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WSL valorizou campeões, mas irregularidade tirou Italo do Mundial

Por Guilherme Dorini

 Reprodução/Instagram

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Você pode até estranhar. Como assim o Italo Ferreira é o maior campeão da temporada e não estará na disputa do título mundial no Havaí? Realmente soa estranho, incomoda, mas é a mais pura verdade. Apesar de ser o maior vencedor de etapas do ano - subiu três vezes no lugar mais alto do pódio -, o brasileiro não tem mais chance de conquistar seu primeiro título mundial. E olha que a World Surf League até tentou ajudar...

Explicamos. Até a temporada passada, a pontuação funcionava da seguinte forma:

1º - 10.000
2º - 8.000
3º - 6.500
5º - 5.200
9º - 4.000
13º - 1.750
25º - 500

Para 2018, a WSL mudou realizou mudanças sutis:

1º - 10.000
2º - 7.800
3º - 6.085
5º - 4.745
9º - 3.700
13º - 1.665
25º - 420

A única pontuação que se manteve igual a da temporada passada foi a do primeiro lugar, ou seja, mesmo que tenham sido pequenas as mudanças, a intenção sempre foi beneficiar os campeões das etapas, para que isso pudesse ser ainda mais decisivo na disputa do título mundial. Mas, pelo menos até agora, não foi.

Com duas vitórias cada, Filipe Toledo (Rio e J-Bay), Julian Wilson (Gold Coast e França) e Gabriel Medina (Taiti e Surf Ranch) são os únicos com chances de conquistarem o Mundial em Pipeline, no Havaí. Italo, por mais que tenha vencido uma vez a mais que os três - faturou Bells Beach, Bali e Portugal - já está fora.

 WSL

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Vencer três vezes no mesmo ano é espetacular e diz muito do que podemos esperar do surfista potiguar, mas é necessário mais regularidade. Além das três primeiras colocações, Italo só conseguiu somar mais uma boa posição, um quinto no Taiti. Nas outras seis etapas, foi cinco vezes 13º (Gold, Rio, Uluwatu, Ranch e França) e uma vez 25º (J-Bay, seu primeiro descarte).

DÉJÀ VU?

 Kelly Cestari/WSL

Kelly Cestari/WSL

E essa situação não é novidade para um brasileiro. O último atleta a conseguir tal "proeza" foi justamente Filipe Toledo. Em 2015, o surfista de Ubatuba havia, assim como Italo, faturado três etapas (Gold Coast, Rio e Portugal), mas também foi atrapalhado pela falta de regularidade na temporada. Mesmo com os três troféus, terminou o ano apenas na quarta posição da classificação geral, atrás de Gabriel Medina, que só havia conquistado um título, Mick Fanning, que levou dois, e Adriano de Souza, que acabou se tornando campeão mundial com apenas duas vitórias (Margaret e Pipeline).

Ryan Callinan tenta, mas último wildcard campeão ainda é brasileiro

 Crédito: Sylvia Lima

Crédito: Sylvia Lima

Por Guilherme Dorini

Ryan Callinan bem que tentou, chegou perto, mas ser campeão da elite como wildcard não é para qualquer um. Na última sexta-feira (12), o australiano, depois de já ter eliminado Filipe Toledo no terceiro round, deu trabalho ao compatriota Julian Wilson na grande decisão, mas tomou uma virada nos últimos cinco minutos e acabou com o vice-campeonato na França. Assim, o último atleta wildcard a ser campeão de uma etapa do Circuto Mundial de Surfe (WCT) segue sendo brasileiro: Bruno Santos.

Há 10 anos, Bruninho, como é conhecido, mostrou por que é considerado um dos melhores tubriders do mundo. Em 2008, em Teahupoo, no Taiti, ele não teve vida fácil. Além de se destacar nas seletivas locais - batendo, inclusive, Jamie O’Brien -, deixou para trás Taj Burrow, Mick Fanning, Adriano de Souza, C.J. Hobgood e o local Manoa Drollet na grande decisão.

A vitória, além de consagrar Bruninho, foi responsável por acabar com um enorme jejum brasileiro no WCT. O Brasil não conquistava uma etapa da elite desde 2002, com Neco Pararatz na França. Ou seja, um longo tabu de seis anos.

Há dois anos, quando eu ainda era repórter do UOL Esporte, tive a oportunidade de conversar com Bruninho sobre aquele histórico momento. Relembro abaixo alguns trechos daquela entrevista para vocês.

VITÓRIA ESPECIAL

"Essa vitória teve um gostinho especial por vários motivos. Primeiro que, na época, o Brasil estava passando por um grande jejum de vitórias. Era uma transição entre a geração do Renan (Rocha) e a Brazilian Storm. Eu também não fazer parte da elite, sem dúvida, deu um sentimento especial. Wildcard quando vence é sempre especial, ainda mais não sendo um local do pico. Ainda existia aquele preconceito de que brasileiro não sabia surfar bem ondas tubulares. Galera ficou amarradona na minha vitória. Com certeza ter sido o primeiro brasileiro a vencer ali também tornou mais emocionante, é uma das etapas mais cobiçadas do tour".

PERNA ARREBENTADA

"Foi um campeonato recheado de imprevistos. Primeiro, arrebentei minha perna na semifinal da triagem. Comecei com uma nota 10 na bateria, mas, logo na sequência, caí dentro de um tubo e levei uma pranchada. Abriu minha perna, e ainda surfei a semi e a final com a perna aberta. Só depois fui para marina levar 15 pontos para fechar o corte. Foi um buraco bem grande, que me deixou sem surfar até começar o evento principal.”

PRANCHA EMPRESTADA

“Quando chegou a etapa principal, eu já tinha quebrado todas as minhas pranchas durante a triagem e tive que pegar uma prancha emprestada de um cara que nunca vi na vida, um israelense, mas deu sorte e acabei vencendo com a prancha dele".

 Crédito: Sylvia Lima

Crédito: Sylvia Lima

TRIAGEM

"O campeonato para mim foi muito longo, já que tive que começar nas triagens. Tive baterias alucinantes nas triagens, as condições estavam épicas, 10 a 12 pés... Fiz baterias alucinantes com vários surfistas que não estavam na elite, mas que são especialistas neste tipo de onda, como, por exemplo, Jamie O’Brien".

DISPUTA ACIRRADA

"Durante o evento principal, as duas baterias mais apertadas foram contra Mick Fanning e o Mineiro (Adriano de Souza). Como é um campeonato longo, algumas baterias você ganha com certa vantagem, outras são mais equilibradas... Essas duas foram realmente bem apertadas. A do Mick eu virei na regressiva, na última onda, quando já nem acreditava mais que dava para virar. Contra o Mineiro, não. Essa foi uma que dominei a bateria inteira, mas com notas baixas, e até vacilei no final, deixei ele pegar uma que quase conseguiu a virada".

Medina vira líder, mas Filipe mantém vantagem nos descartes

Por Guilherme Dorini

 WSL/DAMIEN POULLENOT

WSL/DAMIEN POULLENOT

Está (cada vez mais) aberta a disputa pelo título mundial da temporada. Se o equílibrio na parte de cima da tabela do Circuito Mundial de Surfe (WCT) era visível após o Surf Ranch, ele se fez ainda mais presente no encerramento da etapa da França, que terminou com título de Julian Wilson, um terceiro lugar para Gabriel Medina e uma precoce eliminação do então líder Filipe Toledo, que amargou uma 13ª posição.

Com o resultado, Gabriel Medina assume a lycra amarela, que representa o primeiro lugar na tabela, já para a etapa de Portugal, penúltima da temporada, que já começa no próximo dia 16, na praia de Supertubos, em Peniche. Com o terceiro lugar na França, ele chega aos 51,770 pontos, contra 51,450 de Filipe.

No entanto, se olharmos já para os descartes, a situação ainda é favorável ao surfista de Ubatuba. Agora, com apenas duas etapas restantes, Filipe acumula dois 13º como piores resultados, ou seja, está descartando 3,330, somando, assim, 48,120. Seus piores desempenhos foram em Bells Beach e França.

 WSL/KEOKI SAGUIBO

WSL/KEOKI SAGUIBO

Já Medina tem como descarte um 13º, da Gold Coast, e um nono lugar, de Bali. Assim, no momento, ele está descartando 5,365 pontos, ficando com 46,405, pouco menos de dois mil atrás de Filipe Toledo.

Quem corre por fora, mas mais vivo do que nunca na competição, é Julian Wilson. Com a vitória conquistada na França, o australiano ganha novo ânimo para a disputa do título mundial. Com os 10,000 pontos, ele chega aos 47,125. Porém, se também já colocarmos os descartes, um 25º, no Taiti, e um de seus dois 13º, em Bells e Bali, sua pontuação fica em 45,040 - atrás dos dois brasileiros, mas na briga.

A janela para a etapa de Portugal começa no próximo dia 16, terça-feira, e vai até 27, um sábado - a previsão, no entanto, é para um ótimo swell nos quatro primeiros dias. Depois, a decisão chega ao Havaí, em Pipeline, que acontece entre os dias 8 e 20 de dezembro.

Alejo Muniz descarta competir pela Argentina por sonho olímpico

  WSL / MOHAMED NAVI

WSL / MOHAMED NAVI

Por Guilherme Dorini

Disputar uma Olimpíada é o sonho de qualquer atleta e, muitos deles, fariam qualquer coisa para atingir tal objetivo. Após a confirmação da entrada do surfe no programa olímpico para os Jogos de 2020, em Tóquio, mudanças importantes foram notadas neste sentido: surfistas optaram por defender outros países - que, é claro, possuíam alguma relação - para ficarem mais perto da competição. O mesmo comportamento poderia ser adotado por Alejo Muniz, argentino naturalizado brasileiro, que, no entanto, rejeitou tal ideia.

"Já passou pela minha cabeça, mas não é uma coisa que quero para agora. Adoro a Argentina, amo lá, acabo representando eles de alguma forma quando estou competindo, tenho muitos amigos que torcem por mim por lá, mas, se a Argentina for, e tomará que vá, já tem ótimos representantes, meu irmão está lá para representar da melhor forma possível. Ainda não sabemos como serão as vagas, mas vou tentar conseguir pelo Brasil se tiver alguma chance", disse em conversa com o Série ao Fundo.

Santiago Muniz, caçula de Alejo, é tido como a grande aposta da Argentina no surfe mundial. Radicado em Santa Catarina, onde cresceu com a família, ele compete hoje pelo país vizinho, diferente de seu irmão, que segue com o verde e amarelo.

Santiago, inclusive, mostrou por que Alejo está certo em apostar em seu potencial. No mês passado, no Japão, ele foi o grande campeão do World Surfing Games, organizada pela ISA, grande responsável pela entrada do surfe nos Jogos Olímpicos.

"Os argentinos têm tanta paixão pelo esporte... É um sentimento maravilhoso ouvir eles gritando meu nome. É um momento excelente, estou muito empolgado. Tento apenas fazer o meu melhor e continuar degrau por degrau. Estou empolgado com o próximo ano, se eu vencer, capaz de ter alguma chance de estar em Tóquio 2020. É um sonho se tornando realidade", expressou Santiago após receber a medalha de ouro.

Na grande decisão, um de seus concorrentes era justamente Kanoa Igarashi, americano com ascendência japonesa, que optou por começar a competir pelas cores da bandeira do país asiático neste ano, aumentando, assim, suas chances de estar na Olimpíada.

  WSL / DAMIEN POULLENOT

WSL / DAMIEN POULLENOT

Outro exemplo desta mudança de país é Tatiana Weston-Webb. Filha de brasileira, a havaiana decidiu "trocar" de nação, agora para a verde-amarela, justamente pelos Jogos Olímpicos.

