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Yuri Soledade analisa evolução do big wave e projeta: "brasileiros vão dominar"

Gary Peterson / Facebook

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Por Guilherme Dorini

Vencedor do XXL em 2016 e um dos responsáveis por estender os limites da remada na famosa onda de Jaws: Yuri Soledade é, sem dúvida, um dos maiores nomes da história do surfe em ondas gigantes. Baiano radicado no Havaí, o surfista faz parte dos Mad Dogs, apelido que ganhou, ao lado de Danilo Couto e Márcio Freire, justamente pela forma como encarava as temidas ondas de Jaws, localizada na pequena ilha de Maui, casa do brasileiro desde 1994.

Em um bate-papo com o Série ao Fundo, Yuri analisou a evolução do surfe em ondas gigantes nos últimos 20 anos, desde os equipamentos utilizados até a maneira como os surfistas se comportam após o drop no paredão de água, e projetou: a nova geração brasileira vai dominar o esporte nos próximos anos.

“Acho que essa galera da nova geração é quem vai ter destaque no futuro. Acho que já está rolando uma troca de gerações, e vejo o Brasil se posicionando muito bem. No futuro, não será apenas no WCT (Circuito Mundial de Surfe), com a galera do Brazilian Storm, mas acho que também no Big Wave Tour (BWT). Fico até com pena dos gringos, porque vai ter um ou outro ali... Os brasileiros vão dominar”, cravou ao SAF.

Além do seu talento dentro do mar, Yuri também é um empresário de mãos cheias. O brasileiro é dono, ao lado de uma sócia, de cinco restaurantes em Maui – já planejando a abertura de um novo em Oahu, o primeiro na outra ilha. Ele ainda é casado com Maria, com quem tem três filhos: Kaipo, do primeiro casamento da esposa, mas que cresceu com Yuri desde os oito meses de vida e que faz sua segurança no mar, Kiara e Koa.

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Confira na íntegra o bate-papo com Yuri Soledade:

Série ao Fundo: Há dois anos, em uma conversa que tivemos, você apostava que o momento dos brasileiros em ondas gigantes chegaria. Hoje, podemos dizer que esse tão sonhado momento chegou?

Yuri Soledade: Eu acho que sim. Acho que finalmente o big wave está tendo seu espaço devido - não só na mídia especializada, mas também na mídia geral. O Chumbinho (Lucas Chianca) liderando essa galera, tem o (Pedro) Calado e vários outros que estão por vir, como o Kona, para mim tem um talento imenso, o Lapinho (Coutinho)...

SAF: E quais são as principais diferenças da sua geração para essa nova que está chegando?

YS: Na nossa época não existia um caminho traçado, né? Tivemos que lutar, desbravar, descobrir como funcionavam as coisas, principalmente o perigo de se machucar, de até morrer mesmo, que era muito maior. Não existia um caminho, um limite para o tamanho das ondas. Os equipamentos eram totalmente defasados... A galera vinha mesmo no intuito, na paixão, na vontade de botar para baixo, ser um Mad Dog: ir lá e tentar na cara e na coragem. Já essa nova geração, não. Eu senti no Chumbinho: chegou com muita sede, muita vontade e, graças ao (Carlos) Burle, conseguiu manter um foco. O esporte pode machucar muito e ele sofreu com isso neste ano. Se não tivesse machucado, poderia até ter sido campeão mundial já neste ano. A vontade de ir lá e botar para baixo, querer estar em todo swell, virar nas maiores ondas... É uma coisa do brasileiro: aquela raça, vontade de mostrar... Vem muito do coração. Desde criança você sabe quem vai ser um big rider ou não.

SAF: O cenário é mais favorável hoje em dia?

YS: Eu acho que, hoje em dia, os equipamentos, a mídia, tudo dá um apoio muito maior. É muito mais fácil o cara ter condições de viajar, estar em todo swell. Para nós, naquela época eu nem imaginava... Naquela época, ter um Jet ski, era como se o cara me falasse hoje que eu teria um jato particular. Era totalmente fora da nossa realidade. Hoje em dia você já vê os atletas, como o Chumbinho, viajando, passando temporada em Portugal, vindo para Mavericks (EUA), Maui (HAW)... Às vezes, em uma semana, o cara está em três lugares. Naquela época nós não tínhamos dinheiro nem para comer, quem dirá viajar. Isso está ajudando e diminuindo o tempo de evolução. Com 20 e poucos anos, já tem anos de experiência, surfando os maiores mares do planeta. Isso faz com que a evolução seja muito mais rápida e que ele possa se sentir confortável em qualquer condição de mar.

