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Técnico de futebol e apaixonado por surfe, brasileiro auxilia surfistas no US Open

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Daniel Musatti mora há mais de 10 anos na Califórnia (EUA) e trabalha nas categoria de base do clube de futebol FC Golden State. Porém, ele também é um amante do surfe e vem auxiliando surfistas de alto rendimento.

Musatti já trabalhou com surfistas costarriquenhos e peruanos e deu suporte para Tomas Tudela e Jhonny Guerrero, ambos do Peru, na disputa dos US Open nesta semana.

“O grande objetivo é superar as dificuldades que os surfistas de países que não são da Austrália e Estados Unidos têm em poder surfar constantemente as melhores ondas, sendo treinados pelos melhores treinadores. Eles aprendem diariamente e são inseridos no ambiente do melhor nível possível”, disse.

“Quando o surfista chega aqui, o nosso conceito é que ele se sinta em casa desde o aeroporto. É abrigá-lo aqui na Califórnia como se eles estivessem em casa e providenciar para ele a melhor qualidade de todos os serviços: a parte organizacional, o treinamento físico e funcional, uma dieta balanceada e o trabalho mental com a psicologia esportiva. E tudo isso na mesma casa onde ele fica”, acrescentou.

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Vale ressaltar que a função dele não é auxiliar em todos os fatores importantes que acontecem fora d’água.

“O conceito é trabalhar o aumento da performance do surfista através do suporte em todas as áreas necessárias, mas não a técnica. Não somos treinadores da parte técnica, e sim trabalhamos em conjunto com treinadores da parte técnica”, explicou.

O projeto começou no Havaí em 2015-16 como forma de teste. Agora, Daniel chegou ao modelo ideal para auxiliar os peruanos no US Open. Na sequência, ele também trabalhará durante a Tríplice Coroa, no Havaí, no fim do ano.

“Para surfistas de alguns países sem muita tradição, períodos de treinamento assim valem muito e fazem com que eles evoluam não só o surfe, como também o esporte nos países deles. Tudo leva à evolução do surfista, do esporte no país e gera a criação de eventos”, declarou Musatti.

Pela 1ª vez com o filho, Alejo quer repetir vitória no US Open por volta ao WCT

Por Guilherme Dorini

Alejo Muniz está cada vez mais próximo de voltar ao Circuito Mundial de Surfe (WCT). Depois de liderar boa parte da divisão de acesso (WQS), o argentino radicado no Brasil, mais especificamente em Santa Catarina, já conseguiu todos seus backups necessários no começo da temporada e agora depende, praticamente, de um ótimo resultado em uma das grandes etapas para carimbar de vez sua vaga na elite do próximo ano. E isso pode já acontecer nesta semana, quando o surfista participará do tradicional Vans US Open of Surfing, no qual já foi campeão. Para repetir a façanha, ele ainda terá um aditivo especial: pela primeira vez terá ao lado, em uma competição, Martín, seu filho recém-nascido.

Reprodução / Instagram

Reprodução / Instagram

"Meu filho nasceu em janeiro, foi a melhor sensação que já tive na vida. Estou muito feliz com isso, tenho aprendido muito, apesar de ele ter apenas seis meses. Quero tentar minha classificação por ele esse ano, como se fosse um presente para ele. Está sendo muito legal, estamos curtindo pra caramba", relatou Alejo em um bate-papo com o Série ao Fundo nesta semana, antes de revelar que essa também será a primeira viagem do pequeno Martín para assistir ao pai em uma etapa.

"Essa vai ser a primeira vez que a Amanda (esposa) e meu filho vão viajar comigo para um campeonato. Vai ser massa pra caramba! A Amanada já foi em alguns, mas, com ele, vai ser a primeira vez. Meu irmão [Santiago Muniz] também vai estar lá, que é quem sempre viaja comigo, como estamos correndo o WQS juntos há alguns anos. Vai ser muito massa", completou.

Reprodução / Instagram

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Apesar da felicidade estar completa pelo lado familiar, Alejo viveu um começo de ano conturbado na parte profissional. Após não conseguir a vaga para este ano, ele ainda anunciou em dezembro o fim de sua parceria com a Hurley/Nike, marcas que o patrocinaram durante sete anos. Mesmo sem patrocínio de bico, o brasileiro continuou na luta e viu a situação melhorar pouco a pouco - principalmente com ajuda de marcas "caseiras", de Santa Catarina.

"Ano passado encerrei meu contrato com a Hurley e a Nike, mas sou totalmente agradecido por tudo que eles fizeram por mim. Me apoiaram por sete anos, foram anos muito especiais. Comecei o ano sem patrocínio de bico, mas as coisas foram melhorando, acabei fechando com a Di Colore, cosméticos, aqui de Santa Catarina. Me ajudaram muito para as viagens, para a Austrália. Agora, antes de Ballito, apareceu a Vida Marinha, que é meu patrocínio de bico - uma empresa catarinense também, com história no mercado do surfe. Muito feliz por representar eles e ter um patrocínio de Santa Catarina para me ajudar a competir. Também tenho a Dragon, de óculos, há mais de seis anos, e a Nosso Lar, uma construtura com um time muito grande de surfistas", disse. 

TOM BENNETT / WSL

TOM BENNETT / WSL

Com um bom desempenho no começo do ano, principalmente com a final no Vissla Sydney Surf Pro, Alejo conquistou pontos importantes, assegurando um quarto lugar no ranking geral do WQS - os dez primeiros garantem vaga no WCT. Os resultados servem como bons backups, fazendo com que o brasileiro precise de uma boa performance em um Prime para, praticamente, decretar seu retorno à elite. 

"Estou em quarto, liderei grande parte do circuito, mas ainda não tinha rolado nenhuma etapa Prime. A galera costuma dizer que [o WQS] começa depois de Ballito. Consegui bons resultados no começo do ano, que foram importantes, principalmente a final na Austrália. Hoje, é como se eu já tivesse todos os meus backups, prontos, agora eu preciso buscar um resultado grande em um Prime para me colocar em uma posição muito boa. Se ganhar um Prime, já praticamente me garante ano que vem", analisou.

Alejo foi campeão do US Open em 2013 / WSL

Alejo foi campeão do US Open em 2013 / WSL

"Os Primes são os mais importantes do ano. São os eventos onde você tem que passar menos baterias para alcançar uma maior quantidade de pontos. Para um cara fazer a mesma pontuação que fiz na Austrália, por exemplo, que são os quatro mil pontos, ele precisa de um nono lugar, eu precisei chegar até a final. Tem muita diferença de um Prime para um seis mil, que já é uma etapa muito importante", explicou Alejo, antes de falar sobre sua expectativa para o US Open, que tem janela de competição aberta a partir da próxima segunda-feira (30).

"Expectativa para o US Open é muito grande. Estou me sentindo bem, já venci no passado, vou com a minha família... Tem tudo para dar certo. Preciso até tomar cuidado para não criar muita expectativa, manter os pés no chão e fazer o meu melhor", concluiu o surfista, que já foi campeão desta mesma etapa em 2013, quando bateu na final o dono da casa Kolohe Andino.