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POR QUE O SURFE? POR QUE O HAVAÍ?

Qual a semelhança entre um Superman e um Jordy Smith?

Ambos foram, indiretamente, motivados ou criados por um cara chamado Lorde Byron. O poeta sequer conheceu o surfe, mas deixou claro em sua obra a vontade de viver do mar. Leia a estrofe abaixo e tente não imaginar essas palavras como a essência do surfe:

"Há um prazer nas florestas desconhecidas;
Um entusiasmo na costa solitária;
Uma sociedade onde ninguém penetra;
Pelo mar profundo e música em seu rugir;
Amo não menos o homem, mas mais a natureza..."
A Peregrinação de Childe Harold, Lorde Byron (1818)

Seria ótimo para qualquer postagem de Instagram, mas estes versos foram escritos em 1818. Pai do romantismo, Lorde Byron, escreveu em "A Peregrinação de Childe Harold". Neste livro ele fala sobre um jovem corajoso, sofisticado e sem nenhum respeito a regras e autoridades. Dessa forma, o byronismo* não mudou só o romantismo, mas mostrou os mesmos heróis em peças de teatro e filmes. 

Aproveitando a ideia de fuga da cidade, o governo americano criou uma política pública para a inovação que a nova classe industrial trouxe: férias. Este filme, datado de 1906, feito pela Thomas Edison Filmes (o mesmo ‘pai’ da lâmpada), mostra a primeira propaganda de uma 'surftrip': 

Quanto mais a classe média crescia nos EUA, mais gente o Havaí recebia. Há quem se abrigava para as sonhadas férias de verão, outros fugiam de um mundo caótico e em guerra - como já previra Lorde Byron. Fato é que o arquipélago se transformara no paraíso de muitos americanos. Tom Blake, descreveu com perfeição o que é ver e viver nas ilhas:

"A água é tão quente que não está consciente disso. A vista das palmeiras na costa, os hotéis [de Waikiki], as montanhas e as nuvens são maravilhosas e para mim, a parte do prazer do surf. A hora antes do pôr-do-sol é o melhor de tudo, pois as montanhas tomam todos os tons de verde imagináveis, enquanto as nuvens próximas deles assumem todos os tons de branco e cinza. Os arcos-íris são freqüentemente vistos nos vales distantes.”
 Hawaiian Surfboard; Tom Blake (1935)

Bom, essa visão é facilmente vista em postagens vinda da ilha e foi a ideia explorada em durante o século XX. Se o Brasil é o país do futebol, devemos elevar o Havaí a estado devido a importância que ele tem para o surfe. Sendo assim, o país manteve a cultura do esporte intacta e age em plena expansão no século XXI. 

Falar que o Havaí é a capital do surfe ainda não explica o porquê desse arquipélago ser a ‘Meca’ entre quem pega onda. Não é só pelo desejo de incorporar o anti-herói e ser um nômade vagabundo, à serviço da natureza. A perfeição em forma de onda está lá. É disso que falaremos amanhã e aqui, no serieaofundo.com/noticias