque Militar. Se você pensou que essa foi uma atitude eleitoreira, se enganou. Nixon era um ilustre morador da região, que fez da sua casa (na praia de Cottons) aquilo que chamariam de “escritório ocidental” do presidente. 

De lá pra cá o surfe evoluiu, mas sempre seguindo as tendências que saíam de Trestles. Nos EUA, o primeiro formato da bateria homem a homem foi testado (e aprovado) na maior base militar em território americano. E com um evento que tem Michael Ho como primeiro campeão e civil a surfar (oficialmente) aquela onda, a história não poderia acabar mal. 

Não só deu certo, como sucedeu uma geração incrível de surfistas. A história continua com Tom Curren e chega ao ápice com seu pupilo. Kelly Slater tem uma conexão extremamente forte com a praia. Afinal, ali venceu seu primeiro torneito como profissional (Body Glove Pro), assinou seu primeiro contrato e quebrou o recorde de 43 vitórias (2010) no sul da Califórnia. 

O surfe venceu uma batalha contra a censura. O resultado dessa vitória você consegue ver durante toda essa semana na ESPN+, WatchESPN ou na worldsurfeleague.com.br

Surfe na tela: Shadow Company

Esse filme de Etienne Aurelius é bem legal para quem gosta de ondas pesadas, perfeitas ou nem tanto.
Com narração “dramática” de Sal Mazekela o filme mostra uma galera por trás dos
meninos de lycra que você vê a cada etapa do mundial de surf. Esses são aqueles caras que ficam de olho em cada swell, tipo mancha roxa na tela, que rola pelo mundo e...POW! Lá estão el es, atrás do pico, dropando onde muitos puxariam o bico.

Os "atores" (da esquerda para direita):  Koa Rothman, Billy Kemper e Nathan Florence

Os "atores" (da esquerda para direita):  Koa Rothman, Billy Kemper e Nathan Florence

No fundo dos tubos apresentados nesse filme estão Billy Kemper, Koa Rothman,
Nathan Florence e Luke Davis, único californiano entre os havaianos, além de outros destemidos de plantão. Sim, entre eles há vencedor de Wave of the Winter, Wave of the Year e vitórias no Pe’ahi Challenge (Jaws).

Pouco mais de 18 min, mas é bem legal e intenso. Divirtam-se

APLAUSOS em 2017?

Sábado de sol e muita gente fora da água. Lá dentro, apenas Gabriel Medina e Tanner Gudauskas disputavam o round 3 do Hurley Pro at Trestles 2016. 

Para o local, a maior pretensão era fazer bonito dentro de casa e, com sorte, vencer a etapa. Já o brasileiro entrou na bateria sabendo da eliminação do candidato direto ao título e também da obrigação de vencer. JJ Florence foi eliminado instantes antes e o brasileiro estava a uma vitória para lycra amarela. 

Com o surfe de campeão, Medina começou tirando 8.83 na primeira onda. O californiano também fez notas na casa dos oito pontos e deixou o  brasileiro precisando de uma nota 8.34. E é aí que a história começa. 

A ONDA E A NOTA

Com uma onda intermediária, Gabriel deu uma sequência de rasgadas, arcos e batidas que garantiriam a nota. Ao finalizar a onda, a certeza virou dúvida quando três dos cinco juízes deram notas abaixo de 8.20. Ruim para Medina, pior para a própria WSL, que não contou sequer com a ajuda dos comentaristas. Abaixo, relatamos uma parte da transmissão:

- Como assim? - diz um surpreendido Barton Lynch (Campeão de 88 e convidado da etapa)

- “Eu compartilho da sua surpresa! - complementa o comentarista Ross Williams, para finalizar - “Sinceramente, achei que essa onda merecia um 9!”