Técnico de futebol e apaixonado por surfe, brasileiro auxilia surfistas no US Open

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Daniel Musatti mora há mais de 10 anos na Califórnia (EUA) e trabalha nas categoria de base do clube de futebol FC Golden State. Porém, ele também é um amante do surfe e vem auxiliando surfistas de alto rendimento.

Musatti já trabalhou com surfistas costarriquenhos e peruanos e deu suporte para Tomas Tudela e Jhonny Guerrero, ambos do Peru, na disputa dos US Open nesta semana.

“O grande objetivo é superar as dificuldades que os surfistas de países que não são da Austrália e Estados Unidos têm em poder surfar constantemente as melhores ondas, sendo treinados pelos melhores treinadores. Eles aprendem diariamente e são inseridos no ambiente do melhor nível possível”, disse.

“Quando o surfista chega aqui, o nosso conceito é que ele se sinta em casa desde o aeroporto. É abrigá-lo aqui na Califórnia como se eles estivessem em casa e providenciar para ele a melhor qualidade de todos os serviços: a parte organizacional, o treinamento físico e funcional, uma dieta balanceada e o trabalho mental com a psicologia esportiva. E tudo isso na mesma casa onde ele fica”, acrescentou.

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Vale ressaltar que a função dele não é auxiliar em todos os fatores importantes que acontecem fora d’água.

“O conceito é trabalhar o aumento da performance do surfista através do suporte em todas as áreas necessárias, mas não a técnica. Não somos treinadores da parte técnica, e sim trabalhamos em conjunto com treinadores da parte técnica”, explicou.

O projeto começou no Havaí em 2015-16 como forma de teste. Agora, Daniel chegou ao modelo ideal para auxiliar os peruanos no US Open. Na sequência, ele também trabalhará durante a Tríplice Coroa, no Havaí, no fim do ano.

“Para surfistas de alguns países sem muita tradição, períodos de treinamento assim valem muito e fazem com que eles evoluam não só o surfe, como também o esporte nos países deles. Tudo leva à evolução do surfista, do esporte no país e gera a criação de eventos”, declarou Musatti.

Pela 1ª vez com o filho, Alejo quer repetir vitória no US Open por volta ao WCT

Por Guilherme Dorini

Alejo Muniz está cada vez mais próximo de voltar ao Circuito Mundial de Surfe (WCT). Depois de liderar boa parte da divisão de acesso (WQS), o argentino radicado no Brasil, mais especificamente em Santa Catarina, já conseguiu todos seus backups necessários no começo da temporada e agora depende, praticamente, de um ótimo resultado em uma das grandes etapas para carimbar de vez sua vaga na elite do próximo ano. E isso pode já acontecer nesta semana, quando o surfista participará do tradicional Vans US Open of Surfing, no qual já foi campeão. Para repetir a façanha, ele ainda terá um aditivo especial: pela primeira vez terá ao lado, em uma competição, Martín, seu filho recém-nascido.

 Reprodução / Instagram

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"Meu filho nasceu em janeiro, foi a melhor sensação que já tive na vida. Estou muito feliz com isso, tenho aprendido muito, apesar de ele ter apenas seis meses. Quero tentar minha classificação por ele esse ano, como se fosse um presente para ele. Está sendo muito legal, estamos curtindo pra caramba", relatou Alejo em um bate-papo com o Série ao Fundo nesta semana, antes de revelar que essa também será a primeira viagem do pequeno Martín para assistir ao pai em uma etapa.

"Essa vai ser a primeira vez que a Amanda (esposa) e meu filho vão viajar comigo para um campeonato. Vai ser massa pra caramba! A Amanada já foi em alguns, mas, com ele, vai ser a primeira vez. Meu irmão [Santiago Muniz] também vai estar lá, que é quem sempre viaja comigo, como estamos correndo o WQS juntos há alguns anos. Vai ser muito massa", completou.

 Reprodução / Instagram

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Apesar da felicidade estar completa pelo lado familiar, Alejo viveu um começo de ano conturbado na parte profissional. Após não conseguir a vaga para este ano, ele ainda anunciou em dezembro o fim de sua parceria com a Hurley/Nike, marcas que o patrocinaram durante sete anos. Mesmo sem patrocínio de bico, o brasileiro continuou na luta e viu a situação melhorar pouco a pouco - principalmente com ajuda de marcas "caseiras", de Santa Catarina.

"Ano passado encerrei meu contrato com a Hurley e a Nike, mas sou totalmente agradecido por tudo que eles fizeram por mim. Me apoiaram por sete anos, foram anos muito especiais. Comecei o ano sem patrocínio de bico, mas as coisas foram melhorando, acabei fechando com a Di Colore, cosméticos, aqui de Santa Catarina. Me ajudaram muito para as viagens, para a Austrália. Agora, antes de Ballito, apareceu a Vida Marinha, que é meu patrocínio de bico - uma empresa catarinense também, com história no mercado do surfe. Muito feliz por representar eles e ter um patrocínio de Santa Catarina para me ajudar a competir. Também tenho a Dragon, de óculos, há mais de seis anos, e a Nosso Lar, uma construtura com um time muito grande de surfistas", disse. 

 TOM BENNETT / WSL

TOM BENNETT / WSL

Com um bom desempenho no começo do ano, principalmente com a final no Vissla Sydney Surf Pro, Alejo conquistou pontos importantes, assegurando um quarto lugar no ranking geral do WQS - os dez primeiros garantem vaga no WCT. Os resultados servem como bons backups, fazendo com que o brasileiro precise de uma boa performance em um Prime para, praticamente, decretar seu retorno à elite. 

"Estou em quarto, liderei grande parte do circuito, mas ainda não tinha rolado nenhuma etapa Prime. A galera costuma dizer que [o WQS] começa depois de Ballito. Consegui bons resultados no começo do ano, que foram importantes, principalmente a final na Austrália. Hoje, é como se eu já tivesse todos os meus backups, prontos, agora eu preciso buscar um resultado grande em um Prime para me colocar em uma posição muito boa. Se ganhar um Prime, já praticamente me garante ano que vem", analisou.

 Alejo foi campeão do US Open em 2013 / WSL

Alejo foi campeão do US Open em 2013 / WSL

"Os Primes são os mais importantes do ano. São os eventos onde você tem que passar menos baterias para alcançar uma maior quantidade de pontos. Para um cara fazer a mesma pontuação que fiz na Austrália, por exemplo, que são os quatro mil pontos, ele precisa de um nono lugar, eu precisei chegar até a final. Tem muita diferença de um Prime para um seis mil, que já é uma etapa muito importante", explicou Alejo, antes de falar sobre sua expectativa para o US Open, que tem janela de competição aberta a partir da próxima segunda-feira (30).

"Expectativa para o US Open é muito grande. Estou me sentindo bem, já venci no passado, vou com a minha família... Tem tudo para dar certo. Preciso até tomar cuidado para não criar muita expectativa, manter os pés no chão e fazer o meu melhor", concluiu o surfista, que já foi campeão desta mesma etapa em 2013, quando bateu na final o dono da casa Kolohe Andino.
 

Nicole Pacelli rejeita rótulo de “musa”, relembra trajetória e mar assustador

CAMPEÃ MUNDIAL DE STAND UP PADDLE ACHA RUIM SER ROTULADA E RECORDA DE QUANDO NÃO CAIU NO HAVAÍ: "ATÉ O KELLY DESISTIU"

 Hugo Silva/Red Bull Content Pool

Hugo Silva/Red Bull Content Pool

Por Guilherme Dorini

"A mulher tem que ser mais que um rosto bonito". É assim que pensa Nicole Pacelli, tratada como "musa do surfe" no começo da carreira, rótulo que ela faz questão de afastar a cada conquista e feito realizado. Aos 26 anos, a brasileira, criada em uma família de surfistas, já foi campeã mundial de stand up paddle, finalista do Big Wave Awards e sonha em entrar no Mundial de Ondas Gigantes (BWT) da World Surf League.

Em um bate-papo com o Série ao Fundo, Nicole lembrou os primeiros passos de sua carreira no esporte, como fez para decidir entre a faculdade ou se profissionalizar no esporte, a transição para o SUP, a primeira queda em ondas gigantes, momento do surfe feminino e os piores, e melhores, momentos dentro do mar. 

CONFIRA O BATE-PAPO COMPLETO COM NICOLE PACELLI:

Série ao Fundo: Como foi seu começo no surfe?

Nicole Pacelli: Eu comecei a surfar de pranchinha, quando eu era bem pequena. Nem lembro, exatamente, da primeira vez que subi em uma prancha. O problema é que meus pais se separaram e eu acabei me mudando para São Paulo. Então, vive a maior parte na capital, mas vindo todo final de semana para a praia. Tinha aquela coisa: queria estar na água, mas não era algo que podia fazer todos os dias. Acho que isso fez aumentar minha paixão.

 Reprodução/Instagram

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SAF: E como foi virar profissional?

NP: Eu não sabia se seria profissional ou não. Eu achava que não, na verdade. Como é possível alguém ser surfista profissional vivendo em São Paulo? (risos)

SAF: Como foi a transição da pranchinha para o stand up paddle?

NP: Foi quando meu pai trouxe uma prancha de stand up paddle para o Brasil. Eu deveria ter uns 16 anos. Ainda nem tinha no Brasil. Foi meio que um desafio pegar uma onda com aquela prancha. E falei que ficaria boa nisso. E foi assim. Comecei a competir, mas tinha pouca gente, então competia com os homens. E ainda morava em São Paulo.

SAF: Como foi conciliar estudos com o surfe?

NP: Eu estava surfando bem de stand up, já gostava de ondas grandes... Eu lembro bem, eu entrei na Universidade de São Paulo (USP) e consegui um patrocínio. Meu pai sempre me apoiou, mas sempre tinha aquele pé atrás, porque fica de surfista não tem as coisas garantidas, né? Então fiz Educação Física. Eu queria alguma coisa que, mais para frente, pudesse relacionar com o surfe.

SAF: E quando você começou a viajar pelo surfe?

NP: Teve uma época que eu queria ir muito para o Havaí, em 2011, e falei pros meu pais: "passei na faculdade, posso ir para lá?" E fui no final do ano. Chegando lá, eu com 19 anos, não via muitas meninas em mares grandes. Era eu e minha irmã. Nunca tinha feito uma viagem de surfe. Fomos para Mauí e já ia quebrar Jaws.

SAF: E como foi a primeira caída?

NP: Era época do tow-in ainda, só tinha um cara remando, que eu nem sabia quem era. Depois fui descobrir quem era, era o Márcio Freire (risos). Meu pai foi quem me puxou na primeira onda, foi irado, uma das melhores sensações da minha vida. Uma sensação muito especial. Foi então que fui perceber que, talvez, eu levava jeito para a coisa.

SAF: Você voltou para o Brasil e começou a competir?

NP: Voltei para o Brasil querendo ainda mais ser profissional, mas na época não tinha Mundial de Stand Up. Então, no outro ano, em Sunset, corri um campeonato com os homens, porque não tinha para mulheres. E acabei indo bem. Todos os caras que eu admirava vieram falar comigo. Foi uma realização muito grande. Depois anunciaram que no próximo ano, em 2013, já teria a primeira edição do feminino.

SAF: E já veio seu primeiro título mundial, né?

NP: Isso. Eu estava na faculdade, continuei cursando, não sabia direito o que seria. Mas já era patrocinada pela Roxy. Mas era meu ano, era o último da faculdade e precisava decidir. Então decidi trancar, já tinha bombado em algumas matérias por faltas por conta das viagens. Foi quando fui campeã mundial, competição da ISA.

