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WSL valorizou campeões, mas irregularidade tirou Italo do Mundial

Por Guilherme Dorini

Reprodução/Instagram

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Você pode até estranhar. Como assim o Italo Ferreira é o maior campeão da temporada e não estará na disputa do título mundial no Havaí? Realmente soa estranho, incomoda, mas é a mais pura verdade. Apesar de ser o maior vencedor de etapas do ano - subiu três vezes no lugar mais alto do pódio -, o brasileiro não tem mais chance de conquistar seu primeiro título mundial. E olha que a World Surf League até tentou ajudar...

Explicamos. Até a temporada passada, a pontuação funcionava da seguinte forma:

1º - 10.000
2º - 8.000
3º - 6.500
5º - 5.200
9º - 4.000
13º - 1.750
25º - 500

Para 2018, a WSL mudou realizou mudanças sutis:

1º - 10.000
2º - 7.800
3º - 6.085
5º - 4.745
9º - 3.700
13º - 1.665
25º - 420

A única pontuação que se manteve igual a da temporada passada foi a do primeiro lugar, ou seja, mesmo que tenham sido pequenas as mudanças, a intenção sempre foi beneficiar os campeões das etapas, para que isso pudesse ser ainda mais decisivo na disputa do título mundial. Mas, pelo menos até agora, não foi.

Com duas vitórias cada, Filipe Toledo (Rio e J-Bay), Julian Wilson (Gold Coast e França) e Gabriel Medina (Taiti e Surf Ranch) são os únicos com chances de conquistarem o Mundial em Pipeline, no Havaí. Italo, por mais que tenha vencido uma vez a mais que os três - faturou Bells Beach, Bali e Portugal - já está fora.

WSL

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Vencer três vezes no mesmo ano é espetacular e diz muito do que podemos esperar do surfista potiguar, mas é necessário mais regularidade. Além das três primeiras colocações, Italo só conseguiu somar mais uma boa posição, um quinto no Taiti. Nas outras seis etapas, foi cinco vezes 13º (Gold, Rio, Uluwatu, Ranch e França) e uma vez 25º (J-Bay, seu primeiro descarte).

DÉJÀ VU?

Kelly Cestari/WSL

Kelly Cestari/WSL

E essa situação não é novidade para um brasileiro. O último atleta a conseguir tal "proeza" foi justamente Filipe Toledo. Em 2015, o surfista de Ubatuba havia, assim como Italo, faturado três etapas (Gold Coast, Rio e Portugal), mas também foi atrapalhado pela falta de regularidade na temporada. Mesmo com os três troféus, terminou o ano apenas na quarta posição da classificação geral, atrás de Gabriel Medina, que só havia conquistado um título, Mick Fanning, que levou dois, e Adriano de Souza, que acabou se tornando campeão mundial com apenas duas vitórias (Margaret e Pipeline).

Medina vira líder, mas Filipe mantém vantagem nos descartes

Por Guilherme Dorini

WSL/DAMIEN POULLENOT

WSL/DAMIEN POULLENOT

Está (cada vez mais) aberta a disputa pelo título mundial da temporada. Se o equílibrio na parte de cima da tabela do Circuito Mundial de Surfe (WCT) era visível após o Surf Ranch, ele se fez ainda mais presente no encerramento da etapa da França, que terminou com título de Julian Wilson, um terceiro lugar para Gabriel Medina e uma precoce eliminação do então líder Filipe Toledo, que amargou uma 13ª posição.

Com o resultado, Gabriel Medina assume a lycra amarela, que representa o primeiro lugar na tabela, já para a etapa de Portugal, penúltima da temporada, que já começa no próximo dia 16, na praia de Supertubos, em Peniche. Com o terceiro lugar na França, ele chega aos 51,770 pontos, contra 51,450 de Filipe.

No entanto, se olharmos já para os descartes, a situação ainda é favorável ao surfista de Ubatuba. Agora, com apenas duas etapas restantes, Filipe acumula dois 13º como piores resultados, ou seja, está descartando 3,330, somando, assim, 48,120. Seus piores desempenhos foram em Bells Beach e França.

WSL/KEOKI SAGUIBO

WSL/KEOKI SAGUIBO

Já Medina tem como descarte um 13º, da Gold Coast, e um nono lugar, de Bali. Assim, no momento, ele está descartando 5,365 pontos, ficando com 46,405, pouco menos de dois mil atrás de Filipe Toledo.

Quem corre por fora, mas mais vivo do que nunca na competição, é Julian Wilson. Com a vitória conquistada na França, o australiano ganha novo ânimo para a disputa do título mundial. Com os 10,000 pontos, ele chega aos 47,125. Porém, se também já colocarmos os descartes, um 25º, no Taiti, e um de seus dois 13º, em Bells e Bali, sua pontuação fica em 45,040 - atrás dos dois brasileiros, mas na briga.

A janela para a etapa de Portugal começa no próximo dia 16, terça-feira, e vai até 27, um sábado - a previsão, no entanto, é para um ótimo swell nos quatro primeiros dias. Depois, a decisão chega ao Havaí, em Pipeline, que acontece entre os dias 8 e 20 de dezembro.

Alejo Muniz descarta competir pela Argentina por sonho olímpico

WSL / MOHAMED NAVI

WSL / MOHAMED NAVI

Por Guilherme Dorini

Disputar uma Olimpíada é o sonho de qualquer atleta e, muitos deles, fariam qualquer coisa para atingir tal objetivo. Após a confirmação da entrada do surfe no programa olímpico para os Jogos de 2020, em Tóquio, mudanças importantes foram notadas neste sentido: surfistas optaram por defender outros países - que, é claro, possuíam alguma relação - para ficarem mais perto da competição. O mesmo comportamento poderia ser adotado por Alejo Muniz, argentino naturalizado brasileiro, que, no entanto, rejeitou tal ideia.

"Já passou pela minha cabeça, mas não é uma coisa que quero para agora. Adoro a Argentina, amo lá, acabo representando eles de alguma forma quando estou competindo, tenho muitos amigos que torcem por mim por lá, mas, se a Argentina for, e tomará que vá, já tem ótimos representantes, meu irmão está lá para representar da melhor forma possível. Ainda não sabemos como serão as vagas, mas vou tentar conseguir pelo Brasil se tiver alguma chance", disse em conversa com o Série ao Fundo.

Santiago Muniz, caçula de Alejo, é tido como a grande aposta da Argentina no surfe mundial. Radicado em Santa Catarina, onde cresceu com a família, ele compete hoje pelo país vizinho, diferente de seu irmão, que segue com o verde e amarelo.

Santiago, inclusive, mostrou por que Alejo está certo em apostar em seu potencial. No mês passado, no Japão, ele foi o grande campeão do World Surfing Games, organizada pela ISA, grande responsável pela entrada do surfe nos Jogos Olímpicos.

"Os argentinos têm tanta paixão pelo esporte... É um sentimento maravilhoso ouvir eles gritando meu nome. É um momento excelente, estou muito empolgado. Tento apenas fazer o meu melhor e continuar degrau por degrau. Estou empolgado com o próximo ano, se eu vencer, capaz de ter alguma chance de estar em Tóquio 2020. É um sonho se tornando realidade", expressou Santiago após receber a medalha de ouro.