A polêmica continuou com o apresentador (e tubo rider) Peter Mel deixando claro a sua insatisfação com os juízes:

- “Essa será um daquelas baterias que repercutirão durante toda temporada. Achei que a onda era o suficiente para Gabriel virar. Particularmente, aquela onda foi na casa dos nove”, afirma Peter Mel (apresentador (e tube rider)
— Fonte: transmissão WSL

O assunto Gabriel Medina x Tanner Gudauskas começa aos 9min30 seg

Ao final deste (inesquecível) sábado, mais surfistas fizeram coro a Gabriel. As palmas de Medina serviram para os surfistas da elite revelarem a sua insatisfação com os critérios de avaliação. 

TRADUÇAO: Demorei um pouco para colocar essa foto porque eu sei que as pessoas querem falar sobre isso: a bateria de Medina. Nenhum desrespeito com Tanner, mas sinceramente eu acho que ele conseguiu a nota que precisava no fim. Sei que a tarefa dos juízes não é fácil, mas acredito que a onda de Gabriel foi excelente. Essa é a minha opinião

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TRADUÇAO: Quando há noites sem dormir, incontáveis horas de preparação e duras lições aprendidas com decepções do passado, é difícil não se sentir frustrado quando não se é recompensado em momentos-chaves como este. Talvez seja hora de descobrir o que os juízes veem e entendem como bom surfe, em comparação com o que os melhores surfistas do mundo veem e entendem como bom surfe, se é que isso poderia ser diferente

Como já deu pra perceber, o #HurleyProTrestles começa com alguns fantasmas do ano passado. Será que a WSL conseguirá espantá-los ou, pelo menos, mantê-los longe dos surfistas?

É esperar o dia 06/9 pra ver. 

EM TRESTLES, QUEBRAREMOS TUDO...ATÉ TABU?

Desde de 2002, os surfistas brasileiros tem feito um verdadeiro jogo de WAR na elite do surfe. Começamos vencendo na França com Neco Padaratz e de lá pra cá foram mais 15 vitórias, sendo última delas a campanha assustadora de Filipe Toledo em J-Bay.

Apesar da dominância no circuito, falta uma coisa: vencer Trestles. Já tivemos um vice de Mineiro e chegamos às semifinais por outras 6x. Mas, até agora, nada de "fazer a América".

O lado bom da coisa? Se há algum momento para ganhar ele se chama agora.  No pelotão de quem ainda luta pela título, temos Mineiro, Medina e Filipinho. Em nosso leve ufanismo, há tantos motivos para acreditar quanto o retrospecto nos diz.   

:::GABRIEL MEDINA:::

Gabriel Medina é o único dos três que ainda não venceu no ano e, pelo o que temos visto na virada do semestre, tem tudo pra vencer. Afinal, quando se trata das quartas de final, temos uma certeza: Gabriel passa. Foi assim em todas: Gold Coast, J-Bay e Teahupoo. Ele é o único com 100% de aproveitamento na elite. O troféu "Cridita" é dele, Tiago Brant!

:::FILIPE TOLEDO:::

Quando o assunto é dar espetáculo, Filipinho é o cara. Mas nas águas de Trestles (quintal de casa) não há ninguém que tenha uma média tão boa quanto à dele. O #77 tem média por bateria de 16.4 pontos. O segundo melhor? O bicampeão de Trestles, Jordy Smith, com “apenas” 15.06 de média. Com notas altas em seu estilo freak, Filipinho é candidato ao troféu Harry Potter 

:::ADRIANO DE SOUZA:::

Ele tem honrado o apelido de Mineirinho. Comeu quieto até Trestles e chega a oitava etapa do circuito com 65% de vitórias. Melhor do que isso é saber que o seu recorde foi em 2015, com 66% de vitórias. Coincidência ou não, foi também o ano do título #quequeeissoedinho !

Surfe de (bi)campeão? Vamos esperar o dia 06/9 pra ver.  

DROP CERTO!

A cada etapa que chega, os fãs de surfe entram na mesma discussão: Quem vai se dar bem nesse evento? Quem eu coloco no meu fantasy?