SAF: Acha que as pessoas tendem a valorizar menos seu título por não ser da WSL?

NP: Muito. A WSL é muito valorizada hoje em dia. Sempre que falo do meu campeonato me perguntam isso: 'ah, mas é da mesma organização do Medina?" Eles têm muito mais mídia, visibilidade. Acho que as pessoas nem sabem muito das outras organizações. Só quem acompanha mesmo o esporte.

SAF: Você já foi finalista do Big Wave Awards e sonha em entrar no Big Wate Tour. Mas teve algum dia que olhou o mar gigante, sentiu medo e preferiu não cair?

 Hugo Silva/Red Bull Content Pool

Hugo Silva/Red Bull Content Pool

NP: Eu lembro de dois dias. Teve um dia que pensei 'já era'. Era uma onda que quebrava no meio do mar, em Oahu. Eu nunca tinha caído em um mar tão grande e 'sozinha', estava só eu e o Lapinho. Estava demorando muito e, como você não vê a praia, não tem ponto de referência, não sabe se está no lugar certo... Você perde a noção depois de 30 minutos sem onda. De repente, veio uma série, e eu estava no pior lugar. Devia estar uns 15 a 18 pés, buraco... Tomei todas na cabeça... Era meu começo, depois da terceira, achei que ia morrer. Tive um sentimento estranho, que nunca tinha tido. Depois de tudo, voltei para o fundo e vi que não dava. Foi a primeira vez que tinha tomado uma série assim, que tive medo. Às vezes é bom acontecer. Na hora eu fiquei desesperada, mas não aconteceu nada. Serviu para me mostrar que estava preparada.

SAF: E o outro?

NP: Foi no último El Niño que teve, quando rolou o Eddie Aikau em 2016. O mar estava todo torto, horrível. Estava eu e a Silvia (Nabuco) fora do mar. A gente: "e aí, vamos surfar? Vamos." Mas estava fechando a baía de dez em dez minutos. A galera que estava dentro só estava tomando vaca, poucas pessoas, só os cascas grossas. Quando falamos "vamos", veio a maior série do dia, o Kelly (Slater) estava tentando entrar, todo mundo foi varrido. Ele tentou de novo, não entrou! O Kelly, que é o Kelly, teve que sair pelas pedras, lá fora, desistiu (risos). Depois disso, desistimos e não entramos. (risos) Quando você começa a ficar com dúvida, é melhor não ir.

SAF: Mudando de assunto, como você vê o cenário do surfe feminino no Brasil?

NP: Acho que, quando eu comecei, já 'velha', não tinha campeonato para meninas. Várias estavam perdendo patrocínio... De lá para cá, acho que está melhorando. Temos vários campeonatos só para meninas, várias marcas de coisas femininas investindo e patrocinando, como shampoo, cremes... Acho que é uma boa hora. Todo mundo está ganhando mais visibilidade.

SAF: Você já foi rotulada como “musa do surfe”. Isso te incomoda?

 Robert Astley Sparke/Red Bull Content Pool

Robert Astley Sparke/Red Bull Content Pool

NP: Acho isso ruim. Tem várias marcas que focam mais na beleza, em um padrão de beleza... Acho que não pode ser só isso. Tem várias meninas que estão surfando muito, mas estão sem patrocínio. Do outro lado, várias que são 'modelinho', tão ganhando coisas... Ainda mais com Instagram. Algumas sequer surfam, só posam com a prancha, são bonitas e ganham bem. Acho isso ruim. Sempre tento passar a imagem de que a mulher tem que ser mais que um rosto bonito. Não só no surfe, mas em tudo. Em redes sociais, por exemplo, existem umas meninas com milhões de seguidores, mas que não passam nada. É só o corpão, roupa... Por isso sempre tentei passar uma outra imagem. Sempre tentei inspirar outras mulheres de alguma forma. Eu não quero passar essa imagem, de que só tenho patrocínio por fotografar bem.

Frustrada com WSL, Nicole Pacelli mantém sonho de entrar no Big Wave Tour

 Reprodução / Rafael G. Riancho

Reprodução / Rafael G. Riancho

Por Guilherme Dorini

Primeira brasileira a ser campeã mundial de stand up paddle (2013), Nicole Pacelli viu sua carreira no surfe de ondas grandes decolar nos últimos anos. Logo na primeira tempora em que decidiu focar nos paredões de água, já foi coroada com uma vaga na final do Big Wave Awards. O título não veio, mas a vitrine era gigante, e o futuro quase que automático: o próximo passo seria o recém-criado Big Wave Tour (BWT) feminino. Sua vontade, no entanto, não prevaleceu. O convite da World Surf League (WSL) nunca chegou, o que gerou um pouco de frustração na brasileira - mas não capaz de abalar o otimismo em seguir na luta pelo seu grande sonho.

"Sempre gostei de onda grande, de sentir aquele frio na barriga, ficar mais focada, mais atenta... Aí rolou o primeiro campeonato mundial feminino (de ondas gigantes) em Jaws, que foi ano retrasado (2016). Eu vi a lista [de participantes] e pensei: como é que eu vou entrar nesse campeonato? Queria muito. E o melhor jeito era pelo Big Wave Awards. Porém, o feminino só tem uma categoria, o de melhor performance", contou Nicole em um bate-papo com o Série ao Fundo.

 Reproução/Instagram

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"Quando entrei para a Red Bull, eu já tinha um projeto que era pegar onda grande de stand-up. Falei para eles isso. Já tinha isso em mente: continuar no tour (de SUP) e pegar ondas grandes. Acabei indo para Jaws de stand up, fui a primeira mulher a surfar de SUP lá. Estava com esse foco, mas com standvup. Mas isso não é muito valorizado pela galera do big wave, eles não consideram muito", completou.

Se um pranchão com um remo não chamavam atenção suficiente nas ondas gigantes, Nicole acabou dançando com a música: deixou o SUP [um pouco] de lado e virou seu foco para as gunzeiras - e conseguiu ser notada.

"Fui para o Havaí com esse foco: 'vou me focar para tentar entrar no Big Wave Awards. Foi um ano que não deu muito swell, mas peguei uma boa em Waimea, uma de tow-in em Jaws e uma de stand up em Oahu, no meio do mar. Mandei para eles (WSL). Eles divulgaram e, depois, acabei entrando entre as finalistas. Foi uma realização muito grande conseguir isso já no primeiro ano em que decidi focar nisso. Não ganhei, mas fiquei em quarto. Com isso, fiquei esperando um chamado para o Mundial (BWT). Estava meio que subentendido que os finalistas entrariam no BWT. Estava certo que seria chamada, mas não rolou. Fui a única finalista a não ser chamada. Fiquei de alternate. Eles alegaram que mudaram o formato, fizeram só uma final de seis, no lugar das 12 do último ano", lamentou.

Como não existe um campeonato qualificatório para o Big Wave Tour, a única esperança de Nicole segue sendo o Big Wave Awards - a ideia é continuar atrás de ondas gigantes para ser notada pela WSL e, algum dia, conseguir o tão sonhado convite.

"É, vai ter que ser isso, mas esse ano já não entrei [no Big Wave Awards]. Pensei que ia entrar, peguei uma na remada em Nazaré (Portugal), foi bem grande... Tudo bem que só peguei essa onda e, para mulheres, é melhor performance. Então, se tivesse pegado outra, em outro lugar, teria entrado. Fiquei um pouco frustrada. Tem as meninas que estão lá há mais tempo, mas nenhuma tinha pegado onda na remada, com tamanho. Depois dessa onda, todo mundo veio me parabenizar. Mas acho que terei que fazer bem mais", disse.

Nicole sabe que, infelizmente, para entrar em uma competição deste nível, não basta apenas o desempenho dentro do mar. O histórico conta. E ela, com apenas 26 anos e recém-iniciada no circuito profissional de ondas gigantes, ainda precisa de algo a mais para tentar desbancar velhas conhecidas.

"Quero muito entrar. É bem difícil. Eu já vi muita gente que merecia estar ali, ter ganhado... Se você deixa na dúvida, se tá parecido com os mais conhecidos, eles colocam os caras... Já aconteceu até com o Chumbinho, ele era finalista junto comigo [do Big Wave Awards], estava muito na cara que ele ia ganhar e acabou em segundo. Por eu estar começando, tenho que fazer muito mais para ganhar meu espaço. Não posso ir lá e pegar uma onda parecida com a de uma menina que está há mais tempo, não tem como. Tenho que fazer dez vezes mais. Estou treinando bastante", concluiu.

Essas respostas fazem parte de um bate-papo que o SAF teve com Nicole Pacelli. Além do sonho em entrar para o Big Wave Awards, ela também comentou sobre o momento do surfe feminino no Brasil, seu início no SUP, sua evolução profissional, os próximos passos da carreira e os piores, e melhores, momentos dentro do mar.

A entrevista completa vai ao ar na semana que vem! Não percam!

Na Califa, Phil Rajzman se diz realizado e mostra interesse em BWT: "quem sabe"

Por Guilherme Dorini

Felicidade é uma marca registrada de Phil Rajzman. Na última semana, o surfista conversou com o Série ao Fundo por cerca de uma hora, e mostrou por que é considerado um cara alto astral por todos que o conhecem. Dono de dois títulos mundiais de longboard, Phil se sente realizado após uma longa carreira no surfe – principalmente quando olha para trás e vê por tudo que passou.

“É uma realização, um sentimento de plenitude. Passei por momentos de dificuldade, perdi patrocínio, dei a volta por cima, administrei tudo... É igual o mar, as ondas, acho que nossa vida é feita de altos e baixos. O mais importante foi acreditar nos meus sonhos. Que isso sirva de exemplo para todo mundo. Trabalho fácil não existe. Passei muito perrengue, tive que correr muito atrás... Mas prefiro que tenha sido dessa forma a ter trabalhado e ter ganhado muito dinheiro com uma coisa que eu não curtia fazer ou fazia por amor. A busca pelo que você realmente acredita, os ideias, é fundamental para você ser feliz. Eu me considero uma pessoa muito feliz”, disse Phil ao SAF.

Um dos grandes fatores para toda essa felicidade está na Califórnia, onde Phil mora atualmente (outro sonho realizado) e aproveita melhor seu tempo para evoluir no surfe clássico e trabalhar no desenvolvimento de equipamentos – outra paixão em sua vida.

Com sangue esportivo correndo nas veias – é filho de Bernard Rajzman e Michelle Wollens –, Phil recordou os primeiros passos da carreira, sua curta (e pressionada) experiência no vôlei e o desejo de, cada vez mais, se aventurar em ondas gigantes, demonstrando um interesse em, quem sabe um dia, participar do Big Wave Tour (Mundial de Ondas Gigantes).

Confira o bate-papo completo com Phil Razjman:

Série ao Fundo: Você veio de uma família de atletas, né? Como foi seu começou no esporte?

Phil Rajzman: Por ter nascido em família de atleta, sempre fui incentivado a praticar muitos esportes. Desde a escola, saía da aula e tinha uma atividade física. Meus pais deixavam eu escolher o que queria fazer, mas tinha que ficar pelo menos seis meses naquilo (risos). 'Até os 13, 14 anos, você pode fazer o que quiser. Mas, se quiser ser atleta, vai ter que começar escolher e focar', ouvia isso desde criança.

SAF: E a história no surfe?

PR: O surfe começou bem novo, como meu pai era do Rio de Janeiro também, tinha aquela cultura de praia, ele sempre teve muita intimidade com a praia, o mar... Começou a me levar novinho para dar os primeiros mergulhos, dali surgiu minha relação com o mar.

SAF: Rolou algum tipo de "pressão" para você seguir uma carreira no vôlei?

