Série ao Fundo

Do outside para o inside da sua casa

DROP CERTO! PIPELINE CHAMA...

A cada etapa que chega, os fãs de surfe entram na mesma discussão: Quem vai se dar bem nesse evento? Quem eu coloco nos meus palpites? O Série ao Fundo apresenta uma lista com os surfistas que têm tudo para quebrar no Havaí e fazer você quebrar nas suas apostas. Este é o Drop Certo!

:: PIPELINE ::

O palco da última etapa do Mundial é a mais aguardada por todos que amam o surfe. Aguardada e temida, por conta dos afiados corais logo abaixo da superfície da água. As ondas que quebram pra direita são chamadas de Pipeline, enquanto as esquerdas são denominadas Backdoor. A formação do pico proporciona rápidos e perfeitos tubos para os dois lados. Mas nos últimos anos também vimos mares pequenos e até os aéreos chegaram a ser considerados quando as condições não estavam boas. Mas são os tubos que interessam para arrancar boas notas dos juízes.

Todos os olhos estarão voltados para a briga pelo título mundial entre John John Florence, Gabriel Medina, Jordy Smith e Julian Wilson. Entre eles, o brasileiro é o único que chegou a duas finais, em 2014 e 2015, além de também ter feito um 5º e um 9º. Correndo em casa, John John tem o vice de 2013 como melhor resultado em seu quintal. Em três oportunidades, JJ parou nas quartas. O restrospecto de Jordy não é dos melhores e o 5º lugar do ano passado é sua melhor marca. Precisando de uma grande combinação para conquistar o mundial, Julian venceu em Pipe em 2014, batendo justamente Medina em uma polêmica final.

7 motivos para acreditar em Kelly: 1992, 1994, 1995, 1996, 1999, 2008 e 2013 (foto)

7 motivos para acreditar em Kelly: 1992, 1994, 1995, 1996, 1999, 2008 e 2013 (foto)

O maior vencedor do Pipe Masters é Kelly Slater com 7 títulos, sendo o primeiro em 1992 e o último em 2013. O "Mestre dos Magos" está de volta ao tour depois de quebrar o pé e ficar fora de quatro etapas. Não é preciso dizer que nunca se deve duvidar dos poderes de Kelly.

Dois australianos mais do que experientes que também conhecem bem o pico são Josh Kerr e Mick Fanning. Josh foi vice em 2012 e nos últimos três anos foi 3º, 5º e 5º. Mick tem no currículo a final de 2005, além de duas semifinais em 2013 e 2015.

Ele já comemorou 3 títulos mundiais na Rainha dos Mares. Será que vale a aposta? 

Ele já comemorou 3 títulos mundiais na Rainha dos Mares. Será que vale a aposta? 

Entre os brasileiros, Adriano de Souza é o único a ter vencido no Havaí, justamente em 2015, ano em que conquistou seu título mundial.

Em franca evolução em ondas mais pesadas, Filipe Toledo foi 5º em 2014 e 9º na última temporada. Miguel Pupo não foi bem nos últimos três eventos em Pipeline, mas fez um 5º em 2012 e um 9º no ano seguinte. Nenhum dos outros integrantes da Tempestade Brasileira passaram do Round 3.

Você apostaria nesses homens? Em uma final? Em Pipeline? 2016 foi só surpresa no Havaí

No ano passado, com o campeonato já decidido, Michel Bourez bateu Kanoa Igarashi na final. Entre os outros surfistas da atualidade, Joel Parkinson venceu em 2012, Jeremy Flores em 2010.

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 ZEBRA

Bede Durbidge venceu em 2007.

Sua última etapa antes de guardar a lycra, o simpático australiano é a zebra que o Série ao Fundo aponta para se despedir em grande estilo

#GoBede

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.

 

VIDA E MORTE EM PIPELINE

"Primeiro, o intimida (…) Então você encontra algumas maneiras para tentar. Aí você descobre e cresce com o orgulho que vem com isso. Então você fica com fome por isso”
Kelly Slater sobre Pipeline

Sim, o maior vencedor do PipeMasters de todos os tempos também sente medo daquilo que eu, você e todo mundo acredita ser a mais perfeita das ondas. O que pouca gente sabe é que ela é mortal.

Pipe, quando quebra clássica, tem 12 a 15 pés, o que significa que a sua força está sob uma crista com mais de quatro metros. É impossível mensurar, mas tente pensar nesse volume de água quebrando em uma bancada com, aproximadamente, UM METRO de profundidade. 

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:::OS TRÊS REEFS:::

O fundo raso se explica pela formação vulcânica do arquipélago. Assim, é normal encontrar, por todo Havaí, fundos de corais e pedra. A composição das boas ondas da ilha, se formam devido a águas profundas (mais de 6000 metros) mais próximas da costa e que não encontram dificuldades para emergir em um paredão de reefs. Para explicar melhor, dividiremos os 3 picos da praia onde é possível pegar onda:

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  • 1º reef - A 75 metros da praia, é a melhor opção para quem está na areia ou quem está no mar fotografando e surfando. A onda proporciona bons tubos quando a água 'bate' no fundo em grande velocidade. A formação é repleta de cabeças pontiagudas de corais, separando um bom e um mau drop como a distância entre viver e morrer. 
  • 2º reef - Muito semelhante ao primeiro. O segundo também proporciona bons tubos para os surfistas, deixando o mar mais alto e impedindo o drop rápido, deixando claro de quem é a preferência da onda neste pico.
  • 3º reef - Também conhecido como Banzai Pipeline.  O terceiro coral deixa a onda muito gorda e deixa o surfe pesado. 

 

:::GOOFY OU REGULAR?:::

Ao procurar Pipeline na internet, é possível que você se depare com ondas a esquerda e a direita. Apesar de se formarem da mesma bancada, a forma que quebra a esquerda leva o nome Pipeline. A direita está Backdoor. Quem explica as características da onda é o campeão mundial e 2x finalista do PipeMasters, Gabriel Medina:

"A bancada de Backdoor parece que tem muitas ondas que vão fechar e acaba sendo uma onda perfeita. Pipeline é uma onda mais fácil de ler, você sabe que vai abrir, que tem o canal ali, então, se você está bem posicionado é mais certo que você vai sair do tubo”
Gabriel Medina, em entrevista ao globoesporte.com

Como vimos, Pipeline exige mais do que entender de surfe. Talvez exija tudo aquilo que os versos de Lorde Byron nos propõe: 

"Há um prazer nas florestas desconhecidas;
Um entusiasmo na costa solitária;
Uma sociedade onde ninguém penetra;
Pelo mar profundo e música em seu rugir;
Amo não menos o homem, mas mais a natureza..."

PIPELINE É UMA COISA DE CINEMA

O surgimento de Pipeline parece um filme. Aliás, foi através de um que o pico ficou conhecido. Mas antes de chegarmos a Pipeline, na década de 50, o filmmaker Bruce Brown se uniu a dois surfistas (Robert August e Mike Hynson) para encontrar a onda perfeita. E, pelo vídeo abaixo, dá pra dizer que Cabo de Saint Francis encontraram a onda: 

No entanto, ao chegar em uma das regiões mais pobres da África do Sul, demandava muito mais do que vontade. Faltavam meios para chegar lá. Dessa forma, o conceito de ‘onda perfeita’ nasceu com o filme e cresceu no imaginário de muita gente na década de 60. 

Após o encontro em "The Endless Summer", o diretor continuou a procura da perfeição em forma de ondas. Em seu quarto filme, o “Surfing Hollow Days” (Surfando em Dias Cavados ou uma brincadeira com o holydays, feriados em inglês). Brown e um dos melhores surfistas da época, Phil Edwards, foram atrás de uma boa onda. Dessa vez, nada de longboards com passeios entre as sessões da onda. O surfista americano foi atrás de ondas grandes e rápidas, com as novas pranchas de foam.  Ao chegar em Pipeline, Phil encontrou uma construção próximo a praia e alguns encanamentos expostos. Ao ver o cilindro que Pipeline formava, ele não teve dúvidas: deu a praia o nome de Pipeline, imagem retratada no filme (no 1h05min): 

A evolução do surfe tinha acabado de lançar as ‘pranchinhas’ e Phil Edwards aparece em uma cena entubando uma parede de 3 metros! Você tem ideia do que era isso pro mundo do surfe? 

No entanto, assim como na África, a onda perfeita no Havaí tinha um ‘porém’. É disso que falaremos amanhã e aqui, no serieaofundo.com/noticias

 

POR QUE O SURFE? POR QUE O HAVAÍ?

Qual a semelhança entre um Superman e um Jordy Smith?