O Série ao Fundo apresenta agora uma lista com os surfistas que têm tudo para quebrar em Trestles e fazer você quebrar no seu fantasy. Este é o Drop Certo!

:: TRESTLES ::

O palco da oitava etapa do Mundial é um point break localizado no sul da Califórnia que oferece uma grande variação de manobras. Para a esquerda, a onda quebra mais rápida e cavada. Para a direita, a sessão é mais longa. Tubos não são comuns em Trestles, mas a pista para decolagens está sempre aberta.

Nessas condições, o estilo progressivo é muito válido, mas as belas linhas também não podem ser esquecidas. Então começamos de cara destacando Filipe Toledo, que além de dominar os aéreos e o surfe de base, estará no quintal de casa e tem tudo para ir longe nesta etapa. Entre os atletas que irão participar do evento, Filipinho tem a maior média de pontos por bateria (16,4).

Dono da camisa amarela, Jordy Smith é o atual campeão em Trestles e fez duas finais nos últimos três anos. Sua combinação de força com modernidade encaixa muito bem nas ondas californianas, onde sempre treina, e é uma boa aposta para os fantasys alheios. Sem Kelly Slater, Jordy divide com Mick Fanning o melhor percentual de baterias vencidas por lá, com 68% de sucesso. Mick, aliás, não pode ser descartado. O australiano já venceu duas vezes por lá e suas belas linhas aliadas e jogadas de rabeta são sempre muito bem avaliadas.

Brasileiros melhores colocados no ranking, Adriano de Souza e Gabriel Medina nunca venceram em Trestles, mas também já mostraram que podem ir longe. No ano de seu título mundial, Mineiro foi vice-campeão no pico e pelo que estamos vendo em seus treinamentos, está quebrando em suas linhas. Hora e pico perfeitos para a reação no Mundial. Já Medina vêm em uma crescente no ano. Terceiro em J-Bay e 2° no Taiti, o brasileiro já venceu brilhantemente um QS em Trestles em 2012. E não é novidade para ninguém que Medina motivado e focado é quase imbatível.

Após duas etapas caindo no Round 3, Joel Parkinson também tem tudo para ir longe em Trestles. O australiano venceu por lá em 2004, mas tem três finais no currículo, inclusive no último ano. Suas conhecidas e extensas linhas podem funcionar, principalmente se estiver quebrando para a esquerda. Em grande fase, Julian Wilson já fez final no pico em 2013, assim como os candidatos ao título Owen Wright, em 2011, e John John Florence em 2014. Apesar do vice-campeonato há três anos, o atual campeão mundial venceu apenas 48% das baterias que fez em Trestles e, com 14,19 pontos de média por bateria, não está nem entre os dez melhores na etapa.

Foi em Trestles que Joel Parkinson fez seu único pódio em 2016

Foi em Trestles que Joel Parkinson fez seu único pódio em 2016

Quem pega onda sabe que surfar em casa pode ser uma grande vantagem. Kolohe Andino e Nat Young são locais e conhecem cada vala de Lower Trestles. Apesar do ano irregular, os dois podem tirar resultado por lá. A temporada também não é boa para Bede Durbidge e Miguel Pupo, mas o australiano já venceu o evento há 11 anos e Miguelito triunfou em um QS por lá em 2011.

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De quem é a zebra?

Dessa vez as apostas ficarão em Kanoa Igarashi, que faz temporada muito fraca no CT, mas vêm quebrando nos últimos QS. O americano tem tudo para encaixar seu surfe progressivo e colocar toda sua estratégia nas ondas de Trestles.

 

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.

#TBT - ThrowBackTour /Slater x Fanning Trestles 2015

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

Se imagine no lugar do seguinte personagem: você tem 43 anos, 11 títulos mundiais, 5 vitórias em Trestles. O que faltaria na sua carreira? 

Para alguns, nada. Para Kelly Slater, era a hora de abrir a caixinha de mágicas.  