Na grande decisão, um de seus concorrentes era justamente Kanoa Igarashi, americano com ascendência japonesa, que optou por começar a competir pelas cores da bandeira do país asiático neste ano, aumentando, assim, suas chances de estar na Olimpíada.

WSL / DAMIEN POULLENOT

WSL / DAMIEN POULLENOT

Outro exemplo desta mudança de país é Tatiana Weston-Webb. Filha de brasileira, a havaiana decidiu "trocar" de nação, agora para a verde-amarela, justamente pelos Jogos Olímpicos.

Pela 1ª vez com o filho, Alejo quer repetir vitória no US Open por volta ao WCT

Por Guilherme Dorini

Alejo Muniz está cada vez mais próximo de voltar ao Circuito Mundial de Surfe (WCT). Depois de liderar boa parte da divisão de acesso (WQS), o argentino radicado no Brasil, mais especificamente em Santa Catarina, já conseguiu todos seus backups necessários no começo da temporada e agora depende, praticamente, de um ótimo resultado em uma das grandes etapas para carimbar de vez sua vaga na elite do próximo ano. E isso pode já acontecer nesta semana, quando o surfista participará do tradicional Vans US Open of Surfing, no qual já foi campeão. Para repetir a façanha, ele ainda terá um aditivo especial: pela primeira vez terá ao lado, em uma competição, Martín, seu filho recém-nascido.

Reprodução / Instagram

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"Meu filho nasceu em janeiro, foi a melhor sensação que já tive na vida. Estou muito feliz com isso, tenho aprendido muito, apesar de ele ter apenas seis meses. Quero tentar minha classificação por ele esse ano, como se fosse um presente para ele. Está sendo muito legal, estamos curtindo pra caramba", relatou Alejo em um bate-papo com o Série ao Fundo nesta semana, antes de revelar que essa também será a primeira viagem do pequeno Martín para assistir ao pai em uma etapa.

"Essa vai ser a primeira vez que a Amanda (esposa) e meu filho vão viajar comigo para um campeonato. Vai ser massa pra caramba! A Amanada já foi em alguns, mas, com ele, vai ser a primeira vez. Meu irmão [Santiago Muniz] também vai estar lá, que é quem sempre viaja comigo, como estamos correndo o WQS juntos há alguns anos. Vai ser muito massa", completou.

Reprodução / Instagram

Reprodução / Instagram

Apesar da felicidade estar completa pelo lado familiar, Alejo viveu um começo de ano conturbado na parte profissional. Após não conseguir a vaga para este ano, ele ainda anunciou em dezembro o fim de sua parceria com a Hurley/Nike, marcas que o patrocinaram durante sete anos. Mesmo sem patrocínio de bico, o brasileiro continuou na luta e viu a situação melhorar pouco a pouco - principalmente com ajuda de marcas "caseiras", de Santa Catarina.

"Ano passado encerrei meu contrato com a Hurley e a Nike, mas sou totalmente agradecido por tudo que eles fizeram por mim. Me apoiaram por sete anos, foram anos muito especiais. Comecei o ano sem patrocínio de bico, mas as coisas foram melhorando, acabei fechando com a Di Colore, cosméticos, aqui de Santa Catarina. Me ajudaram muito para as viagens, para a Austrália. Agora, antes de Ballito, apareceu a Vida Marinha, que é meu patrocínio de bico - uma empresa catarinense também, com história no mercado do surfe. Muito feliz por representar eles e ter um patrocínio de Santa Catarina para me ajudar a competir. Também tenho a Dragon, de óculos, há mais de seis anos, e a Nosso Lar, uma construtura com um time muito grande de surfistas", disse. 

TOM BENNETT / WSL

TOM BENNETT / WSL

Com um bom desempenho no começo do ano, principalmente com a final no Vissla Sydney Surf Pro, Alejo conquistou pontos importantes, assegurando um quarto lugar no ranking geral do WQS - os dez primeiros garantem vaga no WCT. Os resultados servem como bons backups, fazendo com que o brasileiro precise de uma boa performance em um Prime para, praticamente, decretar seu retorno à elite. 

"Estou em quarto, liderei grande parte do circuito, mas ainda não tinha rolado nenhuma etapa Prime. A galera costuma dizer que [o WQS] começa depois de Ballito. Consegui bons resultados no começo do ano, que foram importantes, principalmente a final na Austrália. Hoje, é como se eu já tivesse todos os meus backups, prontos, agora eu preciso buscar um resultado grande em um Prime para me colocar em uma posição muito boa. Se ganhar um Prime, já praticamente me garante ano que vem", analisou.

Alejo foi campeão do US Open em 2013 / WSL

Alejo foi campeão do US Open em 2013 / WSL

"Os Primes são os mais importantes do ano. São os eventos onde você tem que passar menos baterias para alcançar uma maior quantidade de pontos. Para um cara fazer a mesma pontuação que fiz na Austrália, por exemplo, que são os quatro mil pontos, ele precisa de um nono lugar, eu precisei chegar até a final. Tem muita diferença de um Prime para um seis mil, que já é uma etapa muito importante", explicou Alejo, antes de falar sobre sua expectativa para o US Open, que tem janela de competição aberta a partir da próxima segunda-feira (30).

"Expectativa para o US Open é muito grande. Estou me sentindo bem, já venci no passado, vou com a minha família... Tem tudo para dar certo. Preciso até tomar cuidado para não criar muita expectativa, manter os pés no chão e fazer o meu melhor", concluiu o surfista, que já foi campeão desta mesma etapa em 2013, quando bateu na final o dono da casa Kolohe Andino.
 

Frustrada com WSL, Nicole Pacelli mantém sonho de entrar no Big Wave Tour

Reprodução / Rafael G. Riancho

Reprodução / Rafael G. Riancho

Por Guilherme Dorini

Primeira brasileira a ser campeã mundial de stand up paddle (2013), Nicole Pacelli viu sua carreira no surfe de ondas grandes decolar nos últimos anos. Logo na primeira tempora em que decidiu focar nos paredões de água, já foi coroada com uma vaga na final do Big Wave Awards. O título não veio, mas a vitrine era gigante, e o futuro quase que automático: o próximo passo seria o recém-criado Big Wave Tour (BWT) feminino. Sua vontade, no entanto, não prevaleceu. O convite da World Surf League (WSL) nunca chegou, o que gerou um pouco de frustração na brasileira - mas não capaz de abalar o otimismo em seguir na luta pelo seu grande sonho.

"Sempre gostei de onda grande, de sentir aquele frio na barriga, ficar mais focada, mais atenta... Aí rolou o primeiro campeonato mundial feminino (de ondas gigantes) em Jaws, que foi ano retrasado (2016). Eu vi a lista [de participantes] e pensei: como é que eu vou entrar nesse campeonato? Queria muito. E o melhor jeito era pelo Big Wave Awards. Porém, o feminino só tem uma categoria, o de melhor performance", contou Nicole em um bate-papo com o Série ao Fundo.

