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Vitórias não são o suficiente: o que Italo precisa para ser campeão mundial?

Reprodução / Instagram

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Por Guilherme Dorini

Italo Ferreira mostrou por que é considerado um dos melhores surfistas do mundo. Logo na primeira etapa do ano, não só levou o caneco na Gold Coast, como também ficou com o título do campeonato de aéreos organizado pela Red Bull. Novo dono da lycra amarela, ele já é apontado como um dos favoritos ao título do WCT deste ano, mas ele precisa de mais do que vitórias para confirmar esse rótulo: regularidade, grande vilã do ano passado.

É claro que vencer etapas é fundamental para ser campeão mundial, mas a regularidade ao longo de toda temporada é tão importante quanto. E Italo é o próprio exemplo disto.

Na temporada passada, o surfista potiguar faturou três das 11 etapas do Circuito Mundial de Surfe. Brilhou na tradicionalíssima competição em Bells Beach, quando, ainda de quebra, frustrou a aposentadoria de Mick Fanning, seu adversário na decisão, faturou Keramas, em Bali, na Indonésia, e Peniche, em Portugal.

Seu número de vitórias foi exatamente o mesmo de Gabriel Medina (Teahupoo, Rancho e Havaí), mas amargou apenas a quarta colocação geral no Tour, e aí vem o mais curioso, atrás de Julian Wilson (2º) e Filipe Toledo (3º), ambos com menos vitórias que o brasileiro. O australiano venceu duas (Gold Coast e França), mesmo número do compatriota (Rio e J-Bay).

A grande diferenca está na regularidade. Apesar de três ótimos resultados, Italo não conseguiu repetir a mesma constância no restante da temporada. Fez um 5º em Teahupoo e só. Acumulou seis 13º lugar (Gold Coast, Rio, Uluwatu, Racho, França e Pipe) e um 25º (J-Bay). No último ano, até explicamos que a WSL havia valorizado seus campeões, mas que nem isso ajudou o potiguar.

Essa situação, no entanto, não é exclusiva de Italo. Outro brasileiro já viu o título escapar de suas mãos por conta da irregularidade. Em 2015, Filipe Toledo também acumulou incríveis três vitórias durante a temporada (Gold Coast, Rio e Portugal), mas ficou atrás de Medina (3º, com apenas um título), Fanning (2º, com dois) e do campeão Adriano de Souza, que foi campeão vencendo “apenas” Bells e Pipe.

Surfe, Italo tem de sobra. E já provou isso inúmeras vezes. Ele já sabe o caminho das vitórias, falta apenas acertar na regularidade para ter uma temporada inesquecível.

WSL valorizou campeões, mas irregularidade tirou Italo do Mundial

Por Guilherme Dorini

Reprodução/Instagram

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Você pode até estranhar. Como assim o Italo Ferreira é o maior campeão da temporada e não estará na disputa do título mundial no Havaí? Realmente soa estranho, incomoda, mas é a mais pura verdade. Apesar de ser o maior vencedor de etapas do ano - subiu três vezes no lugar mais alto do pódio -, o brasileiro não tem mais chance de conquistar seu primeiro título mundial. E olha que a World Surf League até tentou ajudar...

Explicamos. Até a temporada passada, a pontuação funcionava da seguinte forma:

1º - 10.000
2º - 8.000
3º - 6.500
5º - 5.200
9º - 4.000
13º - 1.750
25º - 500

Para 2018, a WSL mudou realizou mudanças sutis:

1º - 10.000
2º - 7.800
3º - 6.085
5º - 4.745
9º - 3.700
13º - 1.665
25º - 420

A única pontuação que se manteve igual a da temporada passada foi a do primeiro lugar, ou seja, mesmo que tenham sido pequenas as mudanças, a intenção sempre foi beneficiar os campeões das etapas, para que isso pudesse ser ainda mais decisivo na disputa do título mundial. Mas, pelo menos até agora, não foi.

Com duas vitórias cada, Filipe Toledo (Rio e J-Bay), Julian Wilson (Gold Coast e França) e Gabriel Medina (Taiti e Surf Ranch) são os únicos com chances de conquistarem o Mundial em Pipeline, no Havaí. Italo, por mais que tenha vencido uma vez a mais que os três - faturou Bells Beach, Bali e Portugal - já está fora.

WSL

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Vencer três vezes no mesmo ano é espetacular e diz muito do que podemos esperar do surfista potiguar, mas é necessário mais regularidade. Além das três primeiras colocações, Italo só conseguiu somar mais uma boa posição, um quinto no Taiti. Nas outras seis etapas, foi cinco vezes 13º (Gold, Rio, Uluwatu, Ranch e França) e uma vez 25º (J-Bay, seu primeiro descarte).

DÉJÀ VU?

Kelly Cestari/WSL

Kelly Cestari/WSL

E essa situação não é novidade para um brasileiro. O último atleta a conseguir tal "proeza" foi justamente Filipe Toledo. Em 2015, o surfista de Ubatuba havia, assim como Italo, faturado três etapas (Gold Coast, Rio e Portugal), mas também foi atrapalhado pela falta de regularidade na temporada. Mesmo com os três troféus, terminou o ano apenas na quarta posição da classificação geral, atrás de Gabriel Medina, que só havia conquistado um título, Mick Fanning, que levou dois, e Adriano de Souza, que acabou se tornando campeão mundial com apenas duas vitórias (Margaret e Pipeline).