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Alejo Muniz descarta competir pela Argentina por sonho olímpico

  WSL / MOHAMED NAVI

WSL / MOHAMED NAVI

Por Guilherme Dorini

Disputar uma Olimpíada é o sonho de qualquer atleta e, muitos deles, fariam qualquer coisa para atingir tal objetivo. Após a confirmação da entrada do surfe no programa olímpico para os Jogos de 2020, em Tóquio, mudanças importantes foram notadas neste sentido: surfistas optaram por defender outros países - que, é claro, possuíam alguma relação - para ficarem mais perto da competição. O mesmo comportamento poderia ser adotado por Alejo Muniz, argentino naturalizado brasileiro, que, no entanto, rejeitou tal ideia.

"Já passou pela minha cabeça, mas não é uma coisa que quero para agora. Adoro a Argentina, amo lá, acabo representando eles de alguma forma quando estou competindo, tenho muitos amigos que torcem por mim por lá, mas, se a Argentina for, e tomará que vá, já tem ótimos representantes, meu irmão está lá para representar da melhor forma possível. Ainda não sabemos como serão as vagas, mas vou tentar conseguir pelo Brasil se tiver alguma chance", disse em conversa com o Série ao Fundo.

Santiago Muniz, caçula de Alejo, é tido como a grande aposta da Argentina no surfe mundial. Radicado em Santa Catarina, onde cresceu com a família, ele compete hoje pelo país vizinho, diferente de seu irmão, que segue com o verde e amarelo.

Santiago, inclusive, mostrou por que Alejo está certo em apostar em seu potencial. No mês passado, no Japão, ele foi o grande campeão do World Surfing Games, organizada pela ISA, grande responsável pela entrada do surfe nos Jogos Olímpicos.

"Os argentinos têm tanta paixão pelo esporte... É um sentimento maravilhoso ouvir eles gritando meu nome. É um momento excelente, estou muito empolgado. Tento apenas fazer o meu melhor e continuar degrau por degrau. Estou empolgado com o próximo ano, se eu vencer, capaz de ter alguma chance de estar em Tóquio 2020. É um sonho se tornando realidade", expressou Santiago após receber a medalha de ouro.

Na grande decisão, um de seus concorrentes era justamente Kanoa Igarashi, americano com ascendência japonesa, que optou por começar a competir pelas cores da bandeira do país asiático neste ano, aumentando, assim, suas chances de estar na Olimpíada.

  WSL / DAMIEN POULLENOT

WSL / DAMIEN POULLENOT

Outro exemplo desta mudança de país é Tatiana Weston-Webb. Filha de brasileira, a havaiana decidiu "trocar" de nação, agora para a verde-amarela, justamente pelos Jogos Olímpicos.