Série ao Fundo

Do outside para o inside da sua casa

RANCH É OUTRO SURF

Por Edinho Leite

Sim, o Founder’s Cup of Surfing foi um sucesso, mesmo que nem todo mundo tenha entendido tudo. Afinal, foram muitas novidades de uma só vez.

O evento especial da WSL, no Surf Runch, apresentando uma nova realidade. Aliás, “trem ao fundo”. Uma onda de quatro em quatro minutos. E já tem gente reclamando que demora muito entre uma onda e outra. Poxa! Numa bateria normal, no mar, muitas vezes temos “restart” porque não veio uma marola sequer. Mas eu entendo. Já que é máquina, dá para melhorar. Mas o que pegou não creio que tenha sido o tempo entre uma onda e outra. Foi formato da transmissão da WSL.

A enxurrada de breaks comerciais cansou, no primeiro dia. Poderiam ter colocado replays melhores, comparações entre ondas dos atletas e, claro, gráficos informando melhor sobre pontuação e colocações. Assim, seria mais fácil acompanhar e torcer. Tudo bem, problema facilmente contornável.

ÁGUA E VENTO ou SÓ A FÍSICA QUÂNTICA EXPLICA
A onda feita pelo homem (com duplo sentido) poderia ter uma esquerda com a mesma forma da direita, mas, a pedido dos atletas em acordo com a WSL, preferiram que fossem um pouco diferentes. Na verdade já seriam, de todo jeito. Tanto a água quanto o vento, apresentam um comportamento tão complexo que ainda não foram completamente entendidos pela ciência, logo, fica difícil controlar. (leia: A Onda, de Susan Casey)

Não podemos esquecer que a máquina da Kswaveco faz ondas para lá e volta, fazendo ondas para cá, esquerdas e direitas, dependendo de onde fica o lá e o cá. Por isso, quando numa é terral, na outra é maral, fazendo com que não possam ser exatamente iguais, a não ser num dia de “ladal” ou sem vento. Não era o caso da previsão. Sim, sim, Mick Fanning foi surpreendido por um maldito terral que deixou a onda dele melhor e o confundiu. Perdeu, playboy! Disse a esquerda, mais cavadinha, que correu dele.

TORCIDA E PERFEIÇÃO
As ondas deixaram bem claro o nível em que os atletas competiram. Kelly, o síndico do pico, errou várias vezes justamente por tentar surfar no limite. Ou seja, a presença do público (Slats disse que era diferente surfar com aquela gente toda no muro, gritando) mostrou que alguns atletas sucumbiram à pressão em momentos onde ela já estava estourando a tampa.

Torcida.jpg

O fato das ondas serem tão previsíveis (o que as aproxima da perfeição), mesmo não exatamente iguais, força os atletas a abdicarem do desempenho baseado no improviso. Surfar com sua linha previamente calculada pede muita exatidão na execução e uma boa dose de criatividade. É outro setup mental. Se errar não tem como remar para o fundo e buscar outra onda, especialmente na final. No round eliminatório ainda tiveram três chances cada um.

Quando você comete um erro nesse tipo de onda/competição fica muito visível. Que o digam Parko, Wilko, John John, Igarashi, Kolohe, Builtendag e Steph, só para citar grandes nomes que viram várias vezes o trem, digo a onda, passar dando tchau. Não vou incluir a Tainá por entender que ela está em outro patamar... falo dela logo mais.

SUBJETIVIDADE
Por mais controlada que tenham sido as variáveis, minimizando a subjetividade do que poderia ser feito naquela pista, não tem jeito. Para o meu gosto a direita do Kelly na final teria uma nota, se não mais alta, mais próxima da nota do Jordy. Mas, ok, achei justo. No fim das contas, Jordy foi realmente um grande destaque o tempo todo.

CONSTATAÇÕES

Quer imprevisibilidade? Tá aí: O Brasil, no fim do primeiro dia, parecia ter pouca chance de chegar à final. Ninguém estava apostando muito no time do “Resto do Mundo” (horrível essa nomenclatura).

A água doce deslocada naquele lago, diferentemente do mar, deixa a prancha com quase a mesma velocidade relativa dela. Além disso, é mais pesada. Resultado: menos tração nas quilhas, em várias situações. Pernas exauridas e muitas ondas foram perdidas.

Fica a dica. Pranchas para esse tipo de onda não precisam ser tão leves. Podem ser de EPS, com menos espessura, litragem, do que você usa normalmente. Ficam mais sensíveis assim e, afinal de contas, ninguém tem que remar muito para entrar na onda.

A troca de pranchas do Jordy, muito embora fossem duas ondas quebrando de maneira diferente, deixou bem claro que, sim, pranchas assimétricas ainda vão ganhar espaço. Agora temos realmente onde testá-las, assim como qualquer outro modelo.

Havia o nervosismo, mas ficou claro o quanto Tainá melhorou, da primeira à última onda, surfando sete delas. Que escola divertida esse lago.

Medina foi o mais power, sangue frio e, vai pra p... que técnica de tubos de back é aquela?! Incrível.

Filipe foi o mais elétrico e criativo, não só pelas manobras, mas onde as encaixou.

Podemos esperar uma nova geração de surfistas que não sabem nadar, nunca entraram no mar, não precisam lidar com seus medos, mas sabem voar, entubar e vão ter pernas muito fortes.

O surf acaba de asfaltar outro caminho para treinos e competições. Eventos com times de marcas de pranchas, confrontos de equipes, cronometragem de tubos, aéreos mais altos, mais inusitados. Tudo isso estará no cardápio competitivo logo mais. Podem esperar.

Slater surfa muito, mesmo tendo errado várias, por tentar surfar tão no limite da onda e da performance, aos 45.

Happy Gilmore na esquerda, de cabelos secos. Isso não é análise, eu sei, mas não me sai da cabeça.

Sim, é outro esporte. Perfeito para TV e lugares onde não há ondas de mar. Olímpico, pois só depende do preparo, técnica, talento e criatividade do atleta.

As ondas artificiais de água doce nunca substituirão o mar, mas, confesse, você gostaria de uma dessas por perto naqueles dias de flat, não?

   
  
   
  
    
  
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Na onda da KSWAVECO a imprevisibilidade fica por conta dos atletas e muito menos, quase nada, da onda.