Série ao Fundo

Do outside para o inside da sua casa

TÁ QUEBRANDO PRA QUEM?

Por Guilherme Daolio

O Série ao Fundo apresenta o segundo termômetro da Tempestade Brasileira que sempre analisa o momento dos nossos surfistas após cada etapa do Mundial de Surfe. Se o atleta foi bem no último evento, ele estará CLÁSSICO. Se ficou naquele meio termo, nem brilhou e nem decepcionou, estará na MAROLA. E se a última etapa não saiu como esperado, ele ficará FLAT.

Em Trestles, tivemos mais uma etapa com todas as sensações possíveis entres os brasileiros: Título, bons resultados, eliminações precoces e definições para a próxima temporada. Então vamos ver como ficou o nosso termômetro: 

CLÁSSICO

1 – Filipe Toledo

• Campeão em Trestles (ganhou de Jordy Smith na final)

• 7° no ranking (subiu duas colocações)

• O que busca: Top 3

Apenas um surfista venceu mais de uma etapa no ano. E esse atleta é Filipinho. O surfista de Ubatuba mostrou que surfar no quintal de casa realmente faz a diferença. E não teve pra ninguém. Vitória incontestável com o já conhecido show de aéreos e também com as belas rasgadas que lhe deram o título em J-Bay.

Com o vice de Jordy, o inédito título mundial parece muito distante. Por enquanto, a briga é para ficar entre os três primeiros. Vai com força total para a França, onde foi 5° no ano passado e, em 2013, chegou em 3°.

2 – Jadson André

• 9° em Trestles (perdeu para Adrian Buchan no Round 5)

• 28° no ranking (subiu quatro colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Há tempos não víamos Jadson tão concentrado, focado e com ótimas escolhas de ondas igual em Trestles. O potiguar surfou muito, tirou Gabriel Medina com autoridade e por muito pouco não avançou direto pras quartas. No Round 5 não teve jeito: Ace Buchan foi melhor e o eliminou da competição. Mesmo com o 9° lugar, Jadson ainda está 5.250 pontos atrás da linha de corte do rebaixamento.

Hossegor pode ser uma boa oportunidade para Jadson buscar outro grande resultado e se manter na elite. Foi lá que ele fez sua segunda e última final no CT, quando perdeu para John John Florence em 2014.

3 – Adriano de Souza

• 5° em Trestles (perdeu para Adrian Buchan nas quartas de final)

• 6° no ranking (manteve a mesma colocação) 

• O que busca: Top 3

O 5° lugar não foi o que Mineiro esperava em Trestles, mas a forma como se preparou física e mentalmente foram espetaculares. Do primeiro segundo de bateria até a entrevista depois de cada round pudemos ver um atleta focado e com aquela gana que lhe deu o título mundial em 2015. Muitos consideraram a derrota para Ace Buchan polêmica, mas independentemente disso, o surfista do Guarujá voltou aos bons resultados após três 13° nos últimos três eventos.

Ele ainda é o melhor brasileiro no ranking, mas o bicampeonato parece cada vez mais difícil pela consistência de Jordy e John John. Na França, Adriano tem como melhor resultado um 3° lugar em 2015. No ano passado foi 9° por lá.

MAROLA

4 – Gabriel Medina

• 13° em Trestles (perdeu para Jadson André no Round 3)

• 8° no ranking (caiu uma colocação) 

• O que busca: Top 3

Trestles era extremamente importante para as pretensões de Medina na temporada. Após um primeiro round tranquilo, o nosso campeão mundial encontrou um inspirado Jadson André em um mar difícil. Mesmo assim, ainda achou boas manobras, o que não foi o suficiente. Os 15 mil pontos de diferença para o líder do Mundial serão difíceis de serem tirados nas três etapas restantes.

Mas na França todos sabem que Medina é o homem a ser batido. Ele ganhou em sua estreia no circuito em 2011 e repetiu a dose em 2015. No ano passado e, também em 2013, ele foi vice. Pra finalizar o ótimo retrospecto, ele tem mais dois 5° lugares em 2012 e 2014.