SAF: Aproveitar melhor as ondas, e não apenas sobreviver nelas, é o próximo passo da evolução do big wave?

YS: Acho que sim. O próximo passo das ondas gigantes era realmente poder surfar uma onda grande como se fosse uma pequena. E isso a gente vê na galera da nova geração. Acho que o Chumbinho, o próprio Kai Lenny, e vários outros, realmente assimilaram bem esse propósito e estão colocando em prática. Na nossa época, eu sempre usei isso como meu lema principal: usar a onda grande como se fosse uma onda pequena, mas a gente não tinha o total apoio, nem os equipamentos, nem as pranchas... Acho que esse é o futuro do big wave surfe.

SAF: Há dois anos, você ainda demonstrava um interesse muito grande em ser convidado para mais etapas do BWT. Como está isso?

YS: Eu sempre sonho em participar da etapa de Jaws. Por tudo que, não só eu, mas o Danilo (Couto) e o Márcio (Freire), fizemos aqui por esse esporte, acho que deveríamos ser chamados todos os anos. Mas entendo que, realmente, fica difícil. Fui convidado por dois anos seguidos, nos primeiros anos, esse último ano foi o Danilo chamado, e ainda espero ver o Márcio ali dentro do evento. Sempre sonhei em ser convidado para as outras etapas. Ano passado, pelo ranking do ano retrasado, acabei ficando como um dos primeiros alternates (substitutos). Acabou que era para eu ter ido para o México, e não rolou a vaga, era o segundo alternate de Jaws, um mexicano entrou, e eu não, e fui para Portugal. Lá, era o primeiro alternate, estava com a roupa de borracha, todo pronto, vendo se alguém faltava, mas não surgiu essa oportunidade. Faz parte, temos que entender que existe um número de vagas limitado, e que existem grandes atletas. Tive minha oportunidade. Se pintar, vou estar pronto, disposto, vou estar lá. Mas sei que existe essa nova geração, e também curto ficar do lado, ou trabalhando de técnico, como faço com o Kai Lenny, observando e vendo o que essa galera vai aprontar no futuro.

SAF: Seu filho (Kaipo) continua fazendo sua segurança na água?

YS: O Kaipo continua indo, mas nos últimos anos não tivemos grandes swells em Jaws. Tivemos aquele inverno do El Niño, de 2015 para 2016, e, desde aquela época, não tivemos grandes swells. Ele sempre me acompanha, e agora está montando touro, fazendo os dois esportes que ele mais curte: montar touro (e também é o segurança dos rodeios) e estar em Jaws salvando as pessoas com o jet ski. Ele achou as duas profissões dele, uma na terra e outra na água. Graças a Deus ele continua lá me ajudando e sempre lá para me salvar.

SAF: Imagino a situação da Maria, como mãe e esposa...

YS: Eu tenho a maior pena da minha esposa (risos). A Maria, coitada, não sei o que é pior: o marido que só anda se jogando nas ondas grandes, viajando, Portugal, Jaws... E o filho que agora piorou, agora é o ano inteiro, o marido era só durante o inverno. O filho, não, é quase toda semana - e volta todo quebrado: o touro pisa em cima, dá uma chifrada... Aí vai para Jaws, aquela adrenalina, não sabe se vai voltar... Realmente, eu dou o maior valor para minha esposa. Ela está de parabéns por segurar essa onda, não é uma onda que eu gostaria para ninguém.

SAF: Vocês está com 42 anos. Tem uma data, ou um limite, para encerrar a carreira profissional?

YS: Acho que o maior exemplo que eu tenho é o (Carlos) Burle. É um cara que saiu quando ele estava no topo, acho que tinha condições de disputar qualquer título em qualquer evento o mundo. Ele estava com 50 e saiu por cima. Então, não gosto de colocar datas e nem expectativas... Sempre falo para minha esposa e meus filhos: enquanto eu estiver lá, me divertindo e puxando os meus limites, eu quero estar lá. No dia que eu achar que não dá mais, sentir um medo que não dá para controlar, eu paro e vou entrar mais nos bastidores, tentar ajudar o esporte, que me deu tanto, a crescer mais.

SAF: Você ainda tem algum sonho para realizar?