Reproução/Instagram

Reproução/Instagram

"Quando entrei para a Red Bull, eu já tinha um projeto que era pegar onda grande de stand-up. Falei para eles isso. Já tinha isso em mente: continuar no tour (de SUP) e pegar ondas grandes. Acabei indo para Jaws de stand up, fui a primeira mulher a surfar de SUP lá. Estava com esse foco, mas com standvup. Mas isso não é muito valorizado pela galera do big wave, eles não consideram muito", completou.

Se um pranchão com um remo não chamavam atenção suficiente nas ondas gigantes, Nicole acabou dançando com a música: deixou o SUP [um pouco] de lado e virou seu foco para as gunzeiras - e conseguiu ser notada.

"Fui para o Havaí com esse foco: 'vou me focar para tentar entrar no Big Wave Awards. Foi um ano que não deu muito swell, mas peguei uma boa em Waimea, uma de tow-in em Jaws e uma de stand up em Oahu, no meio do mar. Mandei para eles (WSL). Eles divulgaram e, depois, acabei entrando entre as finalistas. Foi uma realização muito grande conseguir isso já no primeiro ano em que decidi focar nisso. Não ganhei, mas fiquei em quarto. Com isso, fiquei esperando um chamado para o Mundial (BWT). Estava meio que subentendido que os finalistas entrariam no BWT. Estava certo que seria chamada, mas não rolou. Fui a única finalista a não ser chamada. Fiquei de alternate. Eles alegaram que mudaram o formato, fizeram só uma final de seis, no lugar das 12 do último ano", lamentou.

Como não existe um campeonato qualificatório para o Big Wave Tour, a única esperança de Nicole segue sendo o Big Wave Awards - a ideia é continuar atrás de ondas gigantes para ser notada pela WSL e, algum dia, conseguir o tão sonhado convite.

"É, vai ter que ser isso, mas esse ano já não entrei [no Big Wave Awards]. Pensei que ia entrar, peguei uma na remada em Nazaré (Portugal), foi bem grande... Tudo bem que só peguei essa onda e, para mulheres, é melhor performance. Então, se tivesse pegado outra, em outro lugar, teria entrado. Fiquei um pouco frustrada. Tem as meninas que estão lá há mais tempo, mas nenhuma tinha pegado onda na remada, com tamanho. Depois dessa onda, todo mundo veio me parabenizar. Mas acho que terei que fazer bem mais", disse.

Nicole sabe que, infelizmente, para entrar em uma competição deste nível, não basta apenas o desempenho dentro do mar. O histórico conta. E ela, com apenas 26 anos e recém-iniciada no circuito profissional de ondas gigantes, ainda precisa de algo a mais para tentar desbancar velhas conhecidas.

"Quero muito entrar. É bem difícil. Eu já vi muita gente que merecia estar ali, ter ganhado... Se você deixa na dúvida, se tá parecido com os mais conhecidos, eles colocam os caras... Já aconteceu até com o Chumbinho, ele era finalista junto comigo [do Big Wave Awards], estava muito na cara que ele ia ganhar e acabou em segundo. Por eu estar começando, tenho que fazer muito mais para ganhar meu espaço. Não posso ir lá e pegar uma onda parecida com a de uma menina que está há mais tempo, não tem como. Tenho que fazer dez vezes mais. Estou treinando bastante", concluiu.

Essas respostas fazem parte de um bate-papo que o SAF teve com Nicole Pacelli. Além do sonho em entrar para o Big Wave Awards, ela também comentou sobre o momento do surfe feminino no Brasil, seu início no SUP, sua evolução profissional, os próximos passos da carreira e os piores, e melhores, momentos dentro do mar.

A entrevista completa vai ao ar na semana que vem! Não percam!

Na Califa, Phil Rajzman se diz realizado e mostra interesse em BWT: "quem sabe"

Por Guilherme Dorini

Felicidade é uma marca registrada de Phil Rajzman. Na última semana, o surfista conversou com o Série ao Fundo por cerca de uma hora, e mostrou por que é considerado um cara alto astral por todos que o conhecem. Dono de dois títulos mundiais de longboard, Phil se sente realizado após uma longa carreira no surfe – principalmente quando olha para trás e vê por tudo que passou.

“É uma realização, um sentimento de plenitude. Passei por momentos de dificuldade, perdi patrocínio, dei a volta por cima, administrei tudo... É igual o mar, as ondas, acho que nossa vida é feita de altos e baixos. O mais importante foi acreditar nos meus sonhos. Que isso sirva de exemplo para todo mundo. Trabalho fácil não existe. Passei muito perrengue, tive que correr muito atrás... Mas prefiro que tenha sido dessa forma a ter trabalhado e ter ganhado muito dinheiro com uma coisa que eu não curtia fazer ou fazia por amor. A busca pelo que você realmente acredita, os ideias, é fundamental para você ser feliz. Eu me considero uma pessoa muito feliz”, disse Phil ao SAF.

Um dos grandes fatores para toda essa felicidade está na Califórnia, onde Phil mora atualmente (outro sonho realizado) e aproveita melhor seu tempo para evoluir no surfe clássico e trabalhar no desenvolvimento de equipamentos – outra paixão em sua vida.

Com sangue esportivo correndo nas veias – é filho de Bernard Rajzman e Michelle Wollens –, Phil recordou os primeiros passos da carreira, sua curta (e pressionada) experiência no vôlei e o desejo de, cada vez mais, se aventurar em ondas gigantes, demonstrando um interesse em, quem sabe um dia, participar do Big Wave Tour (Mundial de Ondas Gigantes).

Confira o bate-papo completo com Phil Razjman:

Série ao Fundo: Você veio de uma família de atletas, né? Como foi seu começou no esporte?

Phil Rajzman: Por ter nascido em família de atleta, sempre fui incentivado a praticar muitos esportes. Desde a escola, saía da aula e tinha uma atividade física. Meus pais deixavam eu escolher o que queria fazer, mas tinha que ficar pelo menos seis meses naquilo (risos). 'Até os 13, 14 anos, você pode fazer o que quiser. Mas, se quiser ser atleta, vai ter que começar escolher e focar', ouvia isso desde criança.

SAF: E a história no surfe?

PR: O surfe começou bem novo, como meu pai era do Rio de Janeiro também, tinha aquela cultura de praia, ele sempre teve muita intimidade com a praia, o mar... Começou a me levar novinho para dar os primeiros mergulhos, dali surgiu minha relação com o mar.

SAF: Rolou algum tipo de "pressão" para você seguir uma carreira no vôlei?

PR: Eu cheguei a jogar vôlei, lógico. Eu jogava na praia, para me divertir. Aí resolvi tentar ir jogar em algum clube. Comecei a ver que começava a juntar torcida atrás: 'jornada, jornada!'. (risos). Pensava: 'calma, deixa eu aprender dar manchete, toque para depois ir para o jornada' (risos). Existia uma pressão externa muito grande, era o oposto do que eu sentia quando estava dentro da água surfando: era uma paz, uma forma de meditar. Dentro da água era quando meus problemas se organizavam e meio que se resolviam. Me sentia em harmonia.

SAF: E quando você falou para seus pais que seguiria carreira no surfe? Como eles receberam isso?

