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Frustrada com WSL, Nicole Pacelli mantém sonho de entrar no Big Wave Tour

 Reprodução / Rafael G. Riancho

Reprodução / Rafael G. Riancho

Por Guilherme Dorini

Primeira brasileira a ser campeã mundial de stand up paddle (2013), Nicole Pacelli viu sua carreira no surfe de ondas grandes decolar nos últimos anos. Logo na primeira tempora em que decidiu focar nos paredões de água, já foi coroada com uma vaga na final do Big Wave Awards. O título não veio, mas a vitrine era gigante, e o futuro quase que automático: o próximo passo seria o recém-criado Big Wave Tour (BWT) feminino. Sua vontade, no entanto, não prevaleceu. O convite da World Surf League (WSL) nunca chegou, o que gerou um pouco de frustração na brasileira - mas não capaz de abalar o otimismo em seguir na luta pelo seu grande sonho.

"Sempre gostei de onda grande, de sentir aquele frio na barriga, ficar mais focada, mais atenta... Aí rolou o primeiro campeonato mundial feminino (de ondas gigantes) em Jaws, que foi ano retrasado (2016). Eu vi a lista [de participantes] e pensei: como é que eu vou entrar nesse campeonato? Queria muito. E o melhor jeito era pelo Big Wave Awards. Porém, o feminino só tem uma categoria, o de melhor performance", contou Nicole em um bate-papo com o Série ao Fundo.

 Reproução/Instagram

Reproução/Instagram

"Quando entrei para a Red Bull, eu já tinha um projeto que era pegar onda grande de stand-up. Falei para eles isso. Já tinha isso em mente: continuar no tour (de SUP) e pegar ondas grandes. Acabei indo para Jaws de stand up, fui a primeira mulher a surfar de SUP lá. Estava com esse foco, mas com standvup. Mas isso não é muito valorizado pela galera do big wave, eles não consideram muito", completou.

Se um pranchão com um remo não chamavam atenção suficiente nas ondas gigantes, Nicole acabou dançando com a música: deixou o SUP [um pouco] de lado e virou seu foco para as gunzeiras - e conseguiu ser notada.

"Fui para o Havaí com esse foco: 'vou me focar para tentar entrar no Big Wave Awards. Foi um ano que não deu muito swell, mas peguei uma boa em Waimea, uma de tow-in em Jaws e uma de stand up em Oahu, no meio do mar. Mandei para eles (WSL). Eles divulgaram e, depois, acabei entrando entre as finalistas. Foi uma realização muito grande conseguir isso já no primeiro ano em que decidi focar nisso. Não ganhei, mas fiquei em quarto. Com isso, fiquei esperando um chamado para o Mundial (BWT). Estava meio que subentendido que os finalistas entrariam no BWT. Estava certo que seria chamada, mas não rolou. Fui a única finalista a não ser chamada. Fiquei de alternate. Eles alegaram que mudaram o formato, fizeram só uma final de seis, no lugar das 12 do último ano", lamentou.

Como não existe um campeonato qualificatório para o Big Wave Tour, a única esperança de Nicole segue sendo o Big Wave Awards - a ideia é continuar atrás de ondas gigantes para ser notada pela WSL e, algum dia, conseguir o tão sonhado convite.

"É, vai ter que ser isso, mas esse ano já não entrei [no Big Wave Awards]. Pensei que ia entrar, peguei uma na remada em Nazaré (Portugal), foi bem grande... Tudo bem que só peguei essa onda e, para mulheres, é melhor performance. Então, se tivesse pegado outra, em outro lugar, teria entrado. Fiquei um pouco frustrada. Tem as meninas que estão lá há mais tempo, mas nenhuma tinha pegado onda na remada, com tamanho. Depois dessa onda, todo mundo veio me parabenizar. Mas acho que terei que fazer bem mais", disse.

Nicole sabe que, infelizmente, para entrar em uma competição deste nível, não basta apenas o desempenho dentro do mar. O histórico conta. E ela, com apenas 26 anos e recém-iniciada no circuito profissional de ondas gigantes, ainda precisa de algo a mais para tentar desbancar velhas conhecidas.

"Quero muito entrar. É bem difícil. Eu já vi muita gente que merecia estar ali, ter ganhado... Se você deixa na dúvida, se tá parecido com os mais conhecidos, eles colocam os caras... Já aconteceu até com o Chumbinho, ele era finalista junto comigo [do Big Wave Awards], estava muito na cara que ele ia ganhar e acabou em segundo. Por eu estar começando, tenho que fazer muito mais para ganhar meu espaço. Não posso ir lá e pegar uma onda parecida com a de uma menina que está há mais tempo, não tem como. Tenho que fazer dez vezes mais. Estou treinando bastante", concluiu.

Essas respostas fazem parte de um bate-papo que o SAF teve com Nicole Pacelli. Além do sonho em entrar para o Big Wave Awards, ela também comentou sobre o momento do surfe feminino no Brasil, seu início no SUP, sua evolução profissional, os próximos passos da carreira e os piores, e melhores, momentos dentro do mar.

A entrevista completa vai ao ar na semana que vem! Não percam!