Ambos foram, indiretamente, motivados ou criados por um cara chamado Lorde Byron. O poeta sequer conheceu o surfe, mas deixou claro em sua obra a vontade de viver do mar. Leia a estrofe abaixo e tente não imaginar essas palavras como a essência do surfe:

"Há um prazer nas florestas desconhecidas;
Um entusiasmo na costa solitária;
Uma sociedade onde ninguém penetra;
Pelo mar profundo e música em seu rugir;
Amo não menos o homem, mas mais a natureza..."
A Peregrinação de Childe Harold, Lorde Byron (1818)

Seria ótimo para qualquer postagem de Instagram, mas estes versos foram escritos em 1818. Pai do romantismo, Lorde Byron, escreveu em "A Peregrinação de Childe Harold". Neste livro ele fala sobre um jovem corajoso, sofisticado e sem nenhum respeito a regras e autoridades. Dessa forma, o byronismo* não mudou só o romantismo, mas mostrou os mesmos heróis em peças de teatro e filmes. 

Aproveitando a ideia de fuga da cidade, o governo americano criou uma política pública para a inovação que a nova classe industrial trouxe: férias. Este filme, datado de 1906, feito pela Thomas Edison Filmes (o mesmo ‘pai’ da lâmpada), mostra a primeira propaganda de uma 'surftrip': 

Quanto mais a classe média crescia nos EUA, mais gente o Havaí recebia. Há quem se abrigava para as sonhadas férias de verão, outros fugiam de um mundo caótico e em guerra - como já previra Lorde Byron. Fato é que o arquipélago se transformara no paraíso de muitos americanos. Tom Blake, descreveu com perfeição o que é ver e viver nas ilhas:

"A água é tão quente que não está consciente disso. A vista das palmeiras na costa, os hotéis [de Waikiki], as montanhas e as nuvens são maravilhosas e para mim, a parte do prazer do surf. A hora antes do pôr-do-sol é o melhor de tudo, pois as montanhas tomam todos os tons de verde imagináveis, enquanto as nuvens próximas deles assumem todos os tons de branco e cinza. Os arcos-íris são freqüentemente vistos nos vales distantes.”
 Hawaiian Surfboard; Tom Blake (1935)

Bom, essa visão é facilmente vista em postagens vinda da ilha e foi a ideia explorada em durante o século XX. Se o Brasil é o país do futebol, devemos elevar o Havaí a estado devido a importância que ele tem para o surfe. Sendo assim, o país manteve a cultura do esporte intacta e age em plena expansão no século XXI. 

Falar que o Havaí é a capital do surfe ainda não explica o porquê desse arquipélago ser a ‘Meca’ entre quem pega onda. Não é só pelo desejo de incorporar o anti-herói e ser um nômade vagabundo, à serviço da natureza. A perfeição em forma de onda está lá. É disso que falaremos amanhã e aqui, no serieaofundo.com/noticias

TÍTULO DE FANNING, FAMA DE KELLY

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

Kelly voltou! E a honra de ter o heptacampeão de Pipeline se justifica: ele pode ser o fator decisivo na busca pelo título. 

Agora, se você acredita que ele dificultará para Medina (devido a rivalidade entre os dois) e facilitará para John John, você ainda não sabe o que ele fez em 2013.

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Naquele sábado, 14 de dezembro, Pipeline quebrava de 10 a 15 pés (3 a 4 metros), de uma forma perfeita no último dia. Inspirador para qualquer surfista. Inclusive para Kelly Slater:

“Foi o dia que sonhei desde que era criança: Pipeline grande, perfeito, de ângulo oeste e um confronto no Pipe Masters.”
Kelly Slater, sobre o sábado de sol do seu 7º título de PipeMasters

Naquele dia, ninguém gostou mais de Pipe do que o careca. Dono dos maiores somatórios em todos os rounds, Kelly precisava vencer o evento e torcer para Mick Fanning não passar às semifinais. Nas quartas, o australiano encontrou dificuldades com Yadin Nicol (AUS):

Depois de passar apertado, Andy Irons e Tom Caroll receberam o mais novo tricampeão mundial, Mick Fanning. Depois do título precoce, sobre o que era o PipeMasters então? 

Para o havaiano, a chance de, pela 1ª vez, vencer em casa e deixar ainda mais histórico a sua (já garantida) Tríplice Coroa. Para Kelly… o que valia mesmo? 

"Ganhar é ainda melhor. Eu quero surfar contra os melhores, nas melhores ondas - é por isso que estou no tour.”

O melhor fez o impossível: com um tubaço impressionou o público e nem tanto os juízes. Conseguiu um (discutível) 9,87 e saiu da água eternizado por uma etapa perfeita, nas palavras de Kelly:

“O público hoje foi o maior que já vi em Pipe…Foi inacreditável”

Se ele se assustava com crowd na areia…ele não imaginara a multidão que viria em 2014!

O DIA EM QUE KELLY LEVOU FUMO

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

31 de março de 2013. Domingo de Páscoa seja aqui ou na Austrália. Areia lotada e muita gente querendo ver uma pessoa descer daquela escada de Bells: o 11x campeão e (até então)l líder do WCT, Kelly Slater. 

Todos esperavam um show de surfe. E foi exatamente o que aconteceu. Linha Kelly, padrão Slater. Combinação de rasgada / floater / tubo , inflamando a praia. 

Só esqueceram que na água havia alguém com Kelly. E olha que nem era pra ser ele. Willian Cardoso entrou no lugar de Miguel Pupo, com uma lesão no tornozelo. Até mesmo Panda não acreditava que estava lá. 

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“Eu não planejei em fazer esse evento. Depois de Gold Coast e Margaret River, eu voei pro Brasil. Quando cheguei em casa, fui avisado que tinha que voar pra cá

Mais inesperado do que esse convite, apenas se ele superasse Kelly. Bom, se você já viu a direita de Bells sabe que o power surf é bem valorizado por lá. Bom pra quem é conhecido pela patada violenta, parecida com um…Panda! 

E foi assim que Willian fez sua fama. Em entrevista a emissora americana ABC, Kelly deixou mais claro o que aconteceu naquela bateria:

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“Willian ‘meteu fumo’ em mim. Simples como isso”

E o brasileiro rebateu:

“Kelly é um herói pra mim e vencer dele é um inacreditável pra mim. Espero que eu toque o sino pro Brasil”

Ele não conseguiu tocar o sino, mas, neste mesmo evento, outro brasileiro fez esse favor pra gente. Mas isso é história pra outro TBT...

WILLIAN "PANDA" EXPLICA A VIDA, NÃO O SURFE

Não se trata de surfe. Se trata de vida. 

E o Willian Cardoso é a personificação da expressão “não desista dos seus sonhos”. Afinal, qual surfista profissional resistiria ao tentar, pela 10ª vez e aos 31 anos, entrar na elite SEM UM PATROCÍNIO? 

Eu, você e muita gente não acreditaria. No entanto, nenhum de nós viveu de tão perto e de tão longe o CT. No período da ASP, Willian chegou a ser alternate e ficou entre uma (2012) e duas (2013) vagas do CT. Aí veio a era WSL. Foram momentos difíceis, com 83º lugar para fechar o terrível ano de 2016. O início de um novo ano foi o fim de uma parceria com a Rusty. 

Sem dinheiro como viajar? Através de um sonho. E foi "indo dormir e sonhando acordado", como ele mesmo disse, que levou o vice-campeonato em Ballito (África do Sul), perdendo apenas para o vice-campeão mundial em 2016, Jordy Smith. 

O QS 10000 sul africano foi o momento da virada. Na verdade, Ballito poderia ser seu último momento, como ele próprio diz:

“Estava sem perspectiva, não sabia o que iria fazer depois de Ballito. O prémio em dinheiro que recebi foi muito bom e agora tenho verba para disputar sem problemas os próximos grandes eventos do WQS. Na verdade, o Ballito Pro criou um objetivo que até então nem existia e me possibilitou correr atrás dele” 
(Entrevista ao Santa Radical )

O dinheiro da premiação virou investimento em uma 'ponte' entre ele e o CT. Com quase 12 mil em pontuação, a meta de 19 mil não era um sonho tão distante. Ficar atrás apenas de Jordy mostrou que o Panda de 2017 ainda tinha o mesmo surfe que , em 2013, desbancou o 11x campeão, Kelly Slater , em Bells Beach. 

A vitória não foi por acaso. Quem conhece Willian sabe que ele é um competidor nato. Um perfil construído com participação indireta de seu mentor no surfe, seu vizinho e presidente da ASBC (Associação de Surf Balneário Camboriú ) Eduardo Amorim. 