E nada melhor do que fazer o impossível do lado daquele que sempre o testou. Por coincidência, seu rival Mick Fanning era o adversário na última chance para chegar às quartas do Hurley Trestles Pro. 

Round 5 e a bateria estava apenas começando. A primeira onda surge para Kelly em uma longa esquerda. Foi aí que a magia aconteceu. Ele passou a sessão da espuma, fez um aéreo perfeito, mas na aterrisagem…

Observe a reação da torcida. 

No mesmo momento, durante a transmissão, o comentarista (e também campeão) Martin Potter afirma:

“Eu nem sei o que você chamaria de ‘manobra’ (…) essa é apenas uma habilidade absurda”
— Martin Potter, comentando durante a transmissão sobre a manobra de KS.

Sim. Essa manobra que você acabou de ver não está no livro de manobras da WSL. Logo, não foi computado como nota. Aliás, os juízes afirmaram que "a aterrisagem deveria ser feita com os dois pés na prancha”. 

Sendo assim, nota 4.17 para Kelly. Mais surpreendente do que a nota, só mesmo a reação do multicampeão:

“Eu sou o único que tem que suportar o peso de ter uma boa ou má pontuação. E não estou muito preocupado com isso. Não sei por que tantas pessoas estão.”
— Kelly Slater, em entrevista após a 'magia'

Aposto que você já nem lembrava de Fanning na bateria, certo? Pois é. Ele passou por Kelly e foi campeão do torneio, com Adriano de Souza de vice. 

O resto é história. Mas que dá saudade…ah! Isso dá!

#TBT - ThrowBackTour /Medina x Slater Teahupoo 2014

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

Assistindo Gabriel Medina na final de domingo, passando pelas baterias só 'botando pra baixo' contra todos os adversários, ficou impossível não lembrar da etapa mais incrível de todos os tempos naquele mesmo pico, três anos atrás. Aliás, isso não é só a gente que acha não! Na verdade, o Série Ao Fundo acha. Não é, Renan Rocha?

"Essa final foi histórica. Gabriel novo, Kelly experiente com um backside fenomenal naquela onda, tem o tempo da onda. Ele é um mito, pois sabe achar as três ondas que quebram na bancada, independente da direção do swell. E o Gabriel era moleque, brasileiro, cheio de sangue nos olhos, botando pra baixo. Típica bateria que qualquer documentário ela se fará presente. Dois grandes nomes e altas ondas.” - Renan Rocha sobre a final de 2014

Altas ondas literalmente.  As bombas que estouravam na bancada rasa de Teahupoo estavam entre 10 a 12 pés. A natureza oferece e os surfistas agradecem: foram 11 baterias com somatórios acima dos 19 pontos. Ainda mais incrível foram as SETE notas perfeitas e, de quebra, uma semifinal John John x Kelly, que garantiu o prêmio de bateria do ano. Depois de assistir o vídeo, você também não terá dúvida do porquê.

Enfim chegamos a final. De um lado, o surfista mais novo do tour contra o (até então) tetracampeão da etapa. Foram 10 minutos de tensão e se fez necessário um restart na bateria. A sirene tocou pela segunda vez e Medina, quase de imediato, começou um show. Entre as duas primeiras ondas surfadas (ambas do brasileiro) ainda deu tempo do 11x campeão errar e passar a prioridade ao camisa amarela, que agradeceu com um 9.07, abrindo 16.97. Do outro lado, Kelly continuou com 0 pontos. Nem o brasileiro mais otimista poderia prever esse início. 

Mas com lembramos sempre: o maior vencedor do troféu Harry Potter não costuma errar. Até a final Kelly não tinha errado um drop sequer. E foi com essa perfeição que ele encostou no placar  (18.96 X 18.60) . Quando tudo parecia certo para a sua virada, a baforada deixou claro : ninguém é perfeito. Nem mesmo Kelly Slater.