Bernard e Phil Rajzman / Arquivo pessoal

Bernard e Phil Rajzman / Arquivo pessoal

PR: Fui acontecendo naturalmente. Meu primeiro patrocinador foi o Pepê, que meu pai frequentava sempre ali. Tinha seis anos, saía da água e podia comer um lanchão. Isso que me incentivava. Minha mãe ia de manhã, e meu pai a tarde. Então eu passava os dois períodos no mar. A partir daí, com sete anos, comecei na escolhinha do Rico, quando comecei a competir e ter experiência em campeonatos. Com 13 anos recebia a primeira proposta, de fato, de patrocínio. Então, a coisa meio que ficou mais séria. Meu pai falou: 'perdi meu pai nessa idade, precisa aprender a ser responsável. A partir de agora vai ter a oportunidade de receber um salário...' Era pouco, mas o suficiente para pagar as passagens de ônibus para a escola, as merendas... Foi bom, me ajudou a ter mais responsabilidade quando novo, me ensinou a juntar meu dinheiro - tanto para competir quanto para viajar.

SAF: Quando você viu que o caminho era seguir pelo longboard?

PR: Com 14 anos, mais ou menos, eu comecei a me divertir na competição mais pelo lado do longboard. Sempre curti surfar de longboard quando o mar estava pequeno. Teve uma competição de escolhinhas de surfe em Saquarema (RJ), o Rico ia ser um dos representantes e me convidou para ser o segundo da escola dele. Fiz final com ele, com outras lendas da época e isso me deu muito incentivo. A partir daí, o Rico me deu um longboard usado de presente e novas situações e desafios foram surgindo.

SAF: O longboard ainda precisa quebrar alguma barreira no cenário nacional?

PR: Acho que o surfe de pranchinha chegou no Brasil já como sendo o futuro do esporte. Mas quando você vai para o Havaí, Austrália, Califórnia, você vê que existe uma galera surfando de tudo quanto é jeito: bodyboard, de peito, longboard, pranchinha. Surfe é surfe. Não existe muito essa distinção, todo mundo se diverte. Na minha época, eu cheguei até a sofrer um pouco de preconceito, existia isso de 'longboard é coisa de velho, do passado, de quem está velho e cansado, quer chegar mais rápido na onda' (risos). E acho que era isso que me atraía mais para o longboard. Eu tinha esse desafio de mostrar para os meus amigos que longboard dava para ser radical, que foi quando fui campeão mundial (2007), era um surfe progressivo, eu puxava aéreos, manobras da pranchinha... Aí a situação inverteu, meus amigos que me zuavam começaram a me procurar para pedir pranchar usadas (risos).

SAF: Você foi campeão mundial há 11 anos. Te incomoda de alguma maneira ver o surfe explodindo no Brasil apenas após as conquistas na pranchinha?

PR: De jeito nenhum. Não me incomoda de forma alguma, muito pelo contrário. Acho muito positivo, torço muito para todos os brasileiros. O que eu mais quero é ver o surfe lá em cima. Acho que um sempre ajuda o outro. Meu segundo título mundial, em 2016, talvez não tivesse tido tanta repercussão se não tivesse tido os títulos do (Gabriel) Medina, do (Adriado de Souza) Mineirinho... Só fortalece o esporte.

SAF: Você foi campeão mundial em dois momentos totalmente diferentes se tratando de surfe no Brasil, principalmente sobre divulgação, espaço na mídia... Quais foram as principais diferenças?

PR: Hoje em dia tem a internet que facilita muito, redes sociais, informações chegam bem mais rápido. Mas, na época, a gente teve uma cobertura muito boa também. A grande diferença entre os dois títulos, foi o critério de julgamento utilizado pela WSL. Em 2007, ainda era ASP, tomando um rumo mais progressivo. E, quando a WSL entrou, eles colocaram novos critérios de julgamento, colocando o longboard mais no lado clássico, justamente para diferenciar a modalidade da pranchinha. Evitar um conflito de patrocinadores ou qualquer tipo de situação.

SAF: E como foi essa adaptação?

PR: Eu, como atleta, imediatamente entendi aquilo ali. Muitos atletas bateram de frente, reclamaram... Clássico e progressivo é a evolução natural do esporte, você tem equipamentos cada vez mais leves... Mas eu entendi o lado da WSL. Essas eram as regras da empresa, se você não quiser cumprir, vão te botar para fora. Apesar de não ser favorável para mim, procurei evoluir e modificar. Fui uma oportunidade para vir para a Califórnia e treinar isso. Foi uma motivação que faltava. Em 2014 já foi vice-campeão mundial já com esses novos critérios. Isso me deu ainda mais motivação. E foi quando sofri outro "preconceito" em 2016 (ano do título mundial), eles falavam: 'agora já era para o Phil, agora ele não tem mais chance, no surfe clássico ainda...'. E meu pai sempre falava que gostava da torcida contra, dava mais incentivo. Isso, no fundo, quem pensou dessa forma, mesmo inconsciente, me deu essa força. É um sentimento de plenitude.

SAF: E você ainda tem uma queda pelas ondas gigantes, né? Passa pela sua cabeça tentar aparecer em algum evento do Big Wave tour?

PR: O surfe de ondas grandes sempre foi uma coisa que eu gostei muito. Minhas primeiras experiências no Havaí foram quando eu vi onda grande de verdade na minha frente (risos). Sempre tive uma atração pelas ondas grandes. A adrenalina, velocidade, fator risco... Dentro do mar, você percebe que começa a se tornar um pouco menos agressivo o crowd, e sim amoroso. Todo mundo sorrindo... No fundo, todo mundo sabe de que depende de todo mundo ali. Acho isso muito interessante. O mar está gigante e tem alguém ali do lado para compartilhar, eu sei que eu posso contar com ele e ele sabe que pode contar comigo se alguma coisa acontecer. O que sempre coloquei em prioridade é questão da segurança. Sempre gostei de desafios, mas sempre pensei nas consequências. Atualmente, tenho cada vez mais buscado isso. Principalmente porque está dando visibilidade, está crescendo, que faço por amor. Tenho desenvolvido longboards para surfar essas ondas. Tem sido um desafio divertido. Ainda não sei quando vou conseguir fazer um surfe clássico em ondas gigantes, mas só de você estar sentado no canal, vendo aquelas montanhas... Me sinto atraído por isso. Quem sabe não pinta uma oportunidade de entrar no BWT também.

Phil Rajzman em Jaws / Crédito: Sigal Petersen

Phil Rajzman em Jaws / Crédito: Sigal Petersen

SAF: Você ressaltou sobre segurança. Onda gigante não é para qualquer um, né?

PR: Ali não tem marinheiro de primeira viagem, não tem ninguém se aventurando pela primeira vez para surfar. É muita experiência dentro da água. Só de estar presente você já aprende muito. Só por ver as atitudes das pessoas. E percebe também como até experientes tomam atitudes erradas, isso legal porque faz você colocar os pés no chão, para não deixar subir muito na cabeça e dropar qualquer onda. É realmente muito perigoso.

SAF: E sua mudança para a Califórnia foi por conta da proximidade de picos de ondas gigantes também?