Desde que entrou no surfe competitivo, aos 12 anos, ele já esteve no pódio de tudo. Para estar no topo do mundo foi necessário muitas batalhas contra Kellys, Tajs e o próprio Willian (ou você não se questionaria após tantos `quases'?). Mas como um competidor nato, ele também sabe perder. Foi incrível reparar em um US Open (2014) como Panda admitiu a derrota sobre Filipe Toledo diante de uma arquibancada cheia. Lá, ele não teve dúvidas em admitir quem estava mais conectado com o mar (a partir do 2min51seg) : 

Se isso não for uma lição  de vida…eu não sei o que você entende de surfe. 

O QUE MUDA PARA 2018?

Se você acompanha o mundo do surfe nos últimos dias também deve se perguntar: com tantos brasileiros no CT em 2018, dá pra imaginar o que vem neste próximo ano?

Bem, se você já achava os novos surfistas uma agradável surpresa, a World Surf League (WSL) divulgou nesta segunda quais serão os eventos de seus principais campeonatos. Com tantas alterações, use a sua imaginação para o circuito mais promissor dos últimos tempos!

::: MUNDIAL MASCULINO:::

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QUEM SAI? Trestles e Fiji  Desde 1999, a etapa se reveza no calendário. No último intervalo, Fiji ficou sem uma etapa do tour por 3 anos (2008-2012). Vai deixar saudades ao pentacampeão da etapa, Kelly Slater e o bicampeão do #FijiPro, Gabriel Medina. Juntos, os dois escreveram um capítulo épico da história de Tavarua (link aqui )

QUEM ENTRA? Keramas, Indonésia. Assim como aconteceu com Fiji, a Indonésia é uma espécie de alternate entre os picos. Desde 1981, as direitinhas tubulares de Bali recebem edições do circuito dos sonhos. A última vez foi 2013, com Joel Parkinson como campeão e John John como destaque. 

Entre os homens outra adição é o Surf Ranch, um capítulo a parte, que falaremos mais ali embaixo. 

2018 World Surf League (WSL) WCT Masculino:
Quiksilver Pro Gold Coast, Australia - Março 11 - 22
Rip Curl Pro Bells Beach, Australia - Março 28 - Abril 8
Margaret River Pro, Australia - Abril 11 - 22
Oi Rio Pro, Brazil - Maio 10 - 19
Bali Pro, Indonesia - Maio 27 - Junho 9
Corona Open J-Bay, South Africa - Julho 2 - 13
Tahiti Pro Teahupo'o, Tahiti - Aogsto 10 - 21
Surf Ranch Lemoore, California/USA. Setembro 5 - 9
Quiksilver Pro France, France - Outubro 3 - 14
Meo Rip Curl Pro Portugal, Portugal - Outubro 16 - 27
Billabong Pipe Masters, Hawaii/USA - Dezembro 8 - 20

::: MUNDIAL FEMININO:::

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QUEM SAI? Trestles (EUA) e Cascais (POR). Ambas dividindo janela com o campeonato masculino, surgiram em 2014 e 2013 (respectivamente) e simbolizaram a expansão do tour entre as mulheres. A memória mais recente em terras americanas é a melhor possível, com a vitória de Silvana Lima. 

QUEM ENTRA? Jeffreys Bay (RSA) e Keramas (INA) . Um novo tempo no surfe feminino se aproxima com ondas tão boas quanto regulares em ótimos picos. Mas a evolução ainda será dividida (em ambos os eventos) com homens. 

Entre as mulheres, a terceira novidade é também comum aos homens e levanta uma discussão saudável quanto aos caminhos que o surfe seguirá nos próximos anos. 

Calendário 2018 (WSL) WCT Feminino:
Roxy Pro Gold Coast, Australia - Março 11 - 22
Rip Curl Women’s Pro Bells Beach, Australia - Março 28 - Abril 8
Margaret River Pro, Australia - Abril 11 - 22
Oi Rio Pro, Brazil - Maio 10 - 19
Bali Pro, Indonesia - Maio 27 - Junho 9
Corona Open J-Bay, South Africa - Julho 10 - 17
Vans US Open of Surfing, USA - Julho 30 - Agosto 5
Surf Ranch Lemoore, California/USA. Setembro 5 - 9, 2018
Roxy Pro France, France - Outubro 3 - 14, 2018
Hawaii Women’s Pro, Hawaii/USA - Novembro 25 - Dezembro 6, 2018


RANCHO DE KELLY

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Dentre as escolhas do novo calendário, esta é aquela que mais chama atenção. Pela primeira vez na história, no surfe profissional de elite incluirá ondas artificiais em sua agenda. O curioso é ver apenas quatro dias de janela para homens e mulheres disputarem o campeonato - uma fórmula impossível em qualquer outra etapa. 

Para que você não se perca no assunto, fizemos um programa falando apenas disso. Aperte o botão e entenda o que muda após o 'Piscinão do Kelly':

::: BIG WAVE TOUR:::

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QUEM ENTRA? Confirmado no início de outubro, quando aconteceu a compra de direitos do evento "Titans of Mavericks"  , a WSL manterá o nome e o organizador. Homens e mulheres competirão na etapa.

Agora é só esperar quebrar 9 metros (30 pés) em Half Moon Bay, Califórnia

2018/2019 Big Wave Tour:
Puerto Escondido Challenge, Oaxaca/Mexico
Pe’ahi Challenge, Maui/Hawaii
Mavericks Challenge, California/USA
Nazaré Challenge, Costa de Prata/Portugal
 

2014 -O ANO QUE INVADIMOS SUA PRAIA

 

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

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#VaiMedina era o que mais se ouvia no mundo do surfe aqui no Brasil. A possibilidade de um surfista brasileiro ganhar, pela primeira vez, o mundial de surfe, em um cenário dominado pelos australianos, havaianos e americanos era um feito muito ousado. Vindo de um país conhecido pelo futebol, Medina mostrou que a camisa 10 tinha mais a ver com o nota no mar do a mística que a camisa carrega em campo.

Mesmo com a lycra amarela, Medina não era visto pela imprensa internacional como o melhor surfista. Antes de 2014, essa comparação teria sentido se alguém lhe dissesse que o prodígio ousava disputar o título com a lenda do surfe e 11x campeão e um tricampeão em plena ascensão. 

Achou as condições adversas para Medina? Coloque nesse tempero o tempo de espera. A previsão foi cruel com a ansiedade dos concorrentes e o último dia de competição só aconteceu no penúltimo dia da janela de espera. E mais: competir com Mick Fanning era disputar com um amigo e ídolo de infância, dividindo a mesma casa da Rip Curl, de frente pra Pipeline. 

Foi nesse cenário que Gabriel Medina partiu pro round 3 e bateu Dusty Payne com duas notas 8,83. Se você acredita que Medina estava feliz com o resultado dele, imagina quando soube que Alejo Muniz eliminou Kelly Slater?

O surfe pode ser um esporte individual, mas, no dia 19 de dezembro, Pipeline pôde ver a força que uma nação tem. Seja na areia ou dentro da água, o Brasil se ajudava sem querer. Alejo Muniz não foi o único no caminho do título. Filipe Toledo apareceu no round 4 e nas quartas em duelos parelhos e foi o responsável por avisar que o camisa 10 era o mais novo campeão mundial. Adivinha quem tirou Mick Fanning da disputa? Alejo Muniz, o terceiro e último brasileiro nas quartas de final, a quem Medina chamou de ‘anjo’. Justo, não? 

Antes de voltar à areia, Medina tinha outra obrigação: chegar ao pódio. Afinal, o agora campeão mundial queria fazer jus ao título. E aí sobrou pra Josh Kerr, que não conseguiu trocar seu 1.10 graças a ‘marcação’ de Gabriel. 

Na outra semifinal, Julian Wilson já entrou  sabendo que a Tríplice Coroa era sua. Mas, àquela altura, tudo o que ele queria era a primeira final do ano. Ele chegou ao duelo com o campeão mundial deixando Adrian Buchan em combinação.

Campeão do mundo vs Campeão do Hawaii.

Medina levou a maior nota da bateria (pra combinar com o número da camisa), mas não levou Pipeline. Esse é um sonho que segue vivo  e chega em 2017 com uma feliz coincidência: Medina PRECISA ganhar Pipeline. Será que o futuro vai repetir o passado? 

TBT - PIPELINE É O CALDEIRÃO!

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

Esqueça 2016. Ali não valia título e o tal commitment (tão cobrado pelo juízes) veio da parte de baixo do ranking. O cenário de calmaria, com surfista de camisa amarela comemorando com a taça mão, não combina com Pipe Masters . Se no ano passado o clima era de festa na areia de Pipeline, antes mesmo de entrar na água, o TBT dessa semana relembra as melhores edições de Pipe Masters dos últimos tempos. REEEMA!