5 – Italo Ferreira

• 13° em Trestles (perdeu para Sebastian Zietz no Round 3)

• 23° no ranking (manteve a mesma colocação) 

• O que busca: Permanência na elite

 

É uma pena que Italo tenha se machucado logo no início da temporada. Após um 5° lugar na Gold Coast, o potiguar tinha tudo para fazer seu melhor ano na elite e brigar na parte de cima do ranking em 2017. Depois de perder três eventos, seu melhor resultado foi um 9° em Fiji. Em Trestles, Italo surfou bem no Round 1, mas tomou a virada no fim contra John John. Passou tranquilo pelo Round 2, mas não se encontrou contra Sebastian Zietz na sequência.

Italo tentará reencontrar os bons resultados em Hossegor, onde fez um 5° lugar em 2015. A perna europeia será importante para ele não chegar em Pipeline precisando de resultados para se manter na elite do surfe. Vale lembrar que o atleta pode reivindicar a vaga de atleta lesionado, a depender de avaliação da WSL.

6 – Wiggoly Dantas

• 13° em Trestles (perdeu para Adrian Buchan no Round 3)

• 21° no ranking (caiu duas colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Guigui saiu de Teahupoo com seu melhor resultado na temporada, mas o 5˚ lugar no Taiti não foi suficiente para ele embalar no tour. Com mais um 13° na conta, o surfista de Ubatuba caiu duas colocações e está em 21°, muito perto da zona de rebaixamento.

Para piorar, Wiggolly vai precisar quebrar um tabu pessoal na França, uma vez que, nos dois anos que competiu por lá, não venceu uma bateria sequer.

FLAT

7 – Miguel Pupo

• 13° em Trestles (perdeu para Filipe Toledo no Round 3)

• 31° no ranking (subiu uma colocação) 

• O que busca: Permanência na elite

Miguel Pupo vive uma situação as mais complicadas no tour. O surfista de Maresias é o pior entre os brasileiros no ranking e precisa urgentemente de grande resultados para não voltar a disputar o QS em 2018. Em Trestles tinha tudo para se dar bem, mas parou em Filipinho no round 3 e perdeu a chance de diminuir a enorme distância do Top 22.

Miguelito tem mais uma boa chance na França, já que acumula dois 5° lugares em Hossegor nos anos de 2012 e 2014. É agora ou nunca.

8 - Caio Ibelli

• 25° em Trestles (perdeu para Kanoa Igarashi no Round 2)

• 22° no ranking (caiu duas colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Após a lesão, Caio Ibelli não teve um bom retorno. O paulista acumulou seu segundo 25° seguido e está na 22° colocação do ranking, exatamente na última posição para ficar no CT no ano que vem. A vantagem é ter um vice em Bells, mas mesmo assim não dá pra relaxar. Caio treinou muito para Trestles, mas não conseguiu se encontrar e foi facilmente batido nas duas baterias que participou.

Em sua estreia no tour no ultimo ano, ele foi bem na França e saiu de lá com um 9° lugar. Não seria nada mal repetir o resultado e respirar um pouco mais aliviado neste final de ano.

9 – Ian Gouveia

• 25° em Trestles (perdeu para Ezekiel Lau no Round 2)

• 27° no ranking (caiu duas colocações) 

• O que busca: Permanência na elite

Fechando o nosso termômetro da Tempestade Brasileira está Ian Gouveia. O bom desempenho em Teahupoo, apesar do 13° lugar, deu boas esperanças para Califórnia, mas não foi o que aconteceu. O recifense não conseguiu tirar nenhuma nota acima doas 6,27 e foi facilmente superado nos dois primeiros Rounds.

Ian caiu para 27° no ranking e precisa estrear em Hossegor com um bom resultado para manter vivas as chances de permanência na elite do surfe mundial na próxima temporada.

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.