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WSL valorizou campeões, mas irregularidade tirou Italo do Mundial

Por Guilherme Dorini

 Reprodução/Instagram

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Você pode até estranhar. Como assim o Italo Ferreira é o maior campeão da temporada e não estará na disputa do título mundial no Havaí? Realmente soa estranho, incomoda, mas é a mais pura verdade. Apesar de ser o maior vencedor de etapas do ano - subiu três vezes no lugar mais alto do pódio -, o brasileiro não tem mais chance de conquistar seu primeiro título mundial. E olha que a World Surf League até tentou ajudar...

Explicamos. Até a temporada passada, a pontuação funcionava da seguinte forma:

1º - 10.000
2º - 8.000
3º - 6.500
5º - 5.200
9º - 4.000
13º - 1.750
25º - 500

Para 2018, a WSL mudou realizou mudanças sutis:

1º - 10.000
2º - 7.800
3º - 6.085
5º - 4.745
9º - 3.700
13º - 1.665
25º - 420

A única pontuação que se manteve igual a da temporada passada foi a do primeiro lugar, ou seja, mesmo que tenham sido pequenas as mudanças, a intenção sempre foi beneficiar os campeões das etapas, para que isso pudesse ser ainda mais decisivo na disputa do título mundial. Mas, pelo menos até agora, não foi.

Com duas vitórias cada, Filipe Toledo (Rio e J-Bay), Julian Wilson (Gold Coast e França) e Gabriel Medina (Taiti e Surf Ranch) são os únicos com chances de conquistarem o Mundial em Pipeline, no Havaí. Italo, por mais que tenha vencido uma vez a mais que os três - faturou Bells Beach, Bali e Portugal - já está fora.

 WSL

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Vencer três vezes no mesmo ano é espetacular e diz muito do que podemos esperar do surfista potiguar, mas é necessário mais regularidade. Além das três primeiras colocações, Italo só conseguiu somar mais uma boa posição, um quinto no Taiti. Nas outras seis etapas, foi cinco vezes 13º (Gold, Rio, Uluwatu, Ranch e França) e uma vez 25º (J-Bay, seu primeiro descarte).

DÉJÀ VU?

 Kelly Cestari/WSL

Kelly Cestari/WSL

E essa situação não é novidade para um brasileiro. O último atleta a conseguir tal "proeza" foi justamente Filipe Toledo. Em 2015, o surfista de Ubatuba havia, assim como Italo, faturado três etapas (Gold Coast, Rio e Portugal), mas também foi atrapalhado pela falta de regularidade na temporada. Mesmo com os três troféus, terminou o ano apenas na quarta posição da classificação geral, atrás de Gabriel Medina, que só havia conquistado um título, Mick Fanning, que levou dois, e Adriano de Souza, que acabou se tornando campeão mundial com apenas duas vitórias (Margaret e Pipeline).