Série ao Fundo

Do outside para o inside da sua casa

TÁ QUEBRANDO PRA QUEM?

O Série ao Fundo apresenta o quarto termômetro da Tempestade Brasileira, que sempre analisa o momento dos nossos surfistas após cada etapa do Mundial de Surfe. Se o atleta foi bem no último evento, ele estará CLÁSSICO. Se ficou naquele meio termo, nem brilhou e nem decepcionou, estará na MAROLA. E se a última etapa não saiu como esperado, ele ficará FLAT.

A etapa de Peniche não foi muito boa para a maioria dos brasileiros, mas teve gente que se deu bem e acabamos tendo de tudo entres nossos surfistas: Título, bom resultado, eliminações precoces e definições para a próxima temporada. Então vamos ver como ficou o nosso termômetro da Tempestade Brasileira.

CLÁSSICO

1 – Gabriel Medina

  • Campeão em Peniche (ganhou de Julian Wilson na final)
  • 2° no ranking (subiu uma colocação)
  • O que busca: Título Mundial
1 – Gabriel Medina.jpg

Uma perna europeia para a história. Assim podemos definir as campanhas de Medina na França e em Portugal. Com uma leitura do mar perfeita e a já conhecida habilidade nos tubos e aéreos, o surfista de Maresias se sentiu em casa em Peniche, acelerou na ‘hora H’, levou mais um troféu pra casa e ainda se vingou de Julian Wilson na decisão. Afinal, em 2012, o australiano ficou com o título da etapa após uma decisão mais do que polêmica dos juízes. A virada no minuto final foi de quem está com a cabeça muito boa.

Gabriel está mais na briga pelo título do que nunca. Ele ficou a 3100 pontos do líder John John Florence e precisa passar dois rounds a mais do que o havaiano se quiser garantir o bicampeonato. E não duvidem dele em Pipeline, pois Medina já fez duas finais por lá, em 2014 e 2015. Vai ser briga de gente grande no quintal de John John!

2 – Miguel Pupo

  • 5° em Peniche (perdeu para Kanoa Igarashi nas quartas de final)
  • 23° no ranking (subiu quatro colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite
2 – Miguel Pupo.jpg

Outro que aproveitou muito bem a temporada europeia foi Miguel Pupo. Com um surfe agressivo e calma na escolha das ondas, Miguelito fez mais um quinto lugar. Ele passou direto pelo Round 1, tirou Adriano de Souza no Round 3 e despachou um embalado Josh Kerr no Round 5. Faltou uma segunda onda para superar Kanoa Igarashi e enfrentar o amigo de infância, Gabriel Medina, na semi.

Miguel subiu para 23º e neste momento estaria se garantindo no tour, pois logo a sua frente está Bede Durbidge, que se aposentará após Pipeline. Com certeza vai com a cabeça mais tranquila para o Havaí, onde foi 5º em 2013 e 9º em 2012.

MAROLA

3 – Caio Ibelli

  • 13° em Peniche (perdeu para Mick Fanning no Round 3)
  • 18° no ranking (subiu uma colocação) 
  • O que busca: Permanência na elite
3 – Caio Ibelli.jpg

Quem acompanhou apenas a primeira bateria de Caio certamente o colocaria como flat nessa etapa. Ele somou apenas 2.03 e foi atropelado por Julian Wilson e Leo Fioravanti. Mas se recuperou na repescagem; não deu chances para Wiggolly Dantas e só não foi mais longe em Portugal porque lhe faltou uma segunda onda forte contra Mick Fanning. Mesmo com a maior onda da bateria, ele se despediu com o 13° lugar. E ainda afirmou que voltou a sentir dores no tornozelo.

Ter feito ao menos um 9° seria importante para já se garantir na elite, mas agora a decisão vai para Pipeline, onde em seu ano de estreia no tour não passou do Round 2.

4 – Adriano de Souza

  • 13° em Peniche (perdeu para Miguel Pupo no Round 3)
  • 7° no ranking (manteve a mesma colocação) 
  • O que busca: Top 5
4 – Adriano de Souza.jpg

A história de Mineiro em Peniche é muito parecida com a de Hossegor. Ele pegou um Jack Freestone inspirado em sua primeira bateria e foi para a repescagem, onde atropelou Stu Kennedy. No Round 3, estava com sangue nos olhos e fez um 9.27 impressionante, mas a falta de uma segunda nota fez com que Miguel Pupo o eliminasse novamente no Round 3. As pequenas chances de título mundial ficaram por ali.

Todos conhecem o Capitão Nascimento e sabem que ele vai entrar focado em Pipe, independente da posição no ranking. Adriano venceu o evento mais tradicional do surfe no ano de seu título mundial, em 2015.