Edinho escreveu sobre esse episódio único no Tour. E é ele quem finaliza a história desta quinta: 

Na final mais eletrizante dos últimos anos, Kelly ainda teve mais uma chance. Não acreditou quando Medina deixou a onda. O brasileiro parecia saber que aquela onda não seria a da virada. E não foi. Os 9.30 resultaram no placar de 18.96 X 18.93.

Achou um exagero falarmos que essa foi a bateria mais incrível de todos os tempos? Não fomos nós que dissemos isso. Na verdade, foi ele. Com a palavra, o mestre dos mares:

"O que eu posso dizer? O que o oceano nos entregou hoje é essa semana foi incrível! Eu nunca imaginei ver algo como isso. Hoje será um dos melhores dias de surfe da minha carreira, sem dúvidas (...) Parabéns ao Gabriel. Ele teve neste ritmo durante todo o evento e, especificamente na final. Ele está ‘on fire’ esse ano"  - Kelly fala após a derrota por 0.03 pontos. 

O resto é história. Mas que dá saudade…ah! Isso dá!

Clássico, marola e flat: o Tour tá quebrando pra quem?

O Série ao Fundo inicia hoje o termômetro da Tempestade Brasileira que vai analisar o momento dos nossos surfistas após cada etapa do Mundial de Surfe. Se o atleta foi bem no último evento, ele estará CLÁSSICO. Se ficou naquele meio termo, nem brilhou e nem decepcionou, estará na MAROLA. E se a última etapa não saiu como esperado, ele ficará FLAT.

Em Teahupoo, tivemos de tudo entre os brasileiros: Grandes resultados, baterias disputadas até o fim, interferências, brigas de remada, de prioridade e também eliminações surpreendentes e precoces. Então vamos ver como ficou o nosso termômetro da Tempestade Brasileira.

CLÁSSICO

1 - Gabriel Medina

• 2° no Taiti (perdeu para Julian Wilson na final)

• 7° no ranking (subiu duas colocações)

• O que busca: Título mundial

Após um começo de ano irregular, parece que o surfista de Maresias reencontrou o caminho dos grandes resultados. Embalado pela semifinal em Jeffreys Bay, Medina mostrou que sabe tudo de Teahupoo, entrou focado, fez a única nota 10 do evento e só perdeu a decisão porque Julian Wilson achou duas bombas no final da bateria.

Vai com força total para Trestles, onde tentará reduzir a diferença para os líderes do ranking. Seu melhor resultado por lá foi um 3° lugar em 2015.

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2 - Wiggolly Dantas

• 5° no Taiti (perdeu para Kolohe Andino nas Quartas de Final)

• 19° no ranking (subiu seis colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Que GuiGui adora um tubo não é novidade para ninguém. Com sangue frio, o ubatubense tirou a camisa amarela de Matt Wilkinson, eliminou Adriano de Souza e por pouco não alcançou sua primeira semifinal no tour. Na bateria contra Kolohe Andino, uma escolha de onda errada no fim tirou a chance de ir mais longe em uma onda que tanto gosta e que tanto encaixa com seu estilo.

Wiggolly saiu da zona de rebaixamento e precisa de mais um grande resultado para se garantir mais um ano na elite do surfe. Em Trestles, tenta repetir o 5° lugar de 2015.

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3 - Ian Gouveia

13° no Taiti (perdeu para Owen Wright no Round 3)

25° no ranking (subiu uma colocação) 

• O que busca: Permanência na elite

O pernambucano ainda está em uma posição bem incômoda no ranking, mas se mostrar o surfe que mostrou em Teahupoo com certeza irá sair dessa situação. Ian atropelou Michel Bourez e Frederico Morais no Round 1 com escolhas perfeitas e deixou claro que suas viagens para o Taiti desde pequeno fizeram a diferença. No Round 3, surfou bem contra Owen Wright, mas faltou mais uma onda para ir mais longe.

Novato, o filho de Fabio Gouveia faz agora sua estreia em Trestles. Com o surfe progressivo nos pés, ele tem tudo para fazer um bom resultado na Califórnia e subir no ranking.