YS: Acho que uma das minhas metas é poder pegar um swell épico em Nazaré. Fui lá algumas vezes, peguei umas ondas, mas ainda não foi a que eu gostaria. Acho que em Jaws já peguei a onda que sempre sonhei. Então, agora, minha meta é essa: passar um pouco mais de tempo em Portugal e, de repente, pegar uma bomba lá na remada ou mesmo em um dia gigante de tow-in, tentar fazer uma linha diferente. Vejo que a galera lá pega umas ondas grandes, mas ainda têm um pouquinho para evoluir nas linhas que você faz na onda. Não sei se vou conseguir, mas queria ir lá e fazer uma linha diferente - de tow-in ou uma bomba gigante na remada.

Soledade e Kai Lenny / Matt Brandt / Facebook

Soledade e Kai Lenny / Matt Brandt / Facebook

SAF: Deixando o surfe um pouco de lado, como estão os restaurantes e sua vida em Maui?

YS: Nesses últimos dois anos, por algum motivo, até por não ter dado essas ondas gigantes por aqui, eu acabei focando nos restaurantes. Sempre gosto de puxar os meus limites e, consequentemente, estou puxando nos negócios. Os restaurantes estão indo muito bem aqui. Estamos abrindo um novo em Waikiki, em Oahu. O mais novo que abrimos aqui virou marco em um ano e meio, está bombando. Graças a Deus as coisas vão bem. Ano passado recebemos o título de empresário do ano no estado do Havaí, eu com minha sócia. Começamos com um restaurante pequenininho, que tinha nove empregados. Agora estou com cinco, e quase 150 empregados. Nestes últimos dois anos houve uma evolução muito grande.

SAF: Ainda pensa em voltar para o Brasil?

YS: Bom, para morar, eu não sei. Meu sonho, desde que eu mudei para cá, com 18 anos, era sempre poder passar o inverno aqui e o inverno lá, sempre pegando as ondas grandes (risos). Então, se eu pudesse passar seis ou oito meses aqui e quatro lá, seria meu sonho de vida. Mas, com a família, os negócios evoluindo, vejo que esse sonho está cada vez mais difícil.

SAF: E você mantém ainda algum negócio no Brasil?

YS: Já tive bar, restaurantes, mas, ultimamente, resolvi focar só aqui. Estava um pouco focado, não só na minha carreira profissional do surfe, mas também nos restaurantes e acabei deixando um pouco de lado os negócios no Brasil. A única coisa que eu tenho lá, é o meu relacionamento com o meu patrocinador, a Mahalo, que é uma empresa que me apoia desde criança, desde os 12 anos de idade. Eles continuam crescendo bastante no Brasil, e eu gostaria muito de retribuir todo apoio que eles me deram todos esses anos. Se eu pudesse estar lá, junto com eles, dando uma força, seria algo que eu gostaria de fazer ainda na minha vida.

Promessa brasileira, Mateus Herdy foca no WQS e já traça planos por WCT

Por Guilherme Dorini

Considerado uma das maiores revelações dos últimos anos, Mateus Herdy chega com tudo para sua primeira temporada completa na divisão de acesso do surfe mundial (WQS). Com apenas 17 anos, o brasileiro de Florianópolis terá a oportunidade de disputar pela primeira vez as principais etapas do WQS, e já com um claro objetivo: entrar para o Circuito Mundial de Surfe (WCT) no máximo em 2020 – isso se já não conseguir uma vaga para o próximo ano.

Mateus Herdy / Foto: Divulgação

Mateus Herdy / Foto: Divulgação

Depois de participar as duas maiores etapas da perna australiana do WQS, em Newcastle e Sydney, ambas valendo 6 mil pontos, Herdy, que ainda estava na Oceania, conversou com o Série ao Fundo para falar um pouco da sua carreira, amadurecimento profissional e seus objetivos e metas para essa temporada.

“Minha meta é entrar, se não for esse ano, no ano que vem. Quero entrar o mais rápido que eu posso. E, quando entrar, não quero sair. Sou novo, meu corpo ainda está desenvolvendo, ainda estou crescendo... Já troquei uma ideia com a Quiksilver, que é meu parceiro novo, para fazer trips [viagens] para ganhar mais experiência. Se eu não entrar esse ano, será um ano de preparação, mais experiência e força. Se eu treinar e dar o meu melhor, acredito que tudo vai acontecer”, disse ao SAF.