5 – Italo Ferreira

  • 13° em Peniche (perdeu para Kolohe Andino no Round 3)
  • 25° no ranking (caiu duas colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite

Italo saiu decepcionado com seu resultado na França e foi o primeiro a chegar em Peniche para treinar. Ele e Jadson André pegaram tubos gigantescos e pareciam prontos para brilhar no campeonato, mas não foi isso o que rolou. Na primeira bateria, o potiguar somou apenas 2.04. Na repescagem passou tranquilo por Jeremy Flores, mas tomou a virada no fim de Kolohe Andino e se despediu com uma preocupante 13ª colocação. Era a chance de ir longe e não depender de reclassificação por lesão ou pelo QS.

No Havaí, Italo parou duas vezes no Round 3. Para se garantir na elite pelo CT sem contar com a vaga destinada aos lesionados, precisará de mais que isso.

FLAT

6 – Filipe Toledo

  • 25° em Peniche (perdeu para Leonardo Fioravanti no Round 2)
  • 9° no ranking (caiu uma colocação) 
  • O que busca: Top 5 
6 – Filipe Toledo.jpg

Nada foi divulgado oficialmente, mas, ao que parece, uma lesão nas costas atrapalhou Filipe novamente em Portugal. Com sua ótima leitura do mar, o ubatubense até conseguiu boas notas em suas duas baterias, mas em ambas faltaram aquelas segundas notas que mudariam seu destino. E em um mar complicado, os aéreos poderiam ter sido boas saídas, mas ele nem arriscou. A briga pelo título mundial ficará para o ano que vem. E Filipinho entrará como favorito, prova disso é a evolução que mostrou ao longo da temporada.

Em Pipe, ele foi 5° em 2014 e 9° no ano passado. Recuperado, tem tudo para brigar pelo terceiro título no ano.

7 – Ian Gouveia

  • 25° em Peniche (perdeu para Connor O’Leary no Round 2)

  • 27° no ranking (caiu 2 colocações) 

  • O que busca: Permanência na elite

7 – Ian Gouveia.jpg

Foi nítido tanto na França como em Portugal que Ian teve uma melhor escolha de ondas do que vinha tendo no tour. Com certeza a presença do pai Fabio Gouveia o ajudou nisso. Mas os resultados não foram os esperados. O novato pegou um primeiro Round muito complicado e também não se encontrou no line-up na repescagem, sendo facilmente batido por Connor O’Leary. Surfe ele tem, mas falta aquele detalhe para passar mais baterias e sair do sufoco.

Ian é rookie e nunca competiu em Pipeline. Ele sabe entubar e vai precisar mostrar isso para ir muito longe e correr o CT novamente em 2018.

8 – Jadson André

  • 25° em Peniche (perdeu para Kolohe Andino no Round 2)
  • 32° no ranking (caiu duas colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite
8 – Jadson André.jpg

Assim como Italo Ferreira, Jadson saiu de Hossegor direto para Peniche. Os treinos foram muito bons e o potiguar deu aula de tubos para a esquerda. Mas no campeonato não conseguiu encaixar seu surfe no Round 1 e sofreu com o tubo gigante que Kolohe Andino pegou nos primeiros minutos da repescagem. Mais um 25° e a situação está delicadíssima para ele.

Nunca devemos descartar o poder de reação e superação de Jadson, mas em Pipeline ele nunca foi além de um 13°. Vai precisar de muito, mas muito mais que isso para se garantir pelo CT. No QS precisa brilhar novamente na perna havaiana para ter chances de ficar entre os 10 primeiros.

9 – Wiggolly Dantas

  • 25° em Peniche (perdeu para Caio Ibelli no Round 2)
  • 24° no ranking (caiu duas colocações) 
  • O que busca: Permanência na elite
9 – Wiggolly Dantas.jpg

Fechando o nosso termômetro da Tempestade Brasileira está Wiggolly Dantas. A perna europeia não foi nem de longe como GuiGui esperava. Dois 25° e pressão para se manter na elite. Sua maior nota em todo o evento foi um 2.17. Enquanto a maioria dos surfistas conseguiram encontrar ao menos um bom tubo, o especialista nesse tipo de onda pecou nas escolhas e não incomodou os adversários. Está na berlinda e precisa de resultado na última etapa.

Entre os brasileiros do tour, Wiggolly é o que tem mais intimidade com o Havaí. Mas mesmo tendo vivido no pico por muito tempo, os desempenhos em competição não foram bons, com um 25° em 2015 e um 13° em 2016. A hora é agora!

 

Guilherme Daolio é um jornalista que gosta daquele estilo clássico e tradicional, com as linhas extensas e bem desenhadas. Mas também está sempre de olho nas inovações e tenta sempre colocar o estilo progressivo para falar com todos os públicos. Guilherme é editor de texto e cuida dos esportes radicais na ESPN Brasil.