::2015::

O que você faz quando tem que dar 1 troféu e tem 6 caras pra receber? Com esse recorde entre os concorrente ao título, começou PipeMasters. Do primeiro ao sexto do mundo, todo tinham chances de vencer: Mick Fanning, Filipe Toledo, Adriano de Souza, Gabriel Medina, Owen Wright e Julian Wilson. Mas só metade do grupo passou às quartas. A disputa ficou emocionante com o nosso Capitão Nascimento crescendo na competição e a finalização de Medina contra Fanning foi o decreto de que o mundo era do mais casca grossa. A final serviu para Adriano lavar a alma: título da temporada e vitória da etapa. Tudo isso na rainha do Hawaii. Que momento!

2015 - FINAL - Adriano de Souza x Gabriel Medina

 

::2014::

Esse título merece um capítulo inteiro. Por ora, daremos só uma primeira laminação:

O título chegou incerto e só Gabriel Medina e Mick Fanning, que dividiam a mesma casa, poderiam conquistar. Dias e dias sem uma boa previsão até o incrível 19 de dezembro, com tubos em Backdoor. Eis que entra em cena o improvável: um mar terrível, que garantiu a (baixa) média de 2,34 da bateria e a eliminação de Mick Fanning por Alejo Muniz. Coube a Medina passar por Josh Kerr na semifinal (tensa) e gritar “é campeão” EM PORTUGUÊS, pela primeira vez na história. A final foi a cereja do bolo deste Pipe Masters: Julian Wilson entrou para garantir a Tríplice Coroa havaiana e abriu a bateria com um 9,93. Medina respondeu com a única nota de 10 daquela edição. O aussie respondeu com mais uma nota 9 e levou a etapa. Gabriel ficou com o resto do mundo. 

2014 - FINAL - Gabriel Medina x Julian Wilson 

::2013::

Se você já acompanha o surfe por algum tempo (desde a era Pré Medina) sabe que essa edição do Pipe Masters foi um ponto alto do surfe. Sabemos que Pipe Masters pode oferecer até três títulos: campeão da etapa, do Triple Crown e, eventualmente, da final. Entre os quatro primeiros, só Joel Parkinson voltou pra Austrália com as mãos abanando. John John ficou com a Tríplice Coroa, como um prêmio de consolação para quem teve suas as notas subestimadas. Do outro lado, Kelly Slater levou o título e fez tanta história em uma onda quanto Mick Fanning com o título de 2013. 

2013 - FINAL - Kelly Slater x John John Florence

::2012::

A vitória de Joel Parkinson não começou neste ano. Foram necessários quatro vices (2002, 2004,2009 e 2011) para o australiano conquistar a rainha do Hawaii e, de quebra, levar o título pra casa. O outro candidato a título era Kelly Slater. Um ‘senhor’ de 40 anos, sedento pelo 12˚ título mundial. Só não avisaram a Josh Kerr. Aliás, a performance do aussie contra o mago careca nas semifinais foi muito bem explicada por seu compatriota (e campeão):

“Quando o Kerr pegou aquele tubo no início, senti um negócio como se fosse vomitar e não consegui controlar minhas emoções naqueles momentos finais. Foi tudo muito louco”

E o que o Parko fez o quê em retribuição? Escovou o algoz de Kelly e fator decisivo pro seu título. Parabéns Joel!”

2012 - FINAL - Joel Parkinson x Josh Kerr

Viu? É tanta história que, só com esses capítulos escritos dentro da água, faríamos um best-seller! Agora você acredita que o Billabong Pipe Masters – 2016 foi uma exceção? 

JULIAN WILSON X GABRIEL MEDINA - Ato I

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

Como todos já sabem, a última vitória de Medina foi especial. E o SAF escreveu um texto (aqui) falando sobre essa rivalidade entre Julian Wilson e Gabriel Medina. Faltava explicar como nasceu essa disputa pessoal. E lá se vão 5 anos...

Era o começo da carreira de Medina. A promessa do surfe ganhou duas etapas no segundo semestre de 2011, mas parecia não se firmar em 2012. E parece que a cobrança surtiu efeito no surfista de Maresias. No Rip Curl Pro Portugal, ele fez as maiores médias de bateria, incluindo esse show (vídeo abaixo) contra Brett Simpson no round 3. Entubou, deu aéreo, extrapolou e abriu o livro de manobras e saiu da bateria deixando o americano precisando de mais uma onda. Que escovada!

Tubo + Aerial reverse = Gabriel Medina em 2012

A história se repetiu no round 4 e nas quartas. Mas nas semis apareceu Julian Wilson, que garantiu 19,27 (de 20 pontos possíveis) contra Adriano de Souza. Enquanto, na outra semifinal, Joel Parkinson não encontrou Medina no mar: 13,80 x 5,27

É aí que a nossa história (ou melhor, a deles) começa. De um lado, o eleito "Rookie do ano de 2011"; do outro, o campeão de duas etapas em 2011. Em ambos, o desejo de vencer pela primeira vez em 2012. 

Veja o vídeo e dê as notas. Acredito que todos discordaríamos do resultado...

O próximo ato seguiria a lógica desse campeonato: show de surfe com ondas muito boas e notas alcançando a casa dos 7,90 pontos. Até o último minuto, essa foi a maior nota e o dono dela era o brasileiro. Mas a sirene ainda não tinha tocado, a prioridade era do australiano e, enquanto Medina furava a onda, Julian Wilson encontrou um 'tubinho', saiu dando o 'claim', antes mesmo de uma rasgada e batida na junção, que garantiu a virada. 

Já na areia, o brasileiro esperou a contagem das notas e caiu no choro com o resultado. Aquelas lágrimas nada tinham a ver com a emoção e sim com a revolta de quem quase não subiu ao pódio para levantar o troféu de segundo colocado e saiu antes mesmo de estourarem o champanhe. A revolta da imprensa brasileira foi enorme, a de Medina está esboçada neste vídeo. 

Medina fala que está feliz, mas o rosto seu rosto só expressa tristeza

O que ninguém sabia é que o mundo daria tantas voltas que nos traria de volta a Peniche e, novamente, com os mesmos personagens na final. Em um esporte tão imprevisível, só mesmo Wilson sorriria ao encarar novamente Medina. Quem ri por último...

PRANCHA x CÁLCULOS

O surfe chegará ao Havaí com as mãos cheias. De um lado, a prancha cheia de esperança de um bom swell para o início de dezembro. Do outro, a calculadora com a certeza de que faremos contas a cada round. 

Bom, somos surfistas e não matemáticos. Por isso, o Série Ao Fundo fez uma cola para ajudar a lhe ajudar. Aqui está o que cada um dos quatro candidatos ao título precisa para vencer o campeonato - ou bicampeonato. 

JOHN JOHN FLORENCE

Retrospecto em Pipeline:  2016 -  5˚ / 2015 -  9˚ / 2014 -  5˚ / 2013 -  2˚ / 2012 -  13˚ / 2011 -   5˚

Retrospecto em Pipeline:  2016 - / 2015 - / 2014 - / 2013 - / 2012 - 13˚/ 2011 -  

A essa altura do campeonato, é impossível prever se estar na frente é uma vantagem ou uma pressão. De forma geral, o que o havaiano precisa para vencer é...estar entre os dois primeiros. Aí não haverá espaço para outro resultado.

Ele será campeão em casa, até mesmo em uma eventual final com o... 

GABRIEL MEDINA

Retrospecto em Pipeline:  2016 -  13˚ / 2015 -  2˚ / 2014 -  2˚  /   2013 -  13˚ /   2012 -  9˚ /   2011 -  5˚  

Retrospecto em Pipeline:  2016 - 13˚/ 2015 - / 2014 -/ 2013 - 13˚/ 2012 - / 2011 -  

Como já é de costume, o segundo semestre tem sido inédito (para não dizer fantástico) e o brasileiro chega no Havaí embalado por um perna européia perfeita. Mas para conquistar o bicampeonato ele precisa:

  1. Vencer a etapa e torcer para que John John pare nas semifinais ou nas quartas
  2. Chegar à final sem precisar ganhar e torcer para John John não passar do Round 5, desde que o adversário nessa final não seja o...

JORDY SMITH

Retrospecto em Pipe:  2016 -  5˚  / 2015 -  13˚  / 2014 -  25˚  / 2013 -  Lesão  / 2012 -  13˚  / 2011 -   13˚

Retrospecto em Pipe:  2016 - / 2015 - 13˚ / 2014 - 25˚ / 2013 - Lesão / 2012 - 13˚ / 2011 -  13˚

Ele manteve a camisa amarela enquanto os resultados vieram. A perna europeia acabou com a regularidade do sul-africano e deixou um título inédito mais distante. A situação é tão complicada pra ele, pois depende de quem está a frente no ranking. Assim, o cenário que o favoreça passa por:

  1. Vencer a etapa, com John John em 9˚e Medina até o 2˚
  2. Chegar em 2˚, com John John em 13˚ ou 25˚, Medina até o 5˚ e fazer uma final com qualquer um, EXCETO COM...

