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WILLIAN "PANDA" EXPLICA A VIDA, NÃO O SURFE

Não se trata de surfe. Se trata de vida. 

E o Willian Cardoso é a personificação da expressão “não desista dos seus sonhos”. Afinal, qual surfista profissional resistiria ao tentar, pela 10ª vez e aos 31 anos, entrar na elite SEM UM PATROCÍNIO? 

Eu, você e muita gente não acreditaria. No entanto, nenhum de nós viveu de tão perto e de tão longe o CT. No período da ASP, Willian chegou a ser alternate e ficou entre uma (2012) e duas (2013) vagas do CT. Aí veio a era WSL. Foram momentos difíceis, com 83º lugar para fechar o terrível ano de 2016. O início de um novo ano foi o fim de uma parceria com a Rusty. 

Sem dinheiro como viajar? Através de um sonho. E foi "indo dormir e sonhando acordado", como ele mesmo disse, que levou o vice-campeonato em Ballito (África do Sul), perdendo apenas para o vice-campeão mundial em 2016, Jordy Smith. 

O QS 10000 sul africano foi o momento da virada. Na verdade, Ballito poderia ser seu último momento, como ele próprio diz:

“Estava sem perspectiva, não sabia o que iria fazer depois de Ballito. O prémio em dinheiro que recebi foi muito bom e agora tenho verba para disputar sem problemas os próximos grandes eventos do WQS. Na verdade, o Ballito Pro criou um objetivo que até então nem existia e me possibilitou correr atrás dele” 
(Entrevista ao Santa Radical )

O dinheiro da premiação virou investimento em uma 'ponte' entre ele e o CT. Com quase 12 mil em pontuação, a meta de 19 mil não era um sonho tão distante. Ficar atrás apenas de Jordy mostrou que o Panda de 2017 ainda tinha o mesmo surfe que , em 2013, desbancou o 11x campeão, Kelly Slater , em Bells Beach. 

A vitória não foi por acaso. Quem conhece Willian sabe que ele é um competidor nato. Um perfil construído com participação indireta de seu mentor no surfe, seu vizinho e presidente da ASBC (Associação de Surf Balneário Camboriú ) Eduardo Amorim. 

Desde que entrou no surfe competitivo, aos 12 anos, ele já esteve no pódio de tudo. Para estar no topo do mundo foi necessário muitas batalhas contra Kellys, Tajs e o próprio Willian (ou você não se questionaria após tantos `quases'?). Mas como um competidor nato, ele também sabe perder. Foi incrível reparar em um US Open (2014) como Panda admitiu a derrota sobre Filipe Toledo diante de uma arquibancada cheia. Lá, ele não teve dúvidas em admitir quem estava mais conectado com o mar (a partir do 2min51seg) : 

Se isso não for uma lição  de vida…eu não sei o que você entende de surfe.