Filho do big rider Alexandre Herdy e sobrinho do ex-top do WCT Guilherme Herdy, Mateus já está acostumado com competições, já que disputou sua primeira etapa do WQS com apenas 14 anos de idade. Para a sequência de sua carreira, seus principais investimentos vêm da Red Bull, patrocinador de bico da prancha e boné, e da Quiksilver, acordo recém-fechado para borda e roupas diárias.

Confira o bate-papo completo com Mateus Herdy:

Série ao Fundo: Você já vem de uma família de surfistas. Acredito que escolher por essa profissão foi um caminho natural para você. Como foi isso dentro da sua casa?

Mateus Herdy: Em casa foi muito tranquilo. Minha família sempre me apoiou bastante. E hoje em dia existe bem menos preconceito com surfistas do que tinha antigamente. Na escola, a maioria dos professores gostava bastante, nunca tive problema quanto a isso, apesar de alguns não entenderem muito bem por que eu faltava e uma galera ainda pensava que era só curtição... Mas nem se compara com a época em que meu tio competia... Hoje temos o OFF, o Série ao Fundo... A mídia está muito maior... Tem o Gabriel (Medina), que mostrou que o surfe não é esporte de vagabundo.

SAF: Você está só com 17 anos, mas já compete desde criança. Como foi conciliar a carreira com os estudos?

MH: Então, eu tive que largar a escola. Foi uma conversa que tive... A parte da família do meu pai, todo mundo é médico - foi bem difícil convencer eles. No Brasil, existe essa lei que não pode ter "home school", não posso fazer depois. Para eu começar a fazer o WQS, e ir atrás dos meus sonhos, tive que largar a escola. Com 18 anos, eu vou poder fazer um supletivo para terminar. Então, eu parei no segundo ano do ensino médio.

SAF: Sua trajetória no WQS começou muito cedo, né?

MH: Meu primeiro WQS (etapa) foi quando tinha 14 anos, na Argentina, fiz oitavas de final, não esperava, me dei muito bem, passei umas cinco baterias. Foi muito bom para o primeiro WQS. Depois, continuei nos amadores, fiz bons resultados nos Pro Juniors, e ano passado foi quando decidi começar mesmo. De 15 para 16 anos que comecei a focar... No meio do ano que consegui virar Prime – fui para Cascais, Triple Crown... Esse ano é, de fato, o primeiro ano que estou competindo ele inteiro. Com a pontuação adquirida, posso disputar todas as etapas que não pude competir no ano passado.

Mateus Herdy no QS de Mar Del Plata (ARG). / Foto: Beto Oviedo

Mateus Herdy no QS de Mar Del Plata (ARG). / Foto: Beto Oviedo

SAF: Quais são as principais dificuldades neste começo de WQS?

MH: A galera meio que reclama mais, mas eu, particularmente, não tenho problema com isso, que é o número de eventos. Estamos sempre viajando. Temos que ir para os eventos 3 mil, não são só os 6 mil ou 10 mil... Eu, que estou no início, estou atrás de milhas, eu ainda não tenho tantas quanto, por exemplo, o Thiago Camarão, que está competindo há tempos... Eles já viajam mais de primeira classe, e eu ainda no canil (risos), lá atrás... Pegar avião cansa, passar a noite em aeroporto... Essa viagem mesmo para a Austrália, fiz: Florianópolis, Rio de Janeiro, Miami, Los Angeles e Sydney. Cheguei completamente acabado, três dias de viagem... Você não come, não dorme bem... Gostaria mais se o WQS fosse dividido em pernas... Ano passado, por exemplo, fui para uma etapa no Japão, gastei a maior grana, perdi de cara e tive que voltar para casa. Poderia ser um pouquinho mais organizado.

SAF: Deve-se gastar muito dinheiro também. A conta fecha?

MH: Fechei com a Quiksilver de borda agora, meu patrocinador de roupas normais, e de bico fechei com a Red Bull, que também está no boné... Eu sou novo, tem bastante investimento em cima de mim... Eu estou bem, posso viajar, fazer o que quiser, a conta está fechando. Mas, no Brasil, na nossa idade, acho que só eu e o Samuel Pupo que temos essas condições. A realidade é que a maioria da galera está sofrendo para viajar três vezes no ano. Moleque da nossa idade, que já competiu e era para estar aqui competindo com a gente, não tem condições financeiras... E ainda tem uma galera do WQS que precisa ficar na casa de amigo...