PR: Eu cheguei a jogar vôlei, lógico. Eu jogava na praia, para me divertir. Aí resolvi tentar ir jogar em algum clube. Comecei a ver que começava a juntar torcida atrás: 'jornada, jornada!'. (risos). Pensava: 'calma, deixa eu aprender dar manchete, toque para depois ir para o jornada' (risos). Existia uma pressão externa muito grande, era o oposto do que eu sentia quando estava dentro da água surfando: era uma paz, uma forma de meditar. Dentro da água era quando meus problemas se organizavam e meio que se resolviam. Me sentia em harmonia.

SAF: E quando você falou para seus pais que seguiria carreira no surfe? Como eles receberam isso?

 Bernard e Phil Rajzman / Arquivo pessoal

Bernard e Phil Rajzman / Arquivo pessoal

PR: Fui acontecendo naturalmente. Meu primeiro patrocinador foi o Pepê, que meu pai frequentava sempre ali. Tinha seis anos, saía da água e podia comer um lanchão. Isso que me incentivava. Minha mãe ia de manhã, e meu pai a tarde. Então eu passava os dois períodos no mar. A partir daí, com sete anos, comecei na escolhinha do Rico, quando comecei a competir e ter experiência em campeonatos. Com 13 anos recebia a primeira proposta, de fato, de patrocínio. Então, a coisa meio que ficou mais séria. Meu pai falou: 'perdi meu pai nessa idade, precisa aprender a ser responsável. A partir de agora vai ter a oportunidade de receber um salário...' Era pouco, mas o suficiente para pagar as passagens de ônibus para a escola, as merendas... Foi bom, me ajudou a ter mais responsabilidade quando novo, me ensinou a juntar meu dinheiro - tanto para competir quanto para viajar.

SAF: Quando você viu que o caminho era seguir pelo longboard?

PR: Com 14 anos, mais ou menos, eu comecei a me divertir na competição mais pelo lado do longboard. Sempre curti surfar de longboard quando o mar estava pequeno. Teve uma competição de escolhinhas de surfe em Saquarema (RJ), o Rico ia ser um dos representantes e me convidou para ser o segundo da escola dele. Fiz final com ele, com outras lendas da época e isso me deu muito incentivo. A partir daí, o Rico me deu um longboard usado de presente e novas situações e desafios foram surgindo.

SAF: O longboard ainda precisa quebrar alguma barreira no cenário nacional?

PR: Acho que o surfe de pranchinha chegou no Brasil já como sendo o futuro do esporte. Mas quando você vai para o Havaí, Austrália, Califórnia, você vê que existe uma galera surfando de tudo quanto é jeito: bodyboard, de peito, longboard, pranchinha. Surfe é surfe. Não existe muito essa distinção, todo mundo se diverte. Na minha época, eu cheguei até a sofrer um pouco de preconceito, existia isso de 'longboard é coisa de velho, do passado, de quem está velho e cansado, quer chegar mais rápido na onda' (risos). E acho que era isso que me atraía mais para o longboard. Eu tinha esse desafio de mostrar para os meus amigos que longboard dava para ser radical, que foi quando fui campeão mundial (2007), era um surfe progressivo, eu puxava aéreos, manobras da pranchinha... Aí a situação inverteu, meus amigos que me zuavam começaram a me procurar para pedir pranchar usadas (risos).

SAF: Você foi campeão mundial há 11 anos. Te incomoda de alguma maneira ver o surfe explodindo no Brasil apenas após as conquistas na pranchinha?

PR: De jeito nenhum. Não me incomoda de forma alguma, muito pelo contrário. Acho muito positivo, torço muito para todos os brasileiros. O que eu mais quero é ver o surfe lá em cima. Acho que um sempre ajuda o outro. Meu segundo título mundial, em 2016, talvez não tivesse tido tanta repercussão se não tivesse tido os títulos do (Gabriel) Medina, do (Adriado de Souza) Mineirinho... Só fortalece o esporte.

SAF: Você foi campeão mundial em dois momentos totalmente diferentes se tratando de surfe no Brasil, principalmente sobre divulgação, espaço na mídia... Quais foram as principais diferenças?

PR: Hoje em dia tem a internet que facilita muito, redes sociais, informações chegam bem mais rápido. Mas, na época, a gente teve uma cobertura muito boa também. A grande diferença entre os dois títulos, foi o critério de julgamento utilizado pela WSL. Em 2007, ainda era ASP, tomando um rumo mais progressivo. E, quando a WSL entrou, eles colocaram novos critérios de julgamento, colocando o longboard mais no lado clássico, justamente para diferenciar a modalidade da pranchinha. Evitar um conflito de patrocinadores ou qualquer tipo de situação.

SAF: E como foi essa adaptação?

PR: Eu, como atleta, imediatamente entendi aquilo ali. Muitos atletas bateram de frente, reclamaram... Clássico e progressivo é a evolução natural do esporte, você tem equipamentos cada vez mais leves... Mas eu entendi o lado da WSL. Essas eram as regras da empresa, se você não quiser cumprir, vão te botar para fora. Apesar de não ser favorável para mim, procurei evoluir e modificar. Fui uma oportunidade para vir para a Califórnia e treinar isso. Foi uma motivação que faltava. Em 2014 já foi vice-campeão mundial já com esses novos critérios. Isso me deu ainda mais motivação. E foi quando sofri outro "preconceito" em 2016 (ano do título mundial), eles falavam: 'agora já era para o Phil, agora ele não tem mais chance, no surfe clássico ainda...'. E meu pai sempre falava que gostava da torcida contra, dava mais incentivo. Isso, no fundo, quem pensou dessa forma, mesmo inconsciente, me deu essa força. É um sentimento de plenitude.

SAF: E você ainda tem uma queda pelas ondas gigantes, né? Passa pela sua cabeça tentar aparecer em algum evento do Big Wave tour?

PR: O surfe de ondas grandes sempre foi uma coisa que eu gostei muito. Minhas primeiras experiências no Havaí foram quando eu vi onda grande de verdade na minha frente (risos). Sempre tive uma atração pelas ondas grandes. A adrenalina, velocidade, fator risco... Dentro do mar, você percebe que começa a se tornar um pouco menos agressivo o crowd, e sim amoroso. Todo mundo sorrindo... No fundo, todo mundo sabe de que depende de todo mundo ali. Acho isso muito interessante. O mar está gigante e tem alguém ali do lado para compartilhar, eu sei que eu posso contar com ele e ele sabe que pode contar comigo se alguma coisa acontecer. O que sempre coloquei em prioridade é questão da segurança. Sempre gostei de desafios, mas sempre pensei nas consequências. Atualmente, tenho cada vez mais buscado isso. Principalmente porque está dando visibilidade, está crescendo, que faço por amor. Tenho desenvolvido longboards para surfar essas ondas. Tem sido um desafio divertido. Ainda não sei quando vou conseguir fazer um surfe clássico em ondas gigantes, mas só de você estar sentado no canal, vendo aquelas montanhas... Me sinto atraído por isso. Quem sabe não pinta uma oportunidade de entrar no BWT também.

 Phil Rajzman em Jaws / Crédito: Sigal Petersen

Phil Rajzman em Jaws / Crédito: Sigal Petersen

SAF: Você ressaltou sobre segurança. Onda gigante não é para qualquer um, né?

PR: Ali não tem marinheiro de primeira viagem, não tem ninguém se aventurando pela primeira vez para surfar. É muita experiência dentro da água. Só de estar presente você já aprende muito. Só por ver as atitudes das pessoas. E percebe também como até experientes tomam atitudes erradas, isso legal porque faz você colocar os pés no chão, para não deixar subir muito na cabeça e dropar qualquer onda. É realmente muito perigoso.

SAF: E sua mudança para a Califórnia foi por conta da proximidade de picos de ondas gigantes também?

PR: Em 2006, comecei a ser apoiado pela Hobie (Surfboards), é a primeira marca de surfe do mundo. Era um sonho ter o patrocínio e surfar com uma prancha da Hobie. Em 2006, eu tive essa oportunidade e eles começaram a me apoiar. Em 2007, fui campeão mundial com equipamentos deles e comecei a ter um apoio maior, como viagens para a Califórnia. Gosto muito de desenvolver equipamentos, entender como cada prancha funciona, como faço para mesclar pranchas... Isso foi me aproximando daqui. Meu objetivo de estar aqui agora é o desenvolvimento do surfe clássico e de equipamentos - além de estar perto do Havaí e Mavericks. E também teremos duas etapas de uma nova liga, que chama Surf Relik, em Malibu e Trestles. Então o fato de estar aqui facilita bastante, não temos um custo de viagens do Brasil para cá. Além das etapas da WSL, em Papua Nova Guiné e Taiwan. Aqui, é muito mais fácil de chegar nestes pontos, além dos custos serem muito mais baratos. Se você colocar no papel, vale muito mais a pena manter aqui. Oportunidade surgiu e está totalmente ligado com realizações dos meus sonhos.

Phil Rajzman sonha com longboard na Olimpíada: "questão de tempo"

Por Guilherme Dorini

 WSL/Tim Hain

WSL/Tim Hain

O mais difícil já aconteceu: o surfe virou, de fato, um esporte olímpico. Mas existe alguma possibilidade da modalidade ir além na competição esportiva mais importante do mundo? Para Phil Rajzman, bicampeão mundial de longboard, sim. Para o brasileiro, é questão de tempo para os pranchões invadirem uma Olimpíada e consolidarem, de vez, o ótimo momento vivido pelo esporte na atualidade.

“O primeiro evento, em Tóquio, a gente sabe que só vai ter a pranchinha, mas a campanha das Olimpíadas da Califórnia, o pin (broche) da campanha era um longboard, uma prancha de surfe. É uma questão de tempo, um vai puxando o outro”, disse em uma conversa com o Série ao Fundo.

Quando perguntado se poderia se aproveitar de alguma maneira desta situação, mesmo já com 35 anos de idade, Phil foi direto.

“Não dá para prever o futuro. Posso dizer que eu amo o que eu faço. Se eu não estiver como atleta, certamente estarei em alguma parte, como técnico, algo nesse sentido. E, na pior das hipóteses, caso eu não esteja envolvido, eu vou estar lá na torcida, vibrando e esperando a medalha de ouro do Brasil”, respondeu esbanjando bom humor.

Essas respostas fazem parte de um bate-papo muito prazeroso que o SAF teve com o bicampeão mundial de longboard. Além do sonho em ver sua modalidade virar olímpica, Phil também comentou sobre o momento do surfe no Brasil, a evolução do esporte, seus novos projetos, a vida em Los Angeles e até mesmo sobre sua paixão por ondas gigantes, o que pode, inclusive, render novos desafios num futuro não tão distante.

A entrevista completa vai ao ar na semana que vem! Não percam!

MARGARET ACABA EM BALI

WSL define que a terceira etapa do Tour, paralisada por tutus, terminará na Indo

Por Edinho Leite

Suspeitei desde o início. A WSL confirmou na Quinta-feira, 10 de maio de 2018, que o Margaret River Pro, terceira etapa de 2018, cancelado por conta da alta atividade de tubarões na região da Austrália Ocidental, será concluído.

Pensei que seria já no Brasil, mas não. A onda de classe mundial de Uluwatu, na ilha de Bali, na Indonésia, será o palco da conclusão do evento quase abortado. O restante da etapa acontecerá dentro de 48 horas após o Corona Bali Pro, em Keramas, e terminará no máximo em 13 de junho de 2018.