PR: Em 2006, comecei a ser apoiado pela Hobie (Surfboards), é a primeira marca de surfe do mundo. Era um sonho ter o patrocínio e surfar com uma prancha da Hobie. Em 2006, eu tive essa oportunidade e eles começaram a me apoiar. Em 2007, fui campeão mundial com equipamentos deles e comecei a ter um apoio maior, como viagens para a Califórnia. Gosto muito de desenvolver equipamentos, entender como cada prancha funciona, como faço para mesclar pranchas... Isso foi me aproximando daqui. Meu objetivo de estar aqui agora é o desenvolvimento do surfe clássico e de equipamentos - além de estar perto do Havaí e Mavericks. E também teremos duas etapas de uma nova liga, que chama Surf Relik, em Malibu e Trestles. Então o fato de estar aqui facilita bastante, não temos um custo de viagens do Brasil para cá. Além das etapas da WSL, em Papua Nova Guiné e Taiwan. Aqui, é muito mais fácil de chegar nestes pontos, além dos custos serem muito mais baratos. Se você colocar no papel, vale muito mais a pena manter aqui. Oportunidade surgiu e está totalmente ligado com realizações dos meus sonhos.

Phil Rajzman sonha com longboard na Olimpíada: "questão de tempo"

Por Guilherme Dorini

WSL/Tim Hain

WSL/Tim Hain

O mais difícil já aconteceu: o surfe virou, de fato, um esporte olímpico. Mas existe alguma possibilidade da modalidade ir além na competição esportiva mais importante do mundo? Para Phil Rajzman, bicampeão mundial de longboard, sim. Para o brasileiro, é questão de tempo para os pranchões invadirem uma Olimpíada e consolidarem, de vez, o ótimo momento vivido pelo esporte na atualidade.

“O primeiro evento, em Tóquio, a gente sabe que só vai ter a pranchinha, mas a campanha das Olimpíadas da Califórnia, o pin (broche) da campanha era um longboard, uma prancha de surfe. É uma questão de tempo, um vai puxando o outro”, disse em uma conversa com o Série ao Fundo.

Quando perguntado se poderia se aproveitar de alguma maneira desta situação, mesmo já com 35 anos de idade, Phil foi direto.

“Não dá para prever o futuro. Posso dizer que eu amo o que eu faço. Se eu não estiver como atleta, certamente estarei em alguma parte, como técnico, algo nesse sentido. E, na pior das hipóteses, caso eu não esteja envolvido, eu vou estar lá na torcida, vibrando e esperando a medalha de ouro do Brasil”, respondeu esbanjando bom humor.

Essas respostas fazem parte de um bate-papo muito prazeroso que o SAF teve com o bicampeão mundial de longboard. Além do sonho em ver sua modalidade virar olímpica, Phil também comentou sobre o momento do surfe no Brasil, a evolução do esporte, seus novos projetos, a vida em Los Angeles e até mesmo sobre sua paixão por ondas gigantes, o que pode, inclusive, render novos desafios num futuro não tão distante.

A entrevista completa vai ao ar na semana que vem! Não percam!

Longboard, evolução e surfe feminino: um papo com Chloé Calmon

Por Guilherme Dorini

Você acha mais fácil surfar de longboard do que de pranchinha? Pergunte isso para uma menina de 12 anos tentando carregar um pranchão de três metros até dentro do mar. No entanto, por incrível que pareça, foi assim que começou uma longa paixão entre Chloé Calmon e a modalidade que pratica até hoje. A brasileira, que já foi duas vezes vice-campeã mundial na competição chancelada pela World Surf League (WSL), conversou com o Série ao Fundo sobre o início da carreira, surfe feminino, sua evolução e o tão sonhado título.

“Meu objetivo principal é ser campeã mundial. É onde eu coloco toda minha energia treinando e visualizando minha vitória. Sei que é uma coisa que vai vir no tempo certo. Já coloquei muita expectativa em cima disso e me frustrei bastante, embora fossem bons resultados. Já aprendi muita coisa, mas ainda tenho muito para melhorar. Vai ser uma coisa muito natural [ser campeã]. Já visualizei e imaginei várias vezes isso acontecendo”, disse ao SAF.

Reprodução / Instagram

Reprodução / Instagram

Aos 23 anos, Chloé é uma das caras do surfe feminino no Brasil. Além de ter uma evolução incrível na parte profissional ao longo dos últimos anos, ela ainda se destaca na televisão com programas sobre o esporte e é vista com ótimos olhos pelas (várias) marcas que a patrocinam. Quando perguntada sobre a situação atual do surfe feminino no país, ela rechaça qualquer tipo de estigma.

“Hoje em dia, as mulheres pararam de ficar batendo nessa mesma tecla de que 'o surfe feminino não tem apoio'. Isso é mentira. Você vê várias empresas grandes patrocinando atletas, o Circuito Brasileiro feminino com mais etapas do que o masculino, o que nunca aconteceu... Acho que as atletas já saíram desse momento de ficar reclamando e já estão vivendo uma fase muito melhor”, opinou.

Confira o bate-papo completo com Chloé Calmon:

Série ao Fundo: Como você começou no surfe?

Reprodução / Instagram

Reprodução / Instagram

Chloé Calmon: Ganhei minha primeira prancha com 10 anos, mas tenho foto de fralda em cima de um longboard do meu pai. Ele sempre me levava na praia, me colocava em cima da prancha, nas ondas... Não sei ao certo com quantos anos eu comecei, mas o marco foi quando ganhei minha primeira prancha e comecei a ir todo final de semana. Foi aí que, realmente, começou o meu contato com surfe direto. Fiz natação desde os dois anos de idade, então, sempre me senti muito a vontade na água. Me ajudou muito a entrar no surfe tão cedo.

SAF: E como parou no longboard?

CC: Comecei com um fun board, 6'0, que, para mim, na época, já era maior que eu. Dois anos depois, com 12 anos, eu peguei o longboard do meu pai emprestado em um dia que estava pequeno. E digo que foi amor à primeira onda. Nunca mais devolvi a prancha para ele. Realmente me apaixonei. Todos os meus amigos surfavam de pranchinha e falavam: 'longboard é coisa de velho, de pai'. Mas o que eu achava mais diferente era: como que eu, com 12 anos, conseguia controlar uma prancha de três metros? E como eu conseguia usar cada centímetro daquela prancha tão grande na onda. Para mim era o ballet do surfe, a coisa mais bonita e feminina que tinha de esporte. Mesmo com todas as dificuldades - a prancha não caber no meu braço, ser pesada... Meu pai levava até o pé da água, eu chamava ele para me ajudar quando ia sair... Esse desafio foi o que me manteve no longboard, era por ser mais difícil.

SAF: E ser profissional de pranchinha nunca passou pela sua cabeça?

CC: Eu nunca tive muito gosto pela pranchinha. Me apaixonei pelo longboard desde cedo e nunca tive vontade de seguir um outro lado. Até surfei de pranchinha quando era mais nova, mas o longboard para mim é o mais imprevisível, você nunca enjoa, cada dia pode surfar de um jeito diferente. Um dia você pode ser mais radical, no outro totalmente clássico... Você aproveita ondas de um palmo ou três metros. Algo que me adaptei muito rápido.