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MAROLA

4 - Italo Ferreira

13° no Taiti (perdeu para Julian Wilson no Round 3)

23° no ranking (caiu uma colocação) 

• O que busca: Permanência na elite

O campeonato no Taiti começou muito bem para o potiguar. Em um mar muito difícil, ele achou seus tubos, rasgou com força e mandou Owen Wright e Josh Kerr pra repescagem. E se alguém falar que ele surfou mal no Round 3 estará mentindo. Italo fez 16.54, mas um inspirado Julian Wilson tirou um 9.13 da cartola e somou 17.46. Depois da lesão que o tirou de três etapas, Italo tem tudo para embalar no final da temporada.

O pupilo de Pinga é um surfista perigoso em todas as ondas do Circuito Mundial e pode se dar muito bem em Trestles com seu backside poderoso e seus aéreos que sempre estão no pé. Ele foi 9° lá em 2015.

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5 - Jadson André

25° no Taiti (perdeu para Michel Bourez no Round 2)

32° no ranking (manteve a mesma colocação) 

• O que busca: Permanência na elite

Jadson é um guerreiro. O potiguar ainda não conseguiu passar do Round 3 em 2017, mas mais uma vez mostrou do que é capaz. A primeira bateria nem conta, porque as condições de Cho-Po mais pareciam algumas praias daqui. Na repescagem, Jadson fez tudo que podia e surfou muito contra Michel Bourez, inclusive com a melhor nota da bateria (8.77). Mas Michel arrancou um polêmico 7.90 dos juízes, virou e avançou no evento.

Jadson precisa urgente de resultados para não depender mais uma vez da reclassificação pelo QS. Em Trestles, tem como melhor resultado um 9° lugar.

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FLAT

6 - Adriano de Souza

13° no Taiti (perdeu para Wiggolly Dantas no Round 3)

no ranking (caiu uma colocação) 

• O que busca: Título mundial

Momento ruim para o Capitão Nascimento. Mineiro ainda é o melhor brasileiro no ranking, mas as três eliminações seguidas no Round 3 acenderam o sinal de alerta. Depois de um bom início nas ondas fracas do primeiro dia, Adriano não encontrou uma segunda onda contra Wiggolly Dantas e foi eliminado pelo compatriota mesmo tendo a melhor onda da bateria.

Para sorte do guarujaense, tudo segue muito embolado na frente e um bom resultado em Trestles, onde tem ótimo retrospecto, é fundamental para continuar na briga pelo bicampeonato mundial. Seu melhor resultado na Califórnia foi o vice em 2015.

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7 - Filipe Toledo

25° no Taiti (perdeu para Ethan Ewing no Round 2)

no ranking (caiu duas colocações) 

• O que busca: Top 5

O título em Jeffreys Bay e a grande atuação em Huntington Beach deixaram todos com a melhor expectativa possível para o desempenho de Filipinho em Teahupoo. Mas o mar deixou o ubatubense na mão. No difícil Round 1, Filipe viu Adrian Buchan achar a única boa onda da bateria. E na repescagem as coisas ficaram ainda piores, quando o novato Ethan Ewing conseguiu achar duas ondas em um mar complicado e venceu sua primeira bateria no CT. Filipinho somou apenas 6.56 e se despediu com um péssimo 25° lugar.

Filipe está agora 13.400 pontos atrás do líder Jordy Smith e o inédito título mundial ficou muito difícil. Ele precisaria de um desempenho muito forte nas últimas quatro etapas além de torcer contra suas principais adversários para se manter na briga pelo caneco. Em Trestles, ‘Holy Toledo’ se sente em casa e já fez duas semifinais.