"O cancelamento do Margaret River Pro foi devido a circunstâncias únicas nesta temporada e estamos ansiosos para retornar à Austrália Ocidental em 2019", disse Sophie Goldschmidt, CEO da WSL, concluindo: "Após consultar o Surfing West Australia sobre a conclusão do evento em 2018, sentimos que a atividade de tubarões que provocou o cancelamento do evento não melhorou significativamente e que o retorno não era do interesse dos surfistas nesta temporada. Nós exploramos várias alternativas antes de decidir por investir na conclusão do evento em Uluwatu, em Bali."

Uluwatu, Bali - Indonésia

INTERESSANTE, DE VÁRIAS MANEIRAS

A Indonésia teve uma etapa fixa em G-Land, no século passado. Alucinante, mas não se manteve no calendário. Em 2008 rolou o evento móvel da Rip Curl, em Uluwato. Na verdade fiquei bem chateado. Os caras fecharam, só para os Tops treinarem e competir, todas as ondas, desde Temples até Padang-Padang. O mais louco é que esse evento era para ter rolado no Oeste Australiano, em Gnarloo, mas os locais fizeram uma baita pressão contra, pois achavam que degradaria o meio-ambiente.

Na Indonésia já aconteceram vários campeonatos do WCT, desde 1976. Bruce Irons venceu o último, em 2008, no The Search disputado em Padang Padang e Uluwatu. Mas a estreia do arquipélago indonésio no Tour foi em 1981, com o OM Bali Pro, em
Uluwatu, vencido por Jim Banks. A edição seguinte foi conquistada por Terry Richardson.

De 1995 a 1997, o leste de Java recebeu etapas do Quiksilver Pro, no pico de Grajagan. Kelly Slater, Shane Beschen e Luke Egan foram os campeões.

Claro, não falei dos eventos em Keramas, CT’s, QS’s e Pro Junio’s. O importante é que a direita performática e tubular já é conhecida do calendário da elite mundial e, ao que tudo indica, Bali pode ter mais uma etapa fixa. Sim, muita gente reclama de haver três etapas na Austrália. O governo da Indonésia parece ter sido o que deu mais viabilidade para o investimento que a WSL terá que fazer para terminar a terceira etapa que ficou pela metade, como confirmou Kieren Perrow, comissário da WSL. "É um investimento significativo para a WSL, mas é a coisa certa a fazer. Uluwatu é uma onda de classe mundial e estamos empolgados em completar o evento lá."

Creio que isso seja um passo na direção de fixarem essa etapa em Bali. Parece uma boa opção para sequência de Keramas.

TOMA LÁ DA CÁ

Engraçado que todas as esquerdas de mão única do Tour tendem sempre a ser tubos. Tipo Fiji ou Mundaka. Pense, não há uma direita como Teahupo’o. Pipe, já foi assim, mas a performance hoje (bom, faz tempo) também se ocupa do Backdoor. O legal é que teremos mais uma esquerda, ao menos para finalizar a etapa que era basicamente
de direitas.

No evento masculino, 24 competidores estão classificados para a competição que será retomada com a 3ª rodada. No evento feminino, oito competidoras ainda estão no jogo e a competição será retomada nas quartas-de- final. Os atletas envolvidos parecem ter gostado. Quem não gostaria?

RANCH É OUTRO SURF

Por Edinho Leite

Sim, o Founder’s Cup of Surfing foi um sucesso, mesmo que nem todo mundo tenha entendido tudo. Afinal, foram muitas novidades de uma só vez.

O evento especial da WSL, no Surf Runch, apresentando uma nova realidade. Aliás, “trem ao fundo”. Uma onda de quatro em quatro minutos. E já tem gente reclamando que demora muito entre uma onda e outra. Poxa! Numa bateria normal, no mar, muitas vezes temos “restart” porque não veio uma marola sequer. Mas eu entendo. Já que é máquina, dá para melhorar. Mas o que pegou não creio que tenha sido o tempo entre uma onda e outra. Foi formato da transmissão da WSL.

A enxurrada de breaks comerciais cansou, no primeiro dia. Poderiam ter colocado replays melhores, comparações entre ondas dos atletas e, claro, gráficos informando melhor sobre pontuação e colocações. Assim, seria mais fácil acompanhar e torcer. Tudo bem, problema facilmente contornável.

ÁGUA E VENTO ou SÓ A FÍSICA QUÂNTICA EXPLICA
A onda feita pelo homem (com duplo sentido) poderia ter uma esquerda com a mesma forma da direita, mas, a pedido dos atletas em acordo com a WSL, preferiram que fossem um pouco diferentes. Na verdade já seriam, de todo jeito. Tanto a água quanto o vento, apresentam um comportamento tão complexo que ainda não foram completamente entendidos pela ciência, logo, fica difícil controlar. (leia: A Onda, de Susan Casey)

Não podemos esquecer que a máquina da Kswaveco faz ondas para lá e volta, fazendo ondas para cá, esquerdas e direitas, dependendo de onde fica o lá e o cá. Por isso, quando numa é terral, na outra é maral, fazendo com que não possam ser exatamente iguais, a não ser num dia de “ladal” ou sem vento. Não era o caso da previsão. Sim, sim, Mick Fanning foi surpreendido por um maldito terral que deixou a onda dele melhor e o confundiu. Perdeu, playboy! Disse a esquerda, mais cavadinha, que correu dele.

TORCIDA E PERFEIÇÃO
As ondas deixaram bem claro o nível em que os atletas competiram. Kelly, o síndico do pico, errou várias vezes justamente por tentar surfar no limite. Ou seja, a presença do público (Slats disse que era diferente surfar com aquela gente toda no muro, gritando) mostrou que alguns atletas sucumbiram à pressão em momentos onde ela já estava estourando a tampa.

Torcida.jpg

O fato das ondas serem tão previsíveis (o que as aproxima da perfeição), mesmo não exatamente iguais, força os atletas a abdicarem do desempenho baseado no improviso. Surfar com sua linha previamente calculada pede muita exatidão na execução e uma boa dose de criatividade. É outro setup mental. Se errar não tem como remar para o fundo e buscar outra onda, especialmente na final. No round eliminatório ainda tiveram três chances cada um.

Quando você comete um erro nesse tipo de onda/competição fica muito visível. Que o digam Parko, Wilko, John John, Igarashi, Kolohe, Builtendag e Steph, só para citar grandes nomes que viram várias vezes o trem, digo a onda, passar dando tchau. Não vou incluir a Tainá por entender que ela está em outro patamar... falo dela logo mais.

SUBJETIVIDADE
Por mais controlada que tenham sido as variáveis, minimizando a subjetividade do que poderia ser feito naquela pista, não tem jeito. Para o meu gosto a direita do Kelly na final teria uma nota, se não mais alta, mais próxima da nota do Jordy. Mas, ok, achei justo. No fim das contas, Jordy foi realmente um grande destaque o tempo todo.

CONSTATAÇÕES

Quer imprevisibilidade? Tá aí: O Brasil, no fim do primeiro dia, parecia ter pouca chance de chegar à final. Ninguém estava apostando muito no time do “Resto do Mundo” (horrível essa nomenclatura).

A água doce deslocada naquele lago, diferentemente do mar, deixa a prancha com quase a mesma velocidade relativa dela. Além disso, é mais pesada. Resultado: menos tração nas quilhas, em várias situações. Pernas exauridas e muitas ondas foram perdidas.

Fica a dica. Pranchas para esse tipo de onda não precisam ser tão leves. Podem ser de EPS, com menos espessura, litragem, do que você usa normalmente. Ficam mais sensíveis assim e, afinal de contas, ninguém tem que remar muito para entrar na onda.

A troca de pranchas do Jordy, muito embora fossem duas ondas quebrando de maneira diferente, deixou bem claro que, sim, pranchas assimétricas ainda vão ganhar espaço. Agora temos realmente onde testá-las, assim como qualquer outro modelo.

Havia o nervosismo, mas ficou claro o quanto Tainá melhorou, da primeira à última onda, surfando sete delas. Que escola divertida esse lago.

Medina foi o mais power, sangue frio e, vai pra p... que técnica de tubos de back é aquela?! Incrível.

Filipe foi o mais elétrico e criativo, não só pelas manobras, mas onde as encaixou.

Podemos esperar uma nova geração de surfistas que não sabem nadar, nunca entraram no mar, não precisam lidar com seus medos, mas sabem voar, entubar e vão ter pernas muito fortes.

O surf acaba de asfaltar outro caminho para treinos e competições. Eventos com times de marcas de pranchas, confrontos de equipes, cronometragem de tubos, aéreos mais altos, mais inusitados. Tudo isso estará no cardápio competitivo logo mais. Podem esperar.

Slater surfa muito, mesmo tendo errado várias, por tentar surfar tão no limite da onda e da performance, aos 45.

Happy Gilmore na esquerda, de cabelos secos. Isso não é análise, eu sei, mas não me sai da cabeça.

Sim, é outro esporte. Perfeito para TV e lugares onde não há ondas de mar. Olímpico, pois só depende do preparo, técnica, talento e criatividade do atleta.

As ondas artificiais de água doce nunca substituirão o mar, mas, confesse, você gostaria de uma dessas por perto naqueles dias de flat, não?

   
  
   
  
    
  
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      Na onda da     KSWAVECO a imprevisibilidade fica por conta dos atletas e muito menos, quase nada, da onda.

Na onda da KSWAVECO a imprevisibilidade fica por conta dos atletas e muito menos, quase nada, da onda.

Longboard, evolução e surfe feminino: um papo com Chloé Calmon

Por Guilherme Dorini

Você acha mais fácil surfar de longboard do que de pranchinha? Pergunte isso para uma menina de 12 anos tentando carregar um pranchão de três metros até dentro do mar. No entanto, por incrível que pareça, foi assim que começou uma longa paixão entre Chloé Calmon e a modalidade que pratica até hoje. A brasileira, que já foi duas vezes vice-campeã mundial na competição chancelada pela World Surf League (WSL), conversou com o Série ao Fundo sobre o início da carreira, surfe feminino, sua evolução e o tão sonhado título.

“Meu objetivo principal é ser campeã mundial. É onde eu coloco toda minha energia treinando e visualizando minha vitória. Sei que é uma coisa que vai vir no tempo certo. Já coloquei muita expectativa em cima disso e me frustrei bastante, embora fossem bons resultados. Já aprendi muita coisa, mas ainda tenho muito para melhorar. Vai ser uma coisa muito natural [ser campeã]. Já visualizei e imaginei várias vezes isso acontecendo”, disse ao SAF.

 Reprodução / Instagram

Reprodução / Instagram

Aos 23 anos, Chloé é uma das caras do surfe feminino no Brasil. Além de ter uma evolução incrível na parte profissional ao longo dos últimos anos, ela ainda se destaca na televisão com programas sobre o esporte e é vista com ótimos olhos pelas (várias) marcas que a patrocinam. Quando perguntada sobre a situação atual do surfe feminino no país, ela rechaça qualquer tipo de estigma.

“Hoje em dia, as mulheres pararam de ficar batendo nessa mesma tecla de que 'o surfe feminino não tem apoio'. Isso é mentira. Você vê várias empresas grandes patrocinando atletas, o Circuito Brasileiro feminino com mais etapas do que o masculino, o que nunca aconteceu... Acho que as atletas já saíram desse momento de ficar reclamando e já estão vivendo uma fase muito melhor”, opinou.

Confira o bate-papo completo com Chloé Calmon:

Série ao Fundo: Como você começou no surfe?

 Reprodução / Instagram

Reprodução / Instagram

Chloé Calmon: Ganhei minha primeira prancha com 10 anos, mas tenho foto de fralda em cima de um longboard do meu pai. Ele sempre me levava na praia, me colocava em cima da prancha, nas ondas... Não sei ao certo com quantos anos eu comecei, mas o marco foi quando ganhei minha primeira prancha e comecei a ir todo final de semana. Foi aí que, realmente, começou o meu contato com surfe direto. Fiz natação desde os dois anos de idade, então, sempre me senti muito a vontade na água. Me ajudou muito a entrar no surfe tão cedo.