JULIAN WILSON

Retrospecto em Pipe: 2016 -  13˚ / 2015 -  13˚  / 2014 -  1˚  / 2013 -  5˚  / 2012 -  13˚  / 2011 -  13˚

Retrospecto em Pipe: 2016 - 13˚/ 2015 - 13˚ / 2014 - / 2013 - / 2012 - 13˚ / 2011 - 13˚

O aussie deve estar rindo até agora. Afinal, fez um segundo semestre digno de seu surfe e, se não fosse o mau resultado em Hossegor, estava em uma situação melhor. Com descartes e tudo mais, ele precisa de um grande favor dos três a frente do ranking. Veja:

  1. Vencer a etapa, Jonh John não passar da 13ª colocação, Medina não passar das quartas e Jordy ficar, no máximo, em 2˚

TÁ QUEBRANDO PRA QUEM?

O Série ao Fundo apresenta o quarto termômetro da Tempestade Brasileira, que sempre analisa o momento dos nossos surfistas após cada etapa do Mundial de Surfe. Se o atleta foi bem no último evento, ele estará CLÁSSICO. Se ficou naquele meio termo, nem brilhou e nem decepcionou, estará na MAROLA. E se a última etapa não saiu como esperado, ele ficará FLAT.

A etapa de Peniche não foi muito boa para a maioria dos brasileiros, mas teve gente que se deu bem e acabamos tendo de tudo entres nossos surfistas: Título, bom resultado, eliminações precoces e definições para a próxima temporada. Então vamos ver como ficou o nosso termômetro da Tempestade Brasileira.

CLÁSSICO

1 – Gabriel Medina

  • Campeão em Peniche (ganhou de Julian Wilson na final)
  • 2° no ranking (subiu uma colocação)
  • O que busca: Título Mundial
1 – Gabriel Medina.jpg

Uma perna europeia para a história. Assim podemos definir as campanhas de Medina na França e em Portugal. Com uma leitura do mar perfeita e a já conhecida habilidade nos tubos e aéreos, o surfista de Maresias se sentiu em casa em Peniche, acelerou na ‘hora H’, levou mais um troféu pra casa e ainda se vingou de Julian Wilson na decisão. Afinal, em 2012, o australiano ficou com o título da etapa após uma decisão mais do que polêmica dos juízes. A virada no minuto final foi de quem está com a cabeça muito boa.

Gabriel está mais na briga pelo título do que nunca. Ele ficou a 3100 pontos do líder John John Florence e precisa passar dois rounds a mais do que o havaiano se quiser garantir o bicampeonato. E não duvidem dele em Pipeline, pois Medina já fez duas finais por lá, em 2014 e 2015. Vai ser briga de gente grande no quintal de John John!

2 – Miguel Pupo

  • 5° em Peniche (perdeu para Kanoa Igarashi nas quartas de final)
  • 23° no ranking (subiu quatro colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite
2 – Miguel Pupo.jpg

Outro que aproveitou muito bem a temporada europeia foi Miguel Pupo. Com um surfe agressivo e calma na escolha das ondas, Miguelito fez mais um quinto lugar. Ele passou direto pelo Round 1, tirou Adriano de Souza no Round 3 e despachou um embalado Josh Kerr no Round 5. Faltou uma segunda onda para superar Kanoa Igarashi e enfrentar o amigo de infância, Gabriel Medina, na semi.

Miguel subiu para 23º e neste momento estaria se garantindo no tour, pois logo a sua frente está Bede Durbidge, que se aposentará após Pipeline. Com certeza vai com a cabeça mais tranquila para o Havaí, onde foi 5º em 2013 e 9º em 2012.

MAROLA

3 – Caio Ibelli

  • 13° em Peniche (perdeu para Mick Fanning no Round 3)
  • 18° no ranking (subiu uma colocação) 
  • O que busca: Permanência na elite
3 – Caio Ibelli.jpg

Quem acompanhou apenas a primeira bateria de Caio certamente o colocaria como flat nessa etapa. Ele somou apenas 2.03 e foi atropelado por Julian Wilson e Leo Fioravanti. Mas se recuperou na repescagem; não deu chances para Wiggolly Dantas e só não foi mais longe em Portugal porque lhe faltou uma segunda onda forte contra Mick Fanning. Mesmo com a maior onda da bateria, ele se despediu com o 13° lugar. E ainda afirmou que voltou a sentir dores no tornozelo.

Ter feito ao menos um 9° seria importante para já se garantir na elite, mas agora a decisão vai para Pipeline, onde em seu ano de estreia no tour não passou do Round 2.

4 – Adriano de Souza

  • 13° em Peniche (perdeu para Miguel Pupo no Round 3)
  • 7° no ranking (manteve a mesma colocação) 
  • O que busca: Top 5
4 – Adriano de Souza.jpg

A história de Mineiro em Peniche é muito parecida com a de Hossegor. Ele pegou um Jack Freestone inspirado em sua primeira bateria e foi para a repescagem, onde atropelou Stu Kennedy. No Round 3, estava com sangue nos olhos e fez um 9.27 impressionante, mas a falta de uma segunda nota fez com que Miguel Pupo o eliminasse novamente no Round 3. As pequenas chances de título mundial ficaram por ali.

Todos conhecem o Capitão Nascimento e sabem que ele vai entrar focado em Pipe, independente da posição no ranking. Adriano venceu o evento mais tradicional do surfe no ano de seu título mundial, em 2015.

5 – Italo Ferreira

  • 13° em Peniche (perdeu para Kolohe Andino no Round 3)
  • 25° no ranking (caiu duas colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite

Italo saiu decepcionado com seu resultado na França e foi o primeiro a chegar em Peniche para treinar. Ele e Jadson André pegaram tubos gigantescos e pareciam prontos para brilhar no campeonato, mas não foi isso o que rolou. Na primeira bateria, o potiguar somou apenas 2.04. Na repescagem passou tranquilo por Jeremy Flores, mas tomou a virada no fim de Kolohe Andino e se despediu com uma preocupante 13ª colocação. Era a chance de ir longe e não depender de reclassificação por lesão ou pelo QS.

No Havaí, Italo parou duas vezes no Round 3. Para se garantir na elite pelo CT sem contar com a vaga destinada aos lesionados, precisará de mais que isso.

FLAT

6 – Filipe Toledo

  • 25° em Peniche (perdeu para Leonardo Fioravanti no Round 2)
  • 9° no ranking (caiu uma colocação) 
  • O que busca: Top 5 
6 – Filipe Toledo.jpg

Nada foi divulgado oficialmente, mas, ao que parece, uma lesão nas costas atrapalhou Filipe novamente em Portugal. Com sua ótima leitura do mar, o ubatubense até conseguiu boas notas em suas duas baterias, mas em ambas faltaram aquelas segundas notas que mudariam seu destino. E em um mar complicado, os aéreos poderiam ter sido boas saídas, mas ele nem arriscou. A briga pelo título mundial ficará para o ano que vem. E Filipinho entrará como favorito, prova disso é a evolução que mostrou ao longo da temporada.

Em Pipe, ele foi 5° em 2014 e 9° no ano passado. Recuperado, tem tudo para brigar pelo terceiro título no ano.

7 – Ian Gouveia

  • 25° em Peniche (perdeu para Connor O’Leary no Round 2)

  • 27° no ranking (caiu 2 colocações) 

  • O que busca: Permanência na elite

7 – Ian Gouveia.jpg

Foi nítido tanto na França como em Portugal que Ian teve uma melhor escolha de ondas do que vinha tendo no tour. Com certeza a presença do pai Fabio Gouveia o ajudou nisso. Mas os resultados não foram os esperados. O novato pegou um primeiro Round muito complicado e também não se encontrou no line-up na repescagem, sendo facilmente batido por Connor O’Leary. Surfe ele tem, mas falta aquele detalhe para passar mais baterias e sair do sufoco.

Ian é rookie e nunca competiu em Pipeline. Ele sabe entubar e vai precisar mostrar isso para ir muito longe e correr o CT novamente em 2018.

8 – Jadson André

  • 25° em Peniche (perdeu para Kolohe Andino no Round 2)
  • 32° no ranking (caiu duas colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite
8 – Jadson André.jpg

Assim como Italo Ferreira, Jadson saiu de Hossegor direto para Peniche. Os treinos foram muito bons e o potiguar deu aula de tubos para a esquerda. Mas no campeonato não conseguiu encaixar seu surfe no Round 1 e sofreu com o tubo gigante que Kolohe Andino pegou nos primeiros minutos da repescagem. Mais um 25° e a situação está delicadíssima para ele.