SAF: E quando começou de fato a competir?

CC: Comecei a competir com 12 anos mesmo. Meu pai me levava muito na Praia da Macumba, reduto de longboarders do Rio de Janeiro. Em uma dessas vezes, estava tendo uma etapa de um campeonato estadual de longboard. Entrei nessa primeira competição, não tinha mais vaga na feminina, entrei na iniciante masculina, passei duas baterias... Foi quando o bichinho mordeu e eu não queria mais fazer outra coisa. Me profissionalizei dois anos depois, quando eu ganhei o Circuito Petrobras, que era válido como o Brasileiro daquela época - tinha 14 anos. No ano seguinte, ganhei a vaga para competir no Mundial de Longboard, que, na época, era na França. Foi outro marco muito importante. Quando cheguei lá, eu vi que era onde eu queria estar, entre as melhores do mundo, ser uma delas. Sabia que teria que abrir mão de muita coisa, me dedicar, mas sabia também que estava sendo muito sortuda. Então, com 15 anos, foi um marco mesmo.

SAF: E de lá para cá sua história tem evoluído muito. Você foi duas vezes terceiro lugar no Mundial, duas vezes vice-campeã. Esse ano o título vem?

CC: Estou há nove anos no Circuito Mundial, a minha caminhada tem sido muito boa. Tenho aprendido muito a cada ano que passa. É uma caminhada longa. Antes de ser terceira colocada por dois anos, eu fui dois anos como nono lugar, um ano como quinto, dois como terceiro, dois como segundo e, claro, meu objetivo principal é ser campeã mundial. É onde eu coloco toda minha energia treinando e visualizando minha vitória. Sei que é uma coisa que vai vir no tempo certo. Já coloquei muita expectativa em cima disso e me frustrei bastante, embora fossem bons resultados. Já aprendi muita coisa, mas ainda tenho muito para melhorar. Vai ser uma coisa muito natural [ser campeã]. Já visualizei e imaginei várias vezes isso acontecendo.

Reprodução / Instagram

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SAF: De certa forma, acredita que essas frustrações foram boas para você?

CC: A cada ano eu me fortaleço ainda mais. Estou mais confiante. É longa [caminhada], mas crescente. Vejo algumas meninas que entram no circuito, em dois, três anos, ganham o título, se tornam estrelas da noite para o dia, mas, depois, não têm nenhum resultado forte, não tem consistência - se apaga de novo e não tem um bom resultado. Apesar de não conquistar o título ainda, tenho mantido uma sequência de resultados boa, fazendo pódio em todos os eventos... Isso me deixa cada vez mais perto do meu objetivo.

SAF: O Mundial é um tiro curto*, né? Disputar também a divisão de acesso te ajuda a manter um ritmo de competição?

CC: Fica difícil você treinar 12 meses e competir por cinco dias, uma semana. Tem muita pressão, expectativa... Se você comete algum erro, precisa esperar um ano de novo para colocar em prática o que aprendeu. Então, a forma que encontrei para me manter ativa, competindo, e encontrando o ponto de melhoria, é participando do qualificatório, o LQS (divisão de acesso do longboard mundial), que tem várias etapas ao longo do ano. Continuo em contato com as atletas, surfo ondas diferentes e mantenho um ritmo bom para chegar no Mundial.

*no último ano, a competição foi realizada em duas etapas. Nesta temporada, apenas uma etapa está confirmada até o momento.

Reprodução / Instagram

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SAF: E essa conta fecha? Consegue dinheiro suficiente para viajar para todas essas etapas?

CC: Sim. Hoje em dia, com todos os meus patrocínios, eu consigo viajar, participar dos eventos, fazer viagens de freesurf... Além disso, apresento alguns programas no Canal OFF. Isso tudo me dá uma base para eu viver uma vida de sonho, sempre atrás de novas ondas.

SAF: É notável a transformação que o surfe sofreu no Brasil após os títulos do Gabriel e do Adriano. Você também sentiu isso no surfe feminino?

CC: Acho que foi um divisor de águas muito grande no surfe brasileiro (os primeiros títulos mundiais - do Medina e do Mineiro). Hoje em dia, o surfe é muito popular e tomou um ar muito mais profissional. Antigamente, o surfista tinha a imagem de que não era atleta, era vagabundo, ficava na praia... Hoje em dia é visto como um atleta tão profissional quanto um jogador de futebol, de vôlei... Acho que nessa evolução também anda o surfe feminino. Nos últimos anos, tivemos a volta do cenário de competições no Brasil, você vê o nível aumentando, mulheres surfando tão bem ou até melhor que alguns homens. É uma caminhada lenta, mas crescente. Temos várias empresas apostando no surfe feminino, como a Neutrox, por exemplo, que patrocina a Silvana Lima, a Nicole Pacelli e eu, Eclowater, Roxy... Enfim, várias empresas grandes apostando no surfe feminino, apoiando atletas, revivendo o cenário de competição...

Reprodução / Instagram

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SAF: Incomoda o fato de o surfe feminino ainda ser relacionado diretamente com a aparência das surfistas?

CC: Minha maior preocupação é ser uma atleta de ponta completa, mas, hoje em dia, não adianta você só ter performance e bom resultado. O trabalho fora da água também é muito importante: o retorno que você dá para seus patrocinadores, o relacionamento com mídia, televisão, falar com jornalistas, mídias sociais... Uma surfista completa é aquela que consegue entregar o pacote completo: tanto dentro como fora da água. A marca te que patrocina quer vender, então ela precisa também da imagem, da propaganda... Às vezes isso vale até mais que o resultado... Meu foco sempre foi fazer os dois lados muito bem, mas sempre tendo em vista que quero ser notada por ser uma ótima surfista, não por ser uma modelo. Tenho os patrocínios que tenho hoje por participar do Circuito Mundial há nove anos, sou profissional há 13... É uma longa caminhada. Tem muita gente que diz: 'é porque apresenta programa no OFF, porque é bonitinha' [que tem patrocínios]. Mas é um trabalho que vem de vários anos.

SAF: Ainda rola muito preconceito? É difícil ser mulher surfista no Brasil?

CC: Acho que se falou sobre isso por muito tempo, mas sempre a [batendo na] mesma tecla, até ficou chato. Se você coloca na cabeça que é difícil ser mulher surfista no Brasil, vai ser assim para o resto da sua vida. Você precisa parar de se olhar como vítima, correr atrás de um melhor desempenho, seja em campeonatos, retorno melhor com patrocinadores, apresentado programa de televisão, sendo jornalista... O mais importante é você correr atrás e dar duro. Hoje em dia, as mulheres pararam de ficar batendo nessa mesma tecla de que 'o surfe feminino não tem apoio'. Isso é mentira. Você vê várias empresas grandes patrocinando atletas, o Circuito Brasileiro feminino com mais etapas do que o masculino, o que nunca aconteceu... Acho que as atletas já saíram desse momento de ficar reclamando e já estão vivendo uma fase muito melhor.