SAF: E como parou no longboard?

CC: Comecei com um fun board, 6'0, que, para mim, na época, já era maior que eu. Dois anos depois, com 12 anos, eu peguei o longboard do meu pai emprestado em um dia que estava pequeno. E digo que foi amor à primeira onda. Nunca mais devolvi a prancha para ele. Realmente me apaixonei. Todos os meus amigos surfavam de pranchinha e falavam: 'longboard é coisa de velho, de pai'. Mas o que eu achava mais diferente era: como que eu, com 12 anos, conseguia controlar uma prancha de três metros? E como eu conseguia usar cada centímetro daquela prancha tão grande na onda. Para mim era o ballet do surfe, a coisa mais bonita e feminina que tinha de esporte. Mesmo com todas as dificuldades - a prancha não caber no meu braço, ser pesada... Meu pai levava até o pé da água, eu chamava ele para me ajudar quando ia sair... Esse desafio foi o que me manteve no longboard, era por ser mais difícil.

SAF: E ser profissional de pranchinha nunca passou pela sua cabeça?

CC: Eu nunca tive muito gosto pela pranchinha. Me apaixonei pelo longboard desde cedo e nunca tive vontade de seguir um outro lado. Até surfei de pranchinha quando era mais nova, mas o longboard para mim é o mais imprevisível, você nunca enjoa, cada dia pode surfar de um jeito diferente. Um dia você pode ser mais radical, no outro totalmente clássico... Você aproveita ondas de um palmo ou três metros. Algo que me adaptei muito rápido.

SAF: E quando começou de fato a competir?

CC: Comecei a competir com 12 anos mesmo. Meu pai me levava muito na Praia da Macumba, reduto de longboarders do Rio de Janeiro. Em uma dessas vezes, estava tendo uma etapa de um campeonato estadual de longboard. Entrei nessa primeira competição, não tinha mais vaga na feminina, entrei na iniciante masculina, passei duas baterias... Foi quando o bichinho mordeu e eu não queria mais fazer outra coisa. Me profissionalizei dois anos depois, quando eu ganhei o Circuito Petrobras, que era válido como o Brasileiro daquela época - tinha 14 anos. No ano seguinte, ganhei a vaga para competir no Mundial de Longboard, que, na época, era na França. Foi outro marco muito importante. Quando cheguei lá, eu vi que era onde eu queria estar, entre as melhores do mundo, ser uma delas. Sabia que teria que abrir mão de muita coisa, me dedicar, mas sabia também que estava sendo muito sortuda. Então, com 15 anos, foi um marco mesmo.

SAF: E de lá para cá sua história tem evoluído muito. Você foi duas vezes terceiro lugar no Mundial, duas vezes vice-campeã. Esse ano o título vem?

CC: Estou há nove anos no Circuito Mundial, a minha caminhada tem sido muito boa. Tenho aprendido muito a cada ano que passa. É uma caminhada longa. Antes de ser terceira colocada por dois anos, eu fui dois anos como nono lugar, um ano como quinto, dois como terceiro, dois como segundo e, claro, meu objetivo principal é ser campeã mundial. É onde eu coloco toda minha energia treinando e visualizando minha vitória. Sei que é uma coisa que vai vir no tempo certo. Já coloquei muita expectativa em cima disso e me frustrei bastante, embora fossem bons resultados. Já aprendi muita coisa, mas ainda tenho muito para melhorar. Vai ser uma coisa muito natural [ser campeã]. Já visualizei e imaginei várias vezes isso acontecendo.

 Reprodução / Instagram

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SAF: De certa forma, acredita que essas frustrações foram boas para você?

CC: A cada ano eu me fortaleço ainda mais. Estou mais confiante. É longa [caminhada], mas crescente. Vejo algumas meninas que entram no circuito, em dois, três anos, ganham o título, se tornam estrelas da noite para o dia, mas, depois, não têm nenhum resultado forte, não tem consistência - se apaga de novo e não tem um bom resultado. Apesar de não conquistar o título ainda, tenho mantido uma sequência de resultados boa, fazendo pódio em todos os eventos... Isso me deixa cada vez mais perto do meu objetivo.

SAF: O Mundial é um tiro curto*, né? Disputar também a divisão de acesso te ajuda a manter um ritmo de competição?

CC: Fica difícil você treinar 12 meses e competir por cinco dias, uma semana. Tem muita pressão, expectativa... Se você comete algum erro, precisa esperar um ano de novo para colocar em prática o que aprendeu. Então, a forma que encontrei para me manter ativa, competindo, e encontrando o ponto de melhoria, é participando do qualificatório, o LQS (divisão de acesso do longboard mundial), que tem várias etapas ao longo do ano. Continuo em contato com as atletas, surfo ondas diferentes e mantenho um ritmo bom para chegar no Mundial.

*no último ano, a competição foi realizada em duas etapas. Nesta temporada, apenas uma etapa está confirmada até o momento.

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SAF: E essa conta fecha? Consegue dinheiro suficiente para viajar para todas essas etapas?

CC: Sim. Hoje em dia, com todos os meus patrocínios, eu consigo viajar, participar dos eventos, fazer viagens de freesurf... Além disso, apresento alguns programas no Canal OFF. Isso tudo me dá uma base para eu viver uma vida de sonho, sempre atrás de novas ondas.

SAF: É notável a transformação que o surfe sofreu no Brasil após os títulos do Gabriel e do Adriano. Você também sentiu isso no surfe feminino?

CC: Acho que foi um divisor de águas muito grande no surfe brasileiro (os primeiros títulos mundiais - do Medina e do Mineiro). Hoje em dia, o surfe é muito popular e tomou um ar muito mais profissional. Antigamente, o surfista tinha a imagem de que não era atleta, era vagabundo, ficava na praia... Hoje em dia é visto como um atleta tão profissional quanto um jogador de futebol, de vôlei... Acho que nessa evolução também anda o surfe feminino. Nos últimos anos, tivemos a volta do cenário de competições no Brasil, você vê o nível aumentando, mulheres surfando tão bem ou até melhor que alguns homens. É uma caminhada lenta, mas crescente. Temos várias empresas apostando no surfe feminino, como a Neutrox, por exemplo, que patrocina a Silvana Lima, a Nicole Pacelli e eu, Eclowater, Roxy... Enfim, várias empresas grandes apostando no surfe feminino, apoiando atletas, revivendo o cenário de competição...

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SAF: Incomoda o fato de o surfe feminino ainda ser relacionado diretamente com a aparência das surfistas?

CC: Minha maior preocupação é ser uma atleta de ponta completa, mas, hoje em dia, não adianta você só ter performance e bom resultado. O trabalho fora da água também é muito importante: o retorno que você dá para seus patrocinadores, o relacionamento com mídia, televisão, falar com jornalistas, mídias sociais... Uma surfista completa é aquela que consegue entregar o pacote completo: tanto dentro como fora da água. A marca te que patrocina quer vender, então ela precisa também da imagem, da propaganda... Às vezes isso vale até mais que o resultado... Meu foco sempre foi fazer os dois lados muito bem, mas sempre tendo em vista que quero ser notada por ser uma ótima surfista, não por ser uma modelo. Tenho os patrocínios que tenho hoje por participar do Circuito Mundial há nove anos, sou profissional há 13... É uma longa caminhada. Tem muita gente que diz: 'é porque apresenta programa no OFF, porque é bonitinha' [que tem patrocínios]. Mas é um trabalho que vem de vários anos.

SAF: Ainda rola muito preconceito? É difícil ser mulher surfista no Brasil?

CC: Acho que se falou sobre isso por muito tempo, mas sempre a [batendo na] mesma tecla, até ficou chato. Se você coloca na cabeça que é difícil ser mulher surfista no Brasil, vai ser assim para o resto da sua vida. Você precisa parar de se olhar como vítima, correr atrás de um melhor desempenho, seja em campeonatos, retorno melhor com patrocinadores, apresentado programa de televisão, sendo jornalista... O mais importante é você correr atrás e dar duro. Hoje em dia, as mulheres pararam de ficar batendo nessa mesma tecla de que 'o surfe feminino não tem apoio'. Isso é mentira. Você vê várias empresas grandes patrocinando atletas, o Circuito Brasileiro feminino com mais etapas do que o masculino, o que nunca aconteceu... Acho que as atletas já saíram desse momento de ficar reclamando e já estão vivendo uma fase muito melhor.

Yuri Soledade analisa evolução do big wave e projeta: "brasileiros vão dominar"

 Gary Peterson / Facebook

Gary Peterson / Facebook

Por Guilherme Dorini

Vencedor do XXL em 2016 e um dos responsáveis por estender os limites da remada na famosa onda de Jaws: Yuri Soledade é, sem dúvida, um dos maiores nomes da história do surfe em ondas gigantes. Baiano radicado no Havaí, o surfista faz parte dos Mad Dogs, apelido que ganhou, ao lado de Danilo Couto e Márcio Freire, justamente pela forma como encarava as temidas ondas de Jaws, localizada na pequena ilha de Maui, casa do brasileiro desde 1994.

Em um bate-papo com o Série ao Fundo, Yuri analisou a evolução do surfe em ondas gigantes nos últimos 20 anos, desde os equipamentos utilizados até a maneira como os surfistas se comportam após o drop no paredão de água, e projetou: a nova geração brasileira vai dominar o esporte nos próximos anos.

“Acho que essa galera da nova geração é quem vai ter destaque no futuro. Acho que já está rolando uma troca de gerações, e vejo o Brasil se posicionando muito bem. No futuro, não será apenas no WCT (Circuito Mundial de Surfe), com a galera do Brazilian Storm, mas acho que também no Big Wave Tour (BWT). Fico até com pena dos gringos, porque vai ter um ou outro ali... Os brasileiros vão dominar”, cravou ao SAF.

Além do seu talento dentro do mar, Yuri também é um empresário de mãos cheias. O brasileiro é dono, ao lado de uma sócia, de cinco restaurantes em Maui – já planejando a abertura de um novo em Oahu, o primeiro na outra ilha. Ele ainda é casado com Maria, com quem tem três filhos: Kaipo, do primeiro casamento da esposa, mas que cresceu com Yuri desde os oito meses de vida e que faz sua segurança no mar, Kiara e Koa.

 WSL

WSL

Confira na íntegra o bate-papo com Yuri Soledade:

Série ao Fundo: Há dois anos, em uma conversa que tivemos, você apostava que o momento dos brasileiros em ondas gigantes chegaria. Hoje, podemos dizer que esse tão sonhado momento chegou?

Yuri Soledade: Eu acho que sim. Acho que finalmente o big wave está tendo seu espaço devido - não só na mídia especializada, mas também na mídia geral. O Chumbinho (Lucas Chianca) liderando essa galera, tem o (Pedro) Calado e vários outros que estão por vir, como o Kona, para mim tem um talento imenso, o Lapinho (Coutinho)...

SAF: E quais são as principais diferenças da sua geração para essa nova que está chegando?