Nunca devemos descartar o poder de reação e superação de Jadson, mas em Pipeline ele nunca foi além de um 13°. Vai precisar de muito, mas muito mais que isso para se garantir pelo CT. No QS precisa brilhar novamente na perna havaiana para ter chances de ficar entre os 10 primeiros.

9 – Wiggolly Dantas

  • 25° em Peniche (perdeu para Caio Ibelli no Round 2)
  • 24° no ranking (caiu duas colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite
9 – Wiggolly Dantas.jpg

Fechando o nosso termômetro da Tempestade Brasileira está Wiggolly Dantas. A perna europeia não foi nem de longe como GuiGui esperava. Dois 25° e pressão para se manter na elite. Sua maior nota em todo o evento foi um 2.17. Enquanto a maioria dos surfistas conseguiram encontrar ao menos um bom tubo, o especialista nesse tipo de onda pecou nas escolhas e não incomodou os adversários. Está na berlinda e precisa de resultado na última etapa.

Entre os brasileiros do tour, Wiggolly é o que tem mais intimidade com o Havaí. Mas mesmo tendo vivido no pico por muito tempo, os desempenhos em competição não foram bons, com um 25° em 2015 e um 13° em 2016. A hora é agora!

 

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.

DUELOS E RIVALIDADES

JJ Florence x Gabriel Medina. 

JJ Florence x Gabriel Medina. 

JJ Florence x Gabriel Medina. 

Julian Wilson x Gabriel Medina. Enquanto alguns falavam sobre o título, muitos já tinham esquecido dessa etapa. E se há rivalidade no mundo do surfe HOJE ela está entre os dois.

O palco para a última disputa não poderia ser melhor: Peniche. Para quem não lembra, Gabriel perdeu a chance de 'escovar' a perna européia justamente nessas ondas. Exatamente contra Julian. 

Virada nos segundos finais. Dejavú, Julian Wilson? 

Este vídeo explica muito sobre riso de Julian Wilson logo após a vitória do brasileiro sobre Kanoa Igarashi nas semifinais. Talvez pelo aussie acreditar que, nos segundos finais, viraria sobre o brasileiro. Assim foi em Peniche em 2012 (com uma enorme polêmica), assim foi no quebra-coco taitiano neste ano. Mas hoje não. 

Última onda surfada no Taiti tirou o título de Medina e deu a Julian. Dejavú, Medina? 

Hoje foi dia de relembrar que o nosso compatriota é o mágico naquilo que todos chamam de impossível. E, através de uma péssima tradição brasileira, resolveu tudo na última hora. Ou melhor: no último minuto Foi nesse curto intervalo tempo que o campeão mundial (2014) fez 6.93 e 6.33 - as notas mais altas da bateria. 

2014.jpg

A rivalidade parece ter um próximo encontro: Pipemasters (de 8 a 20 de dezembro). Para quem lembra do título inédito, em 2014, deve também se recordar quem venceu a final: Julian Wilson.

Com duas finais seguidas no Havaí, Medina entra na briga para algo desafiador: vencer na casa do líder do ranking e virtual campeão mundial.

Aí a rivalidade dá lugar ao duelo. Afinal, Medina precisa de um cenário muito parecido com este de Portugal. JJ para nas quartas e ele vai pra final. 

Aí o duelo dá lugar a rivalidade. Imaginar uma final com mais uma "vingança" de Medina, assim como foi em Portugal, seria o melhor dos cenários para vencer Pipe

SUPERTUBOS OU SUPERBOMBAS?

Os dois primeiros dias de competição do Meo Rip Curl Pro foram especiais. Se você duvida, confira as melhores imagens da etapa que pode definir o título. Ou melhor do que isso: levar a decisão para Pipe. 

POSSIBILIDADES EM PENICHE

Por Edinho Leite

A briga pelo título da elite mundial da WSL vai pegar fogo em Portugal. Deixo aqui alguns fatos e uma pulga

Como muita gente previa a corrida pelo caneco da WSL em 2017 está bem interessante.
Até aqui, além da lycra amarela nas mãos do havaiano John John Florence, vale constatar que os brasileiros estão na ponta quanto à vitórias esse ano. Filipe Toledo levou duas e nossos campeões mundiais, Adriano de Souza e Gabriel Medina, uma cada um.

Candidatos ao título ou a etapa? Em Peniche, os favoritos definem o título

Detesto números, mas vamos lá, eles existem para alguma coisa, tipo isso:
Oito na disputa. John John Florence, Jordy Smith, Gabriel Medina, Owen Wright, Matt Wilkinson, Julian Wilson, Filipe Toledo e Adriano de Souza ainda tem chances matemáticas de vencer esse ano.

Muito embora probabilidades numéricas apontem para John John, Jordy e Gabriel com larga vantagem. Portugal será essencial na vida de muita gente, no topo e na base do ranking, mas há grande chance dessa briga só terminar em Pipe.


O BÁSICO

Para entender melhor o que pode acontecer vamos pela perspectiva de quem está na
frente.

  • Se John John Florence obtiver um 1º lugar em Portugal, Jordy Smith precisará de um 5º, ou melhor, para levar a decisão do título mundial para o Hawaii.
  • Se JJF for vice em Portugal, Jordy precisará de uma nona colocação ou mais, enquanto Gabriel Medina, Owen Wright e Matt Wilkinson precisarão vencer para adiar a decisão do caneco para Pipe.
  • Se Jonflo ficar em terceiro lugar em Peniche a decisão do título mundial irá para o Hawaii, mesmo que Jordy Smith não passe bateria alguma, ficando na 25º, diferente do ano passado.

Em 2016 John John foi campeão mundial, por antecipação, na praia do Medão, onde fica o pico de Super Tubos, quando Jordy perdeu para Conner Coffin na semifinal. Para fechar com grande estilo John John ainda venceu a etapa portuguesa.

Em 2016 Peniche foi o palco do título. O raio cairá novamente? 

Para engrossar o caldo vale lembrar que Mick Fanning é o único sujeito a ter vencido duas vezes em Super Tubos (2009 e 2013). Kelly Slater e Kai Otton, que já venceram por lá, estão fora. JJF, Toledo, Julian Wilson e ADS tentarão dar uma segunda
carimbada no caneco de Peniche.

Em 2011 foi ADS. Será que teremos bi em Peniche? 

Sim, tenho a impressão de que esse título só será decidido em Pipeline, mas isso talvez não passe de influência dessa pulga atrás da minha orelha.

DROP CERTO!

A cada etapa que chega, os fãs de surfe entram na mesma discussão: Quem vai se dar bem nesse evento? Quem eu coloco nos meus palpites? O Série ao Fundo apresenta uma lista com os surfistas que têm tudo para quebrar em Portugal e fazer você quebrar nas apostas. Este é o Drop Certo!

:: PENICHE ::

O palco da décima e penúltima etapa do Mundial é conhecida pelas ondas pesadas e tubulares. O palanque principal fica no beach break de Supertubos. Apelidado de ‘Pipeline europeia’, o pico tem uma formação perfeita dos tubos por conta da muralha do porto, que bloqueia o vento norte na região. Mas também pode proporcionar rasgadas fortes e aéreos para os dois lados. Ou seja, precisa ser completo para tirar resultado.

TUDO OU TUDO: a etapa pode definir o campeão

Portugal já teve outras etapas do CT em um passado distante, mas Peniche entrou para o Circuito dos Sonhos em 2009. O único a vencer mais de uma vez por lá foi Mick Fanning, no ano de estreia do pico e em 2014. Se estiver quebrando para a direita e com formação tubular, o australiano pode ser mais uma vez uma grande aposta.

Rip Curl mostra como Mick entende de Peniche e outros beach breaks de Portugal

Novamente líder do ranking mundial, John John Florence nunca deve ser descartado. Atual campeão em Portugal, o havaiano também foi até as semifinais em 2014. Principal adversário de John John na luta pelo título mundial, Jordy Smith também tem bom retrospecto em Supertubos, com os vices em 2010 e 2014. No ano passado, o sul-africano foi 3º, mas o que realmente marcou foi o seu 10 perfeito em um tubo gigante nas quartas de final.

Surfe de campeão? Jordy tem e sabe botar pra dentro em Peniche

Embalado pelo título na França, Gabriel Medina quer reduzir ainda mais a diferença para os líderes e chegar em Pipeline brigando pelo bicampeonato mundial. Em 2012, perdeu uma final polêmica para Julian Wilson e também foi 5º em 2015. 