Campeão em Nazaré, Chumbo sonha com XXL e título mundial de ondas gigantes

WSL / ANTOINE JUSTES

WSL / ANTOINE JUSTES

Por Guilherme Dorini

“Expectativa baixa, objetivo alto e trabalho constante. Assim, a gente chega longe”. Esse é o ditado que guia a jovem, mas já muito bem sucedida, carreira de Lucas Chianca, o Chumbo, grande revelação brasileira no surfe de ondas gigantes. Treinado por Carlos Burle, o carioca de apenas 22 anos roubou a cena no começo deste ano ao faturar o Nazaré Challenge, última etapa do Mundial de Ondas Gigantes (BWT), e terminar a temporada na quinta posição geral.

Chumbo conversou com o Série ao Fundo para contar todos os detalhes de sua promissora carreira: desde os tempos em que trabalhava no Havaí para pagar suas viagens para Jaws, até o momento que se conectou com Burle e decidiu apostar todas as suas fichas no surfe de ondas gigantes – onde sonha se tornar campeão mundial.

“Eu tinha feito um ano todo de WQS, não tinha ido tão bem, estava meio sem ponto, mas tinha um dinheiro guardado. Foi quando o Burle me chamou para treinar em Nazaré. Foi aí que nos  conectamos, começamos a trabalhar, tivemos uma afinidade boa e começamos a ver que nosso trabalho estava dando certo. Queríamos entrar no tour (BWT), esse era nosso objetivo. Trabalhamos bastante de outubro até fevereiro, foi quando conseguimos pela Performance of the Year”, contou ao SAF.

Além do BWT, Lucas revelou que disputará algumas etapas da divisão de acesso do surfe mundial de pranchinha (WQS) e que está ansioso para a premiação do Big Wave Awards, que acontece neste mês. O brasileiro concorre com quatro ondas na categoria "Maior Onda na Remada" e uma na "Melhor Performance Masculina".

Confira o bate-papo na íntegra com Lucas “Chumbo” Chianca:

Série ao Fundo: Como foi seu começo no surfe?

Lucas Chianca: Eu comecei a surfar em Saquarema (RJ), com meu pai, quando eu tinha três anos de idade. Eu era bem molequinho, só por esporte mesmo. Foi uma coisa que foi crescendo, competindo no amador, até os 17 anos, quando virei profissional. Sempre fui pelo caminho do surfe de ondas pequenas, mas me destacava mais nos mares de ondas grandes. Quando eu fiz 18 anos, e tive aquela pequena independência dos pais, fui para Jaws (HAV) pela primeira vez... Foi aí que foi embalando. Depois dessa viagem eu comecei a gostar mais [de ondas gigantes].

SAF: A ideia inicial era de virar profissional na pranchinha, né? Como era isso na sua cabeça?

LC: A ideia inicial antes era disputar WQS, entrar para o WCT e ser campeão mundial. Só que eu sempre gostei mais de onda grande, tinha um apego maior quando o mar subia... Eu ficava mais confortável, mais atirado... E deu certo! Acho que agora mudei para o esporte certo. Nas ondas pequenas, quando o WQS estava com onda muito pequena, acabava me atrapalhado um pouquinho, não era meu forte... Tem aqueles "maroleiros ratos" sempre (risos).

SAF: O desgaste que é disputar o WQS, além da parte financeira, também pesou na sua decisão?

LC: Com certeza. Desde quando comecei o WQS, eu já não tinha patrocínio. Então, era sempre do meu bolso, meu pai me ajudando... Era muito difícil manter isso e dar uns tiros para Big Wave... Todo dinheiro que eu fazia no WQS, eu guardava e investia em uma trip de onda grande, que era o que eu gostava. Comecei a fazer vários WQS, fui melhorando, fiz um ano bom, lucrei um dinheirinho e fui para Mavericks (EUA). Lá eu me apaixonei de uma forma... Soube que queria aquilo para mim, mas não sabia qual era o caminho para entrar no Big Wave Tour, como fazer... Foi aí que meu tio, Marcos Monteiro, que me levou em Mavericks pela primeira vez, me conectou com o Carlos Burle, que é meu treinador agora. Trilhamos um caminho e deu um pouco certo.

SAF: E que ano foi essa "virada de chave"?

LC: Foi em outubro de 2016. Eu tinha feito um ano todo de WQS, não tinha ido tão bem, estava meio sem ponto, mas tinha um dinheiro guardado. Foi quando o Burle me chamou para treinar em Nazaré (Portugual). Meu tio não conseguiu ir junto dessa vez, mas eu fui com o Burle. Foi aí que conectamos, começamos a trabalhar, tivemos uma afinidade boa e começamos a ver que nosso trabalho estava dando certo. Queríamos entrar no tour [de big wave], esse era nosso objetivo. Trabalhamos bastante de outubro até fevereiro, foi quando conseguimos entrar no Big Wave World Tour pela Performance of the Year.

SAF: E você lembra como foram as primeiras experiências em ondas grandes?

LC: Na verdade, eu sempre gostei muito. Desde moleque eu ia para o Havaí, com 14 anos, já surfava Waimea grande, 18 pés, 20 pés... Sempre quis ir para Jaws. No primeiro ano, meu pai não tinha deixado, no segundo não deixou de novo... Aí no terceiro ano, eu já tinha 18 anos, trabalhei no Havaí, comprei minha primeira passagem para Jaws e fui ver a realidade, né? Waimea é uma onda bizarra, mas não é igual Jaws, Mavericks, Nazaré, Puerto Escondido... Essas ondas que são power. Waimea é mais soft assim, abraça a gente, é mais fácil. Na minha primeira vez em Jaws, já peguei um swell gigante, já consegui pegar algumas ondas e me dar bem no pico. Fiquei muito feliz, já me apaixonei pela parada. Dropar uma onda gigante foi a coisa mais feliz da minha vida. E queria repetir isso. Continuei trabalhando no Havaí, indo para Jaws em todo swell, com uma prancha só, e deu certo. Fiz a temporada, três Jaws... Levei até meu irmão nessa temporada, ele tinha 14 anos, pegou uma bomba também...

SAF: Você trabalhava com o que no Havaí para conseguir esse dinheiro?

LC: No Havaí, eu trabalhava de pedreiro, jardineiro e fazendo comida em um food truck. E aí, eu fiz uma grana, consegui juntar um dinheiro forte para viajar três vezes para Jaws, comprar duas pranchas...

SAF: E você ficou nessa por quanto tempo?

LC: Fiz quatro meses de trabalho.

SAF: Mas valeu a pena, né?

LC: Valeu, valeu muito a pena. Foi o pontapé.

SAF: E como é a vida de um big rider? Viver em torno de um swell...

LC: A vida de big rider não é fácil, né. É mais ou menos isso aí mesmo. A gente tem que estar 365 dias do ano pronto para, quando acontecer [um swell], estar 100% pronto para o que vier. Só sabemos dos swells uns cinco dias antes. Então, temos que ter a vida livre. Não posso marcar um eveto para daqui um mês, nunca sei se vou estar daqui um mês no Brasil, ou na Austrália... Nossa vida não é tão um mar de rosas que tudo mundo pensa. A gente viaja, vai para uns lugares irados, pega várias ondas, mas temos que estar prontos para viajar em qualquer momento e circunstância - dormindo em aeroporto, fazendo escalas gigantes... Temos que chegar naquela hora, naquele momento e pegar a hora boa do mar.