YS: Na nossa época não existia um caminho traçado, né? Tivemos que lutar, desbravar, descobrir como funcionavam as coisas, principalmente o perigo de se machucar, de até morrer mesmo, que era muito maior. Não existia um caminho, um limite para o tamanho das ondas. Os equipamentos eram totalmente defasados... A galera vinha mesmo no intuito, na paixão, na vontade de botar para baixo, ser um Mad Dog: ir lá e tentar na cara e na coragem. Já essa nova geração, não. Eu senti no Chumbinho: chegou com muita sede, muita vontade e, graças ao (Carlos) Burle, conseguiu manter um foco. O esporte pode machucar muito e ele sofreu com isso neste ano. Se não tivesse machucado, poderia até ter sido campeão mundial já neste ano. A vontade de ir lá e botar para baixo, querer estar em todo swell, virar nas maiores ondas... É uma coisa do brasileiro: aquela raça, vontade de mostrar... Vem muito do coração. Desde criança você sabe quem vai ser um big rider ou não.

SAF: O cenário é mais favorável hoje em dia?

YS: Eu acho que, hoje em dia, os equipamentos, a mídia, tudo dá um apoio muito maior. É muito mais fácil o cara ter condições de viajar, estar em todo swell. Para nós, naquela época eu nem imaginava... Naquela época, ter um Jet ski, era como se o cara me falasse hoje que eu teria um jato particular. Era totalmente fora da nossa realidade. Hoje em dia você já vê os atletas, como o Chumbinho, viajando, passando temporada em Portugal, vindo para Mavericks (EUA), Maui (HAW)... Às vezes, em uma semana, o cara está em três lugares. Naquela época nós não tínhamos dinheiro nem para comer, quem dirá viajar. Isso está ajudando e diminuindo o tempo de evolução. Com 20 e poucos anos, já tem anos de experiência, surfando os maiores mares do planeta. Isso faz com que a evolução seja muito mais rápida e que ele possa se sentir confortável em qualquer condição de mar.

SAF: Aproveitar melhor as ondas, e não apenas sobreviver nelas, é o próximo passo da evolução do big wave?

YS: Acho que sim. O próximo passo das ondas gigantes era realmente poder surfar uma onda grande como se fosse uma pequena. E isso a gente vê na galera da nova geração. Acho que o Chumbinho, o próprio Kai Lenny, e vários outros, realmente assimilaram bem esse propósito e estão colocando em prática. Na nossa época, eu sempre usei isso como meu lema principal: usar a onda grande como se fosse uma onda pequena, mas a gente não tinha o total apoio, nem os equipamentos, nem as pranchas... Acho que esse é o futuro do big wave surfe.

SAF: Há dois anos, você ainda demonstrava um interesse muito grande em ser convidado para mais etapas do BWT. Como está isso?

YS: Eu sempre sonho em participar da etapa de Jaws. Por tudo que, não só eu, mas o Danilo (Couto) e o Márcio (Freire), fizemos aqui por esse esporte, acho que deveríamos ser chamados todos os anos. Mas entendo que, realmente, fica difícil. Fui convidado por dois anos seguidos, nos primeiros anos, esse último ano foi o Danilo chamado, e ainda espero ver o Márcio ali dentro do evento. Sempre sonhei em ser convidado para as outras etapas. Ano passado, pelo ranking do ano retrasado, acabei ficando como um dos primeiros alternates (substitutos). Acabou que era para eu ter ido para o México, e não rolou a vaga, era o segundo alternate de Jaws, um mexicano entrou, e eu não, e fui para Portugal. Lá, era o primeiro alternate, estava com a roupa de borracha, todo pronto, vendo se alguém faltava, mas não surgiu essa oportunidade. Faz parte, temos que entender que existe um número de vagas limitado, e que existem grandes atletas. Tive minha oportunidade. Se pintar, vou estar pronto, disposto, vou estar lá. Mas sei que existe essa nova geração, e também curto ficar do lado, ou trabalhando de técnico, como faço com o Kai Lenny, observando e vendo o que essa galera vai aprontar no futuro.

SAF: Seu filho (Kaipo) continua fazendo sua segurança na água?

YS: O Kaipo continua indo, mas nos últimos anos não tivemos grandes swells em Jaws. Tivemos aquele inverno do El Niño, de 2015 para 2016, e, desde aquela época, não tivemos grandes swells. Ele sempre me acompanha, e agora está montando touro, fazendo os dois esportes que ele mais curte: montar touro (e também é o segurança dos rodeios) e estar em Jaws salvando as pessoas com o jet ski. Ele achou as duas profissões dele, uma na terra e outra na água. Graças a Deus ele continua lá me ajudando e sempre lá para me salvar.

SAF: Imagino a situação da Maria, como mãe e esposa...

YS: Eu tenho a maior pena da minha esposa (risos). A Maria, coitada, não sei o que é pior: o marido que só anda se jogando nas ondas grandes, viajando, Portugal, Jaws... E o filho que agora piorou, agora é o ano inteiro, o marido era só durante o inverno. O filho, não, é quase toda semana - e volta todo quebrado: o touro pisa em cima, dá uma chifrada... Aí vai para Jaws, aquela adrenalina, não sabe se vai voltar... Realmente, eu dou o maior valor para minha esposa. Ela está de parabéns por segurar essa onda, não é uma onda que eu gostaria para ninguém.

SAF: Vocês está com 42 anos. Tem uma data, ou um limite, para encerrar a carreira profissional?

YS: Acho que o maior exemplo que eu tenho é o (Carlos) Burle. É um cara que saiu quando ele estava no topo, acho que tinha condições de disputar qualquer título em qualquer evento o mundo. Ele estava com 50 e saiu por cima. Então, não gosto de colocar datas e nem expectativas... Sempre falo para minha esposa e meus filhos: enquanto eu estiver lá, me divertindo e puxando os meus limites, eu quero estar lá. No dia que eu achar que não dá mais, sentir um medo que não dá para controlar, eu paro e vou entrar mais nos bastidores, tentar ajudar o esporte, que me deu tanto, a crescer mais.

SAF: Você ainda tem algum sonho para realizar?

YS: Acho que uma das minhas metas é poder pegar um swell épico em Nazaré. Fui lá algumas vezes, peguei umas ondas, mas ainda não foi a que eu gostaria. Acho que em Jaws já peguei a onda que sempre sonhei. Então, agora, minha meta é essa: passar um pouco mais de tempo em Portugal e, de repente, pegar uma bomba lá na remada ou mesmo em um dia gigante de tow-in, tentar fazer uma linha diferente. Vejo que a galera lá pega umas ondas grandes, mas ainda têm um pouquinho para evoluir nas linhas que você faz na onda. Não sei se vou conseguir, mas queria ir lá e fazer uma linha diferente - de tow-in ou uma bomba gigante na remada.

 Soledade e Kai Lenny / Matt Brandt / Facebook

Soledade e Kai Lenny / Matt Brandt / Facebook

SAF: Deixando o surfe um pouco de lado, como estão os restaurantes e sua vida em Maui?

YS: Nesses últimos dois anos, por algum motivo, até por não ter dado essas ondas gigantes por aqui, eu acabei focando nos restaurantes. Sempre gosto de puxar os meus limites e, consequentemente, estou puxando nos negócios. Os restaurantes estão indo muito bem aqui. Estamos abrindo um novo em Waikiki, em Oahu. O mais novo que abrimos aqui virou marco em um ano e meio, está bombando. Graças a Deus as coisas vão bem. Ano passado recebemos o título de empresário do ano no estado do Havaí, eu com minha sócia. Começamos com um restaurante pequenininho, que tinha nove empregados. Agora estou com cinco, e quase 150 empregados. Nestes últimos dois anos houve uma evolução muito grande.

SAF: Ainda pensa em voltar para o Brasil?

YS: Bom, para morar, eu não sei. Meu sonho, desde que eu mudei para cá, com 18 anos, era sempre poder passar o inverno aqui e o inverno lá, sempre pegando as ondas grandes (risos). Então, se eu pudesse passar seis ou oito meses aqui e quatro lá, seria meu sonho de vida. Mas, com a família, os negócios evoluindo, vejo que esse sonho está cada vez mais difícil.

SAF: E você mantém ainda algum negócio no Brasil?

YS: Já tive bar, restaurantes, mas, ultimamente, resolvi focar só aqui. Estava um pouco focado, não só na minha carreira profissional do surfe, mas também nos restaurantes e acabei deixando um pouco de lado os negócios no Brasil. A única coisa que eu tenho lá, é o meu relacionamento com o meu patrocinador, a Mahalo, que é uma empresa que me apoia desde criança, desde os 12 anos de idade. Eles continuam crescendo bastante no Brasil, e eu gostaria muito de retribuir todo apoio que eles me deram todos esses anos. Se eu pudesse estar lá, junto com eles, dando uma força, seria algo que eu gostaria de fazer ainda na minha vida.

Campeão em Nazaré, Chumbo sonha com XXL e título mundial de ondas gigantes

 WSL / ANTOINE JUSTES

WSL / ANTOINE JUSTES

Por Guilherme Dorini

“Expectativa baixa, objetivo alto e trabalho constante. Assim, a gente chega longe”. Esse é o ditado que guia a jovem, mas já muito bem sucedida, carreira de Lucas Chianca, o Chumbo, grande revelação brasileira no surfe de ondas gigantes. Treinado por Carlos Burle, o carioca de apenas 22 anos roubou a cena no começo deste ano ao faturar o Nazaré Challenge, última etapa do Mundial de Ondas Gigantes (BWT), e terminar a temporada na quinta posição geral.

Chumbo conversou com o Série ao Fundo para contar todos os detalhes de sua promissora carreira: desde os tempos em que trabalhava no Havaí para pagar suas viagens para Jaws, até o momento que se conectou com Burle e decidiu apostar todas as suas fichas no surfe de ondas gigantes – onde sonha se tornar campeão mundial.

“Eu tinha feito um ano todo de WQS, não tinha ido tão bem, estava meio sem ponto, mas tinha um dinheiro guardado. Foi quando o Burle me chamou para treinar em Nazaré. Foi aí que nos  conectamos, começamos a trabalhar, tivemos uma afinidade boa e começamos a ver que nosso trabalho estava dando certo. Queríamos entrar no tour (BWT), esse era nosso objetivo. Trabalhamos bastante de outubro até fevereiro, foi quando conseguimos pela Performance of the Year”, contou ao SAF.

Além do BWT, Lucas revelou que disputará algumas etapas da divisão de acesso do surfe mundial de pranchinha (WQS) e que está ansioso para a premiação do Big Wave Awards, que acontece neste mês. O brasileiro concorre com quatro ondas na categoria "Maior Onda na Remada" e uma na "Melhor Performance Masculina".

Confira o bate-papo na íntegra com Lucas “Chumbo” Chianca:

Série ao Fundo: Como foi seu começo no surfe?

Lucas Chianca: Eu comecei a surfar em Saquarema (RJ), com meu pai, quando eu tinha três anos de idade. Eu era bem molequinho, só por esporte mesmo. Foi uma coisa que foi crescendo, competindo no amador, até os 17 anos, quando virei profissional. Sempre fui pelo caminho do surfe de ondas pequenas, mas me destacava mais nos mares de ondas grandes. Quando eu fiz 18 anos, e tive aquela pequena independência dos pais, fui para Jaws (HAV) pela primeira vez... Foi aí que foi embalando. Depois dessa viagem eu comecei a gostar mais [de ondas gigantes].

SAF: A ideia inicial era de virar profissional na pranchinha, né? Como era isso na sua cabeça?

LC: A ideia inicial antes era disputar WQS, entrar para o WCT e ser campeão mundial. Só que eu sempre gostei mais de onda grande, tinha um apego maior quando o mar subia... Eu ficava mais confortável, mais atirado... E deu certo! Acho que agora mudei para o esporte certo. Nas ondas pequenas, quando o WQS estava com onda muito pequena, acabava me atrapalhado um pouquinho, não era meu forte... Tem aqueles "maroleiros ratos" sempre (risos).

SAF: O desgaste que é disputar o WQS, além da parte financeira, também pesou na sua decisão?