SAF: Quem costuma te acompanhar nas viagens?

MH: Até o ano passado, eu viajei algumas vezes com o Ian Tavares, um amigo meu que filma e faz um bom trabalho. Mas a maior parte do ano eu viajei sozinho, totalmente sozinho... Ano passado eu gastei muito dinheiro na perna da Austrália, então, no resto do ano, tive que ir sozinho e guardar um pouco. Esse ano, fiz esses eventos aqui na Austrália com meu tio, Guilherme (Herdy), que tem bastante experiência... Até hoje, a maioria das viagens foi sozinho.

SAF: Quais são suas metas profissionais? Quando planeja entrar para o WCT?

MH: Eu tenho minhas metas, né? Acho que todo mundo tem... Eu quero muito entrar, acredito que vou entrar... Minha meta é entrar, se não for esse ano, no ano que vem. Quero entrar o mais rápido que eu posso, e, quando entrar, não quero sair. Sou novo, meu corpo ainda está desenvolvendo, ainda estou crescendo... Já troquei uma ideia com a Quiksilver, que é meu parceiro novo, para fazer trips para esses lugares tipo Fiji, Teahupoo, para ganhar mais experiência. Se eu não entrar esse ano, será um ano de preparação, mais experiência, força e para aprender ainda mais em lugares em que o Brasil não tem oportunidade de ter. Se eu treinar e der o meu melhor, acredito que tudo vai acontecer.

SAF: Para onde mais gostaria de ir?

MH: Eu quero ir para Fiji, Teahupoo... Quero ser o tipo de cara que é bom em tudo, quero ser o mais completo possível, sei que preciso melhorar, perder o medo de ondas gigantes, criar técnica em tubo para os dois lados... Quero muito ir para o México, que eu ainda não fui, é um sonho de criança ver aquelas direitas, ainda mais que sou regular. Tem muito lugar no mundo que eu acho que tem altas ondas e ainda não fui. Fui para a África do Sul, fiquei 45 dias lá, e não surfei J-Bay!

SAF: Você citou muitas ondas pesadas, tubulares... Acredita que é nessa característica que ainda precisa melhorar?

MH: Eu diria que sim. Lá em Floripa, temos tubos algumas vezes, mas não se compara com os havaianos (risos)... Particularmente, o que acho que falta no meu surfe, mas é mais questão de tempo, é o power, ganhar força, manobras que os juízes dão muita nota, e os tubos... O problema é que não temos tubo nenhum no WQS, sabe? Então, se falar para WQS, me falta o power, mas para WCT... Como é que vou ganhar do John John em Teahupoo se eu nunca fui para lá e se não entubo?

SAF: E das etapas do WQS? Ansioso para alguma em especial?

MH: Sri Lanka é uma onda que eles estão tentando, não é certo que vai rolar, mas dizem que é uma direita muito boa. E uma que não vejo a hora de ir é o US Open.

SAF: Além do seu tio e seu pai, quais são suas inspirações no surfe?

MH: Eu gosto muito de ver todos os surfistas que são completos. Para mim, um cara que é muito completo é o Julian Wilson, que sempre cito... Ele surfe de backside, frontside, da aéreo, surfa muito de borda, pega tubo para os dois lados. É muito completo em relação ao surfe, talvez não tão competitivo quanto o Gabriel (Medina) e o John (John Florence), mas ele é muito completo. Tem também o Gabriel e o John John... São esses caras que estou acompanhando bastante.

SAF: E daqueles que ainda estão brigando por um espaço?

MH: Vitinho Bernardo está sempre provando, o Deivid (Silva), que ganhou aqui agora, é um cara muito completo, você vê ele em umas condições... Jogando muita água, fora do normal. Tem o Samuel (Pupo), sem comentários, surfa muito. Tem o João Chumbinho. Tem um cara que está vindo do Brasil que acho que vai destruir todo mundo é o Eduardo Motta, fiz a trip com ele para Mentawai... Entre os mais novos, ele destruiu: pega tubo, quebra, já falei para ele vir para o WQS. Tem muita gente na verdade, os brasileiros surfam muito. Todos são meus parceiros. O Yago (Dora) já é WCT, né? Mas é impossível não falar dele. Toda vez que eu estou surfando, e estou rendendo, eu penso: 'o Yago teria feito o dobro disso'. Toda vez que viajei com ele, ele rende, não cai [de rendimento] nunca.