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8 - Caio Ibelli

25° no Taiti (perdeu para Kanoa Igarashi no Round 2)

20° no ranking (caiu quatro colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

A lesão no tornozelo que tirou Caio de Fiji parece que ainda incomoda o atual Rookie of the Year. Ele voltou com um 13° em J-Bay e não passou do Round 2 no Taiti. Caio não se encontrou nas pequenas ondulações de Teahupoo e não conseguiu fazer mais de 4.17 em nenhuma onda e foi facilmente superado por Gabriel Medina, Stuart Kennedy e Kanoa Igarashi.

Vice-campeão em Bells, Caio precisa estar bem para conseguir mais resultados fortes e ficar entre os 22 que se garantem na elite do ano que vem. Em sua estreia em Trestles, no ano passado, ele ficou em 13°. Com o campeonato apertado, é pouco.

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9 - Miguel Pupo

25° no Taiti (perdeu para Sebastian Zietz no Round 2)

32° no ranking (manteve a mesma colocação) 

• O que busca: Permanência na elite

Outro que não se encontrou em Teahupoo foi Miguel Pupo. Sua maior nota durante todo o evento foi um 3.17. Na repescagem somou apenas 2.67 e foi presa fácil para Sebastian Zietz. Um mar melhor poderia ter ajudado o desempenho do surfista de Maresias.

O surfe progressivo de Miguelito pode encaixar bem em Trestles e um grande resultado é necessário para se manter na briga por uma vaga na elite no ano que vem. Na Califórnia, ele tem dois nonos lugares como melhor resultado.

Sem onda, mas com nota

Lei da compensação. Afinal, se não havia swell suficiente para (mais um) campeonato épico no Taiti, essas ondas estavam quebrando em algum lugar. Aqui o swell chegou forte e deu pro surfista mais apaixonado viver de surfe manhã, tarde e noite.

Coincidência ou não, fato é que lá em Teahupoo o final de semana foi bem movimentado. Variava alguns períodos com vento e mar a favor e outros que colocaram fim a um bom momento de Filipe Toledo, que perdeu em uma das oscilações do mar com poucas ondas e nenhum vento. 

No segundo dia, as ondas e os ventos colaboraram. Apesar das atuações discretas de Caio Ibelli e Miguel Pupo, tivemos grandes duelos com Jadson André  x Michel Bourez e Julian Wilson x Italo Ferreira. Destaque pro pernambucano Ian Gouveia, que conseguiu o maior somatório no round 1 e saiu da etapa disputando onda a onda com Owen Wright.

Mas nada parecido com o dia das finais.  Um domingo de muito surfe e total tensão. A começar pela interferência de Gabriel Medina em uma "isca" jogada por Matt Wilkinson. Pior: o australiano é quem foi fisgado. Um erro de estratégia do líder do tour, que ao tentar uma punição a quem ele considerou o melhor da bateria, acabou perdendo a série e cedeu a vaga nas quartas de final para Kolohe Andino. Wilko repetiu a “bondade” com Wiggolly Dantas, que o eliminou no round 5 e deixou a camisa amarela no colo de Jordy Smith, semifinalista da competição após eliminar John John Florence.

Aliás, o ubatubense teve o melhor resultado da temporada ao perder nas quartas de final para Kolohe, que disputou, literalmente (e com uma certa agressividade de ambos os lados), braçada a braçada com Medina. 

O campeão mundial de 2014 chegou a final com a única nota 10 na etapa e tudo parecia muito bem até os 10 minutos finais. Julian Wilson entrou na combinação e precisava de 17.88 para virar. Missão impossível? Não em Cho-po. Não com Julian. Em 4 finais com o brasileiro já são 3 vitórias do australiano. Com a última, ele mostra que não foi apenas um acidente de percurso em Pipeline-2014, mas segue como a pedra no sapato de Medina.

Se o título não veio, motivos não faltam pra comemorar. Medina volta a projetar o título a menos de uma vitória do líder. Quando Gabriel começa bem em Teahupoo, o final nós já conhecemos…Julian Wilson também.  

Fonte: WSL/Kelly Cestari

Fonte: WSL/Kelly Cestari