5.50 x 5.54 : reveja a final de 2012 decidida na última onda de Julian Wilson 

Falar português pode mesmo ser uma boa em Peniche. Adriano de Souza foi o primeiro brasileiro a vencer no pico em 2011. No ano seguinte fez semifinal e também chegou duas vezes até as quartas. Em 2015 tivemos uma final nacional entre Filipe Toledo e o então estreante Italo Ferreira. Filipinho levou a melhor e pode novamente brilhar caso a lesão nas costas não incomode. Se as rampas para aéreos estiverem abertas, Italo também pode voltar a ter um grande resultado no tour.

Voando por Peniche. Assim foi a final entre Italo e Filipinho, em 2015

Bede Durbidge é um bom nome entre os menos cotados. O australiano foi vice em 2009 e 3º em 2011. Já Joel Parkinson também pode ir bem dependendo das condições. Parko chegou duas vezes às semifinais, em 2012 e 2013. Mesmo sem estar na elite, o local Frederico Morais foi 5º em 2015 e vai dar trabalho correndo em casa.

yangao.jpg

DEU ZEBRA!

O americano, que enfim conseguiu passar do Round 3 em Hossegor, foi vice em 2013 em uma final inesperada contra Kai Otton. A fase não é boa, mas ninguém deve duvidar do surfe progressivo e das rasgadas expressivas de Nat.

 

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.

GABRIEL, PROMESSA CUMPRIDA

Por Edinho Leite

Com a excelente vitória de Gabriel Medina em Hossegor, França, o ranking e possibilidades de título foram redefinidos na 9ª etapa do circuito mundial de surf profissional da WSL 2017.

Que Gabriel poderia vencer essa etapa era uma aposta fácil. Afinal, desde 2011, ele só não esteve em uma das finais e agora acumula três vitórias nas ondas francesas. Deixando os números de lado, vamos aos fatos. Seu surf é completo para usar cada possibilidade daquelas ondas. Base lipe sólida, tubos quando aparecem e, claro, um arsenal de aéreos impressionante.

Medina se encaixa perfeitamente às ondas do beachbreak francês. Aquele line up oferece picos distintos que vão mudando o lugar onde quebram a cada série por conta da ampla variação de maré. Gabriel é um dos surfistas mais irrequietos quanto a seu posicionamento dentro do mar. Seu poder de adaptação às condições é quase imbatível. Junte tudo isso ao fato dele ter um plano bem elaborado como tática e, voilà, ia para o outside para pegar a boa, depois escapava de uma briga por prioridade fazendo sua segunda onda mais no inside. Perfeito. Remava para um lado e, no meio do caminho, via a possibilidade de uma onda boa no outro lado da bancada e remava para lá, incansável. Deve ter deixado o diretor de imagem tonto.

Gabriel, mais uma vez, carregado nas areias, fofas (Charles que o diga), de Hossegor até o lugar mais alto do pódio.

Na semifinal, que mais parecia uma final, John John bem que tentou, mas, por conta de um tanto de ansiedade, tentando extrapolar manobras no começo da bateria, abriu espaço para Gabriel cumprir sua promessa. “Não estou nem pensando em ranking ou título. Só queria vencer. Havia prometido para mim mesmo que venceria ao menos uma etapa nesse ano e me sinto muito bem por ter feito isso”, declarou o campeão.

Sim, os aéreos de Medina sempre entram no cardápio, mas foram suas sapatadas de backside e senso apurado de colocação que o levaram a mais uma vitória em Hossegor.

Fora o baile de Gabriel vale destacar o desempenho de Miguel Pupo que, ao chegar nas quartas de final, depois de derrotar Adriano de Souza no Round 3 e ir direto para as quartas quando superou Owen Wright e Kolohe Andino no No Loosers (round 4), mantém suas possibilidades de reclassificação pelo CT para 2017. Ele subiu quatro posições e agora é o 27º colocado do ranking. Caio Ibelli também subiu e está entre os 22 primeiros do ranking que se reclassificam para o ano que vem, ocupando a 19ª colocação.

Portugal será uma etapa tensa para muita gente. Tomara que Filipe Toledo se recupere da lesão que o atrapalhou na etapa francesa e que, dessa vez, Super Tubos funcione com se espera.

TÁ QUEBRANDO PRA QUEM?

O Série ao Fundo apresenta o terceiro termômetro da Tempestade Brasileira, que sempre analisa o momento dos nossos surfistas após cada etapa do Mundial de Surfe. Se o atleta foi bem no último evento, ele estará CLÁSSICO. Se ficou naquele meio termo, nem brilhou e nem decepcionou, estará na MAROLA. E se a última etapa não saiu como esperado, ele ficará FLAT.
Em Hossegor tivemos de tudo entres os brasileiros: Título, bons resultados, eliminações precoces e definições para a próxima temporada. Então vamos ver como ficou o nosso termômetro da Tempestade Brasileira.

Em Hossegor tivemos de tudo entres os brasileiros: título, bons resultados, eliminações precoces e definições para a próxima temporada. Então vamos ver como ficou o nosso termômetro da Tempestade Brasileira

CLÁSSICO

1 – Gabriel Medina

Clique na imagem e veja o que Gabriel Medina tem a dizer do #QuikPro

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  • Campeão em Hossegor (ganhou de Sebastian Zietz na final)
  • 3° no ranking (subiu cinco colocações)
  • O que busca: Título Mundial

Gabriel Medina realmente tem uma ligação mágica com a França. Ele apareceu para o mundo ao vencer o King of Groms por lá em 2009 de forma espetacular. Em seu primeiro ano na elite (2011) se tornou o mais jovem a levantar o troféu no evento principal. Repetiu a dose em 2015 e neste agora fez uma campanha perfeita: não perdeu nenhuma bateria, "escovou" Joel Parkinson nas quartas e eliminou o até então imbatível John John Florence em duelo de gente grande nas semis. Na decisão, demorou poucos minutos para colocar Sebastian Zietz em combinação.

Continua muito difícil, mas é bom ninguém vacilar, porque Medina vai em busca do bi-mundial. Sabemos que quando está concentrado e focado é muito complicado vencê-lo. Em Portugal, tem como melhor resultado o vice-campeonato em 2012. Em 2015 foi 5º.

2 – Miguel Pupo

Clique na imagem e veja o que Miguel Pupo tem a dizer do #QuikPro

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  • 5° em Hossegor (perdeu para Sebastian Zietz nas Quartas de Final)
  • 27° no ranking (subiu quatro colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite

Falamos aqui na etapa passada que Hossegor era tudo ou nada para Miguel. E ele respondeu com seu melhor resultado no ano. Tirou um lesionado Filipinho e passou o trator em Mineirinho. Foi direto às quartas, mandando Owen Wright e Kolohe Andino pra repescagem. Se não fosse o tubo espetacular de Sebastian Zietz, Miguelito teria chegado entre os quatro melhores com chances reais de ir à decisão.

Ele continua na zona do QS, mas diminuiu muito a distância para o Top 22. Mais um grande resultado em Portugal é fundamental para não depender da sempre imprevisível Pipeline. Em Peniche, Miguel tem um 5º lugar no ano passado como melhor resultado. A meta tem que ser, ao menos, as Quartas de Final.

3 – Caio Ibelli

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  • 9° em Hossegor (perdeu para Kolohe Andino no Round 5)
  • 19° no ranking (subiu três colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite

Finalmente Caio Ibelli voltou a mostrar seu surfe. Aparentemente recuperado da lesão que o tirou de Fiji, Caio passou raspando por Conner Coffin e amassou Frederico Morais. No round 4 não se encontrou e na repescagem demonstrou um pouco de ansiedade após a primeira boa nota de Kolohe Andino. O 9º ficou de bom tamanho em um beach break em que seu surfe encaixa perfeitamente.

Com descartes baixos, Caio tem tudo para se manter na elite por mais um ano, mas seria bom chegar ao menos ao Round 4 em Peniche, onde foi 13º na temporada passada.

4 – Ian Gouveia

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  • 13° em Hossegor (perdeu para Joel Parkinson no Round 3)
  • 25° no ranking (subiu duas colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite

Ian mostrou em Hossegor que está realmente focado em permanecer na elite do surfe. Levou o pai Fabio Gouveia para ajudá-lo e, pela primeira vez no ano, venceu o Round 1. Com muita maturidade e explosão, mandou Mick Fanning e Frederico Morais pra repescagem. No Round 3, perdeu por muito pouco para Joel Parkinson, mas não deixou de distribuir suas tradicionais bolachadas de backside e os grandes aéreos.

Ian é rookie e nunca competiu em Peniche. Mas no ano passado foi campeão em Açores e 3º em Cascais, também em Portugal. Bom sinal para quem está a pouco mais de 4 mil pontos do Top 22.

