Série ao Fundo

Do outside para o inside da sua casa

#TBT - ThrowBackTour /Medina x Slater Teahupoo 2014

Sabe aquele dia que a saudade bate? Muita gente chama de Throwback Thrusday ou #TBT . No surfe é quase isso: apresentamos o nosso #TBT - Throw Back on TOUR

Assistindo Gabriel Medina na final de domingo, passando pelas baterias só 'botando pra baixo' contra todos os adversários, ficou impossível não lembrar da etapa mais incrível de todos os tempos naquele mesmo pico, três anos atrás. Aliás, isso não é só a gente que acha não! Na verdade, o Série Ao Fundo acha. Não é, Renan Rocha?

"Essa final foi histórica. Gabriel novo, Kelly experiente com um backside fenomenal naquela onda, tem o tempo da onda. Ele é um mito, pois sabe achar as três ondas que quebram na bancada, independente da direção do swell. E o Gabriel era moleque, brasileiro, cheio de sangue nos olhos, botando pra baixo. Típica bateria que qualquer documentário ela se fará presente. Dois grandes nomes e altas ondas.” - Renan Rocha sobre a final de 2014

Altas ondas literalmente.  As bombas que estouravam na bancada rasa de Teahupoo estavam entre 10 a 12 pés. A natureza oferece e os surfistas agradecem: foram 11 baterias com somatórios acima dos 19 pontos. Ainda mais incrível foram as SETE notas perfeitas e, de quebra, uma semifinal John John x Kelly, que garantiu o prêmio de bateria do ano. Depois de assistir o vídeo, você também não terá dúvida do porquê.

Enfim chegamos a final. De um lado, o surfista mais novo do tour contra o (até então) tetracampeão da etapa. Foram 10 minutos de tensão e se fez necessário um restart na bateria. A sirene tocou pela segunda vez e Medina, quase de imediato, começou um show. Entre as duas primeiras ondas surfadas (ambas do brasileiro) ainda deu tempo do 11x campeão errar e passar a prioridade ao camisa amarela, que agradeceu com um 9.07, abrindo 16.97. Do outro lado, Kelly continuou com 0 pontos. Nem o brasileiro mais otimista poderia prever esse início. 

Mas com lembramos sempre: o maior vencedor do troféu Harry Potter não costuma errar. Até a final Kelly não tinha errado um drop sequer. E foi com essa perfeição que ele encostou no placar  (18.96 X 18.60) . Quando tudo parecia certo para a sua virada, a baforada deixou claro : ninguém é perfeito. Nem mesmo Kelly Slater.

Edinho escreveu sobre esse episódio único no Tour. E é ele quem finaliza a história desta quinta: 

Na final mais eletrizante dos últimos anos, Kelly ainda teve mais uma chance. Não acreditou quando Medina deixou a onda. O brasileiro parecia saber que aquela onda não seria a da virada. E não foi. Os 9.30 resultaram no placar de 18.96 X 18.93.

Achou um exagero falarmos que essa foi a bateria mais incrível de todos os tempos? Não fomos nós que dissemos isso. Na verdade, foi ele. Com a palavra, o mestre dos mares:

"O que eu posso dizer? O que o oceano nos entregou hoje é essa semana foi incrível! Eu nunca imaginei ver algo como isso. Hoje será um dos melhores dias de surfe da minha carreira, sem dúvidas (...) Parabéns ao Gabriel. Ele teve neste ritmo durante todo o evento e, especificamente na final. Ele está ‘on fire’ esse ano"  - Kelly fala após a derrota por 0.03 pontos. 

O resto é história. Mas que dá saudade…ah! Isso dá!