SAF: Já deve ter rolado várias frustrações também...

LC: Isso é uma coisa que temos que estar dispostos, pode acontecer. Sempre muda um pouquinho, o vento sempre muda, o swell muda, aumenta, diminui... É a mãe natureza, ela que manda, temos que estar sempre abertos para o que ela vai entregar para a gente.

SAF: Vamos falar da parte financeira. A conta está fechando?

LC: A conta ainda não fecha, a gente investe mais do que ganha, mas é meu sonho, o esporte que amo, meu trabalho. Vou continuar investindo, tenho recebido uns bons frutos... Deu para dar uma respirada depois que ganhei o Nazaré Challenge, para começar esse ano... Se não fosse isso, a gente ia fechar a conta no negativo total esse último ano.

SAF: O apoio é diferente para quem está no big wave ou na pranchinha?

LC: Na verdade, é o mesmo apoio, estou aberto aos patrocínios, tenho dois que me ajudam muito, que é a Blu-X e o Spoleto, que são os que me ajudam financeiramente. Também tenho outros co-patrocínios. Spoleto bancou meu tour esse último ano, a Blu-X estamos em uma campanha com eles, temos trabalho legal juntos... Mas as marcas em si não estão muito felizes com a economia e não sei por que não estão patrocinando a gente, mas vamos esperar, vai que uma hora da certo.

SAF: E vencer a etapa em Nazaré foi o auge...

LC: Pô, Nazaré foi incrível, parece que nem aconteceu. Foi um sonho realizado. Foi muito trabalho. Eu e o Burle trabalhamos muito para isso, investimos pesado, queríamos muito que isso acontecesse. No ano passado, tive minha lesão no início, que foi uma coisa que me bloqueou bastante. Quebrei o perônio e rompi dois ligamentos do tornozelo... Fiquei quatro meses em reabilitação, mas depois de dois meses já estava de pé, surfando de novo... Meu objetivo já era ser campeão mundial, bater de frente no tour, conseguir um espaço lá dentro... Mas Deus sabe o que faz, ele que escolhe. Foi bom para mim [a lesão], um aprendizado e amadurecimento gigante para mim. Passei por cima com tudo. Perdi a etapa de Puerto Escondido, que era a etapa que eu sonhava em competir, e talvez esse ano nem role, mas fui com tudo para as outras etapas. A primeira etapa foi em Jaws, tive um desempenho muito bom, mas calhei de cair em uma superheat, a segunda semifinal, só com notas altas, fiquei em quinto e terminei em 9º no geral. Estava treinando muito, queria minha reclassificação para o BWT, precisava de uma final e deu certo. Fui para Nazaré com sangue no olhos, já tinha gastado quatro vezes em Nazaré, estava pronto, sabia tudo que ia acontecer naquele evento. Cheguei muito bem, com o Burle, foi um sucesso, estava confortável e seguro para tudo que viesse. Acho que ganhei por isso. Tive muita ajuda de todo mundo para realizar meu sonho e consegui colocar o Brasil de novo no lugar mais alto do pódio.

SAF: E depois ainda teve o Capítulo Perfeito...

LC: No Capítulo Perfeito, mais uma vez a minha experiência ali em Nazaré me deixou muito a vontade. Muito tempo que eu não encostava na prancha pequena, só surfando de gunzeira, de prancha de town in... Quando encostei, foi dois dias antes do evento para treinar. Consegui colocar a prancha no pé, me entender... Nazaré conheço bastante aquela onda, consegui me posicionar no campeonato inteiro... Que pena que não ganhei, estava com tudo para ganhar, só não consegui achar as ondas ali no final, mar já estava bem ruim. Tudo que eu colhi esse ano foi muito bom, estou muito grato. Espero que logo mais apareça alguma marca para me patrocinar.

SAF: Nós vimos você atacando as ondas em Nazaré. Já é uma evolução no Big Wave?

LC: Acho que a nova geração tem vindo com uma cabeça um pouco diferente. Como batemos muito de frente no WQS, competição, a molecada treinando muito para ser WCT... Quando descobre a paixão pelas ondas gigantes, acabamos atuando diferente. Acho que a "velha geração" - eles são novos ainda e botam para fuder com a gente ainda -, abriram as portas, mas hoje estamos chegando com outra pegada, outra performance, outra visão da onda. Não queremos só sobreviver na onda, queremos performar e conseguir fazer o nosso melhor na onda, né?

SAF: E como é o relacionamento com o Burle?

LC: Eu dou graças a Deus por ter o Burle do meu lado. Acho que foi essencial, um ponto alto na minha carreira. Com ele, trabalhamos minha cabeça melhor para competir nas ondas gigantes, me adaptar ao novo mundo das ondas gigantes. Eu falo que ele é a experiência e eu sou o talento e o cavalo. Ele coloca a rédea e o cavalo está dando certo, é um cavalo de raça, que é só adestrar e colocar certinho. Ele é como se fosse uma família para mim. Agradeço ao meu tio Marquinhos, que foi quem nos conectou. O Burle mudou minha cabeça, minha vida. Não só a minha, mas da minha família. Pensamos diferente. Foi muito importante na minha vida. Não só conhecer ele, mas trabalhar com ele. É incrível. É uma gratidão eterna.

SAF: E quais são os planos e objetivos para o futuro?

LC: Se a gente for falar de futuro próximo, estou indo para o XXL em abril, dia 24 é a festa, tenho muitas ondas concorrendo, conto com a torcida de todo mundo. É difícil ganhar, mas estamos bem, concorrendo com ondas muito boas. Futuramente, é continuar trabalhando, produzindo conteúdo, esperando os eventos de onda grandes, esperando as ondulações chegarem a algum lugar do mundo para ir atrás delas. Esse ano vou correr alguns WQSs também, vou tentar investir para não ficar muito parado, manter um ritmo de competição. Essas são minhas metas. Quero muito levar o Brasil para o pódio, ser campeão mundial e espero que isso seja breve.

SAF: E disputar o WQS é só para manter o ritmo mesmo?

LC: Acho que é só para manter um ritmo de competição, uma estratégia minha, não conta para ninguém (risos). [É bom para] manter aquele ritmo, aquele surfe afiado e aquela adrenalina da competição sempre em dia, sabe? Aquele milésimo de segundo que você pensa rápido na competição muda tudo.

SAF: Mas ainda existe a chance de mudar sua cabeça e tentar entrar para o WCT?

LC: Isso é uma ideia longe, nem passa pela minha cabeça agora. Vou competir WQS, se eu passar baterias, vou fazer pontos, se ganhar muitos pontos, vou classificar para os Primes... Quero escolher bastante as etapas que quero competir, para ir em ondas boas, que consiga surfar melhor. Então, não vai ser um investimento total, full time, no WQS, mas vou dar os tiros certos nas etapas boas para tentar resultados bons. E, talvez, algum dia, se eu entrar no Prime, acho que podemos pensar mais no WCT. Mas seu sonho sempre foi ser campeão mundial e é cada vez maior na disputa de ondas grandes, é o que mais amo na vida nesse momento, eu acho.