MAROLA

5 – Adriano de Souza

Clique na imagem e veja o que Adriano de Souza tem a dizer do #QuikPro

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  • 13° em Hossegor (perdeu para Miguel Pupo no Round 3)
  • 7° no ranking (caiu uma colocação) 
  • O que busca: Top 5

Mineiro pegou um mar difícil em sua primeira bateria e foi para a repescagem, onde atropelou Josh Kerr com o maior somatório do Round 2. Em um dia atípico e pouco inspirado, pecou muito na escolha de ondas e caiu para um inspirado Miguel Pupo na terceira fase. Após um ótimo início de temporada, Adriano caiu de rendimento e não conseguiu mais engatar dois bons resultados seguidos.

O sonho do bicampeonato mundial já ficou para trás. Resta agora buscar terminar mais um ano entre os cinco melhores. Em Portugal, venceu em 2011, fez Semifinal em 2013 e parou duas vezes na Quartas, em 2014 e no ano passado.

6 – Italo Ferreira

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  • 25° em Hossegor (perdeu para Jeremy Flores no Round 2)
  • 23° no ranking (manteve a mesma colocação) 
  • O que busca: Permanência na elite

Se fossemos apenas olhar para o resultado de Italo em Hossegor, certamente ele estaria flat. Mas sua bateria contra John John Florence e Keanu Asing no primeiro Round foi primorosa. Um full rotation completo lhe rendeu 9.50 e para muitos a virada do atual campeão mundial no finalzinho não foi justa. A história poderia ter sido diferente, mas o fato é que no round 2, Italo esteve irreconhecível e foi massacrado por Jeremy Flores.

O potiguar tem tudo para se manter na elite por três motivos. A aposentadoria de Bede Durbidge abrirá mais um lugar na elite; ele está bem no QS (após o vice em Cascais) e pode ainda pedir uma vagas de lesionados para o próximo ano, já que ficou fora de três etapas. Para finalizar o ano em grande estilo, Italo espera repetir a grande campanha que o levou a final em Peniche em sua estreia no tour em 2015.

FLAT

7 – Filipe Toledo

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  • 25° em Hossegor (perdeu para Miguel Pupo no Round 2)
  • 8° no ranking (caiu uma colocação) 
  • O que busca: Top 5

Filipinho é o único surfista que ganhou duas etapas na temporada, mas seus altos e baixos no ano foram causados por diversos faotres: Falta de sorte, mar complicado, punição por reclamação e agora uma lesão nas costas. Filipe não esteve em suas melhores condições, as câmeras mostraram as proteções nas costa e no Round 2 ele mal conseguiu rasgar na bateria contra o amigo Miguel Pupo. 

A esperança é que ele esteja bem para Peniche, onde ganhou em 2015 e foi 5º em 2014. O título mundial também já não é mais possível, então terminar entre os 5 melhores em um ano conturbado seria um grande feito.

8 – Jadson André

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  • 25° em Hossegor (perdeu para Kolohe Andino no Round 2)
  • 30° no ranking (caiu duas colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite

Jadson parecia embalado pelos bons resultados em Trestles e no QS de Cascais, mas o que se viu foi uma dificuldade para se encontrar no line-up e a eliminação precoce no Round 2. Jadson, que foi vice em Hossegor em 2014, esperava passar pelo menos uma bateria para melhorar sua situação na tabela. Mas todos sabemos que o potiguar consegue tirar forças e reagir sempre que está contra a parede.

Em Portugal, nunca passou do Round 3. Se quiser se manter na elite pelo CT precisará de mais que isso.

9 – Wiggolly Dantas

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  • 25° em Hossegor (perdeu para Bede Durbidge no Round 2)
  • 22° no ranking (caiu uma colocação) 
  • O que busca: Permanência na elite

Fechando o nosso termômetro da Tempestade Brasileira está Wiggolly Dantas. GuiGui não se achou em Hossegor e foi presa fácil para Bede Durbidge no Round 2. Ele precisa voltar a martelar as ondas para não correr o risco de voltar ao QS. Se conseguir manter a regularidade, o ubatubense tem tudo para passar mais baterias do que passou até agora.

Wiggolly competiu duas vezes em Peniche. Em 2015 terminou em 25º e no ano passado foi 13º. É continuar evoluindo para não chegar no Havaí com a corda no pescoço.

DROP CERTO!

A cada etapa que chega, os fãs de surfe entram na mesma discussão: Quem vai se dar bem nesse evento? Quem eu escolho pros meus palpites?
O Série ao Fundo apresenta uma lista com os surfistas que têm tudo para quebrar na França e fazer você quebrar! 

Este é o Drop Certo!


:: HOSSEGOR ::

O palco da nona e antepenúltima etapa do Mundial pode ser chamado de segunda casa dos brasileiros no Circuito. O evento francês já proporcionou sete títulos e cinco vice-campeonatos pro Brasil. As fortes ondas com paredes manobráveis, tubos largos e 'rampas' de decolagem para aéreos são muito comuns no beach break da charmosa Hossegor. Além disso, a semelhança
é inegável com as ondas do nosso litoral.

O australiano foi 4x campeão, mas não marcou presença no ano passado

O australiano foi 4x campeão, mas não marcou presença no ano passado

O maior campeão na França é Mick Fanning. O australiano tem quatro títulos e um vice-campeonato por lá, vencendo em 2007, 2009, 2010 e 2013. No ano passado, Mick estava em seu ano sabático e não competiu em Landes, mas nunca podemos descartar sua força e velocidade nestas condições.

'Rei da França': o brasileiro acumula bons resultados desde a época de  grommet  

'Rei da França': o brasileiro acumula bons resultados desde a época de grommet 

Se falarmos do retrospecto nos últimos anos, ninguém entra com mais favoritismo do que Gabriel Medina. O surfista de Maresias venceu na França em seu ano de estreia (2011) e quatro anos depois. Em 2016 e 2013 ficou em segundo e ainda foi 5° em 2012 e 2014. Ou seja, Medina nunca perdeu antes da quartas de final na França.

Aqui, vale lembrar a incrível vitória dele no King of Groms de 2009 com duas notas 10 na final contra Caio Ibelli quando tinha apenas 15 anos.

Em 2016, a etapa foi decisiva para John John conquistar o título

Em 2016, a etapa foi decisiva para John John conquistar o título

Outra boa aposta é John John Florence. O atual campeão mundial venceu o evento em 2014 e foi 3° em 2012 e no ano passado. O havaiano ainda acumula mais dois 5° lugares e só perdeu cedo em sua estreia no tour em 2011.

Foco na missão: Jadson precisa repetir melhor resultado pra chegar tranquilo no Havaí

Foco na missão: Jadson precisa repetir melhor resultado pra chegar tranquilo no Havaí

No único título de John John no pico, o vice ficou com Jadson André. Foi a segunda e última final do potiguar na elite. Precisando de resultados para se manter no CT, ele pode tirar um
bom resultado por lá.

Olho nele! Julian vive boa fase e está em 3˚ lugar no ranking

Olho nele! Julian vive boa fase e está em 3˚ lugar no ranking

Com grande desempenho nos últimos eventos, Julian Wilson é mais um nome para se ficar de olho. O australiano perdeu para Medina na final de 2011, conseguiu um 3° lugar em 2015 e mais dois 5° em
2013 e no ano passado.

NOTAS:

  • 🏆Líder do ranking mundial, Jordy Smith chegou duas vezes até as semifinais, em 2011 e 2014.

  • 🌊 Joel Parkinson não está em sua melhor fase, mas já venceu o campeonato em 2006 e fez semifinais em 2012 e 2013.

  • 🥇 Campeão em Trestles, Filipe Toledo vai com força total para a França, onde foi 5° no ano passado e também 3° em 2013.

  • 🥉 Melhor brasileiro no ranking, Adriano de Souza tem como melhor resultado um 3° lugar em 2015.

  • 🏄 Italo Ferreira já tirou um 5° por lá em sua estreia no Circuito em 2015.

  • ⬇ Desesperado por bons resultados, Miguel Pupo tem bom histórico em Landes, com duas quartas de final, em 2012 e 2014.

  • 🇫🇷 Mesmo sem grandes resultados em Hossegor, Jeremy Flores corre em casa e pode se dar bem, assim como Joan Duru.

  • 🇵🇹 Quem também conhece bem o pico e já mostrou seu valor no tour é Frederico Morais. Caso tenhamos mar grande, o português pode aprontar, como fez em J-Bay. 

6.BEDE.jpg

          DE QUEM É A ZEBRA ?

Dessa vez as apostas ficarão em Bede Durbridge. O australiano, que já anunciou a aposentadoria, tem dois vice-campeonatos em Hossegor: perdeu em 2009 para Fanning e em 2015 para Medina.

 

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.