LC: Com certeza. Desde quando comecei o WQS, eu já não tinha patrocínio. Então, era sempre do meu bolso, meu pai me ajudando... Era muito difícil manter isso e dar uns tiros para Big Wave... Todo dinheiro que eu fazia no WQS, eu guardava e investia em uma trip de onda grande, que era o que eu gostava. Comecei a fazer vários WQS, fui melhorando, fiz um ano bom, lucrei um dinheirinho e fui para Mavericks (EUA). Lá eu me apaixonei de uma forma... Soube que queria aquilo para mim, mas não sabia qual era o caminho para entrar no Big Wave Tour, como fazer... Foi aí que meu tio, Marcos Monteiro, que me levou em Mavericks pela primeira vez, me conectou com o Carlos Burle, que é meu treinador agora. Trilhamos um caminho e deu um pouco certo.

SAF: E que ano foi essa "virada de chave"?

LC: Foi em outubro de 2016. Eu tinha feito um ano todo de WQS, não tinha ido tão bem, estava meio sem ponto, mas tinha um dinheiro guardado. Foi quando o Burle me chamou para treinar em Nazaré (Portugual). Meu tio não conseguiu ir junto dessa vez, mas eu fui com o Burle. Foi aí que conectamos, começamos a trabalhar, tivemos uma afinidade boa e começamos a ver que nosso trabalho estava dando certo. Queríamos entrar no tour [de big wave], esse era nosso objetivo. Trabalhamos bastante de outubro até fevereiro, foi quando conseguimos entrar no Big Wave World Tour pela Performance of the Year.

SAF: E você lembra como foram as primeiras experiências em ondas grandes?

LC: Na verdade, eu sempre gostei muito. Desde moleque eu ia para o Havaí, com 14 anos, já surfava Waimea grande, 18 pés, 20 pés... Sempre quis ir para Jaws. No primeiro ano, meu pai não tinha deixado, no segundo não deixou de novo... Aí no terceiro ano, eu já tinha 18 anos, trabalhei no Havaí, comprei minha primeira passagem para Jaws e fui ver a realidade, né? Waimea é uma onda bizarra, mas não é igual Jaws, Mavericks, Nazaré, Puerto Escondido... Essas ondas que são power. Waimea é mais soft assim, abraça a gente, é mais fácil. Na minha primeira vez em Jaws, já peguei um swell gigante, já consegui pegar algumas ondas e me dar bem no pico. Fiquei muito feliz, já me apaixonei pela parada. Dropar uma onda gigante foi a coisa mais feliz da minha vida. E queria repetir isso. Continuei trabalhando no Havaí, indo para Jaws em todo swell, com uma prancha só, e deu certo. Fiz a temporada, três Jaws... Levei até meu irmão nessa temporada, ele tinha 14 anos, pegou uma bomba também...

SAF: Você trabalhava com o que no Havaí para conseguir esse dinheiro?

LC: No Havaí, eu trabalhava de pedreiro, jardineiro e fazendo comida em um food truck. E aí, eu fiz uma grana, consegui juntar um dinheiro forte para viajar três vezes para Jaws, comprar duas pranchas...

SAF: E você ficou nessa por quanto tempo?

LC: Fiz quatro meses de trabalho.

SAF: Mas valeu a pena, né?

LC: Valeu, valeu muito a pena. Foi o pontapé.

SAF: E como é a vida de um big rider? Viver em torno de um swell...

LC: A vida de big rider não é fácil, né. É mais ou menos isso aí mesmo. A gente tem que estar 365 dias do ano pronto para, quando acontecer [um swell], estar 100% pronto para o que vier. Só sabemos dos swells uns cinco dias antes. Então, temos que ter a vida livre. Não posso marcar um eveto para daqui um mês, nunca sei se vou estar daqui um mês no Brasil, ou na Austrália... Nossa vida não é tão um mar de rosas que tudo mundo pensa. A gente viaja, vai para uns lugares irados, pega várias ondas, mas temos que estar prontos para viajar em qualquer momento e circunstância - dormindo em aeroporto, fazendo escalas gigantes... Temos que chegar naquela hora, naquele momento e pegar a hora boa do mar.

SAF: Já deve ter rolado várias frustrações também...

LC: Isso é uma coisa que temos que estar dispostos, pode acontecer. Sempre muda um pouquinho, o vento sempre muda, o swell muda, aumenta, diminui... É a mãe natureza, ela que manda, temos que estar sempre abertos para o que ela vai entregar para a gente.

SAF: Vamos falar da parte financeira. A conta está fechando?

LC: A conta ainda não fecha, a gente investe mais do que ganha, mas é meu sonho, o esporte que amo, meu trabalho. Vou continuar investindo, tenho recebido uns bons frutos... Deu para dar uma respirada depois que ganhei o Nazaré Challenge, para começar esse ano... Se não fosse isso, a gente ia fechar a conta no negativo total esse último ano.

SAF: O apoio é diferente para quem está no big wave ou na pranchinha?

LC: Na verdade, é o mesmo apoio, estou aberto aos patrocínios, tenho dois que me ajudam muito, que é a Blu-X e o Spoleto, que são os que me ajudam financeiramente. Também tenho outros co-patrocínios. Spoleto bancou meu tour esse último ano, a Blu-X estamos em uma campanha com eles, temos trabalho legal juntos... Mas as marcas em si não estão muito felizes com a economia e não sei por que não estão patrocinando a gente, mas vamos esperar, vai que uma hora da certo.

SAF: E vencer a etapa em Nazaré foi o auge...

LC: Pô, Nazaré foi incrível, parece que nem aconteceu. Foi um sonho realizado. Foi muito trabalho. Eu e o Burle trabalhamos muito para isso, investimos pesado, queríamos muito que isso acontecesse. No ano passado, tive minha lesão no início, que foi uma coisa que me bloqueou bastante. Quebrei o perônio e rompi dois ligamentos do tornozelo... Fiquei quatro meses em reabilitação, mas depois de dois meses já estava de pé, surfando de novo... Meu objetivo já era ser campeão mundial, bater de frente no tour, conseguir um espaço lá dentro... Mas Deus sabe o que faz, ele que escolhe. Foi bom para mim [a lesão], um aprendizado e amadurecimento gigante para mim. Passei por cima com tudo. Perdi a etapa de Puerto Escondido, que era a etapa que eu sonhava em competir, e talvez esse ano nem role, mas fui com tudo para as outras etapas. A primeira etapa foi em Jaws, tive um desempenho muito bom, mas calhei de cair em uma superheat, a segunda semifinal, só com notas altas, fiquei em quinto e terminei em 9º no geral. Estava treinando muito, queria minha reclassificação para o BWT, precisava de uma final e deu certo. Fui para Nazaré com sangue no olhos, já tinha gastado quatro vezes em Nazaré, estava pronto, sabia tudo que ia acontecer naquele evento. Cheguei muito bem, com o Burle, foi um sucesso, estava confortável e seguro para tudo que viesse. Acho que ganhei por isso. Tive muita ajuda de todo mundo para realizar meu sonho e consegui colocar o Brasil de novo no lugar mais alto do pódio.

SAF: E depois ainda teve o Capítulo Perfeito...

LC: No Capítulo Perfeito, mais uma vez a minha experiência ali em Nazaré me deixou muito a vontade. Muito tempo que eu não encostava na prancha pequena, só surfando de gunzeira, de prancha de town in... Quando encostei, foi dois dias antes do evento para treinar. Consegui colocar a prancha no pé, me entender... Nazaré conheço bastante aquela onda, consegui me posicionar no campeonato inteiro... Que pena que não ganhei, estava com tudo para ganhar, só não consegui achar as ondas ali no final, mar já estava bem ruim. Tudo que eu colhi esse ano foi muito bom, estou muito grato. Espero que logo mais apareça alguma marca para me patrocinar.

SAF: Nós vimos você atacando as ondas em Nazaré. Já é uma evolução no Big Wave?

LC: Acho que a nova geração tem vindo com uma cabeça um pouco diferente. Como batemos muito de frente no WQS, competição, a molecada treinando muito para ser WCT... Quando descobre a paixão pelas ondas gigantes, acabamos atuando diferente. Acho que a "velha geração" - eles são novos ainda e botam para fuder com a gente ainda -, abriram as portas, mas hoje estamos chegando com outra pegada, outra performance, outra visão da onda. Não queremos só sobreviver na onda, queremos performar e conseguir fazer o nosso melhor na onda, né?

SAF: E como é o relacionamento com o Burle?

LC: Eu dou graças a Deus por ter o Burle do meu lado. Acho que foi essencial, um ponto alto na minha carreira. Com ele, trabalhamos minha cabeça melhor para competir nas ondas gigantes, me adaptar ao novo mundo das ondas gigantes. Eu falo que ele é a experiência e eu sou o talento e o cavalo. Ele coloca a rédea e o cavalo está dando certo, é um cavalo de raça, que é só adestrar e colocar certinho. Ele é como se fosse uma família para mim. Agradeço ao meu tio Marquinhos, que foi quem nos conectou. O Burle mudou minha cabeça, minha vida. Não só a minha, mas da minha família. Pensamos diferente. Foi muito importante na minha vida. Não só conhecer ele, mas trabalhar com ele. É incrível. É uma gratidão eterna.

SAF: E quais são os planos e objetivos para o futuro?

LC: Se a gente for falar de futuro próximo, estou indo para o XXL em abril, dia 24 é a festa, tenho muitas ondas concorrendo, conto com a torcida de todo mundo. É difícil ganhar, mas estamos bem, concorrendo com ondas muito boas. Futuramente, é continuar trabalhando, produzindo conteúdo, esperando os eventos de onda grandes, esperando as ondulações chegarem a algum lugar do mundo para ir atrás delas. Esse ano vou correr alguns WQSs também, vou tentar investir para não ficar muito parado, manter um ritmo de competição. Essas são minhas metas. Quero muito levar o Brasil para o pódio, ser campeão mundial e espero que isso seja breve.

SAF: E disputar o WQS é só para manter o ritmo mesmo?

LC: Acho que é só para manter um ritmo de competição, uma estratégia minha, não conta para ninguém (risos). [É bom para] manter aquele ritmo, aquele surfe afiado e aquela adrenalina da competição sempre em dia, sabe? Aquele milésimo de segundo que você pensa rápido na competição muda tudo.

SAF: Mas ainda existe a chance de mudar sua cabeça e tentar entrar para o WCT?

LC: Isso é uma ideia longe, nem passa pela minha cabeça agora. Vou competir WQS, se eu passar baterias, vou fazer pontos, se ganhar muitos pontos, vou classificar para os Primes... Quero escolher bastante as etapas que quero competir, para ir em ondas boas, que consiga surfar melhor. Então, não vai ser um investimento total, full time, no WQS, mas vou dar os tiros certos nas etapas boas para tentar resultados bons. E, talvez, algum dia, se eu entrar no Prime, acho que podemos pensar mais no WCT. Mas seu sonho sempre foi ser campeão mundial e é cada vez maior na disputa de ondas grandes, é o que mais amo na vida nesse momento, eu acho.

Promessa brasileira, Mateus Herdy foca no WQS e já traça planos por WCT

Por Guilherme Dorini

Considerado uma das maiores revelações dos últimos anos, Mateus Herdy chega com tudo para sua primeira temporada completa na divisão de acesso do surfe mundial (WQS). Com apenas 17 anos, o brasileiro de Florianópolis terá a oportunidade de disputar pela primeira vez as principais etapas do WQS, e já com um claro objetivo: entrar para o Circuito Mundial de Surfe (WCT) no máximo em 2020 – isso se já não conseguir uma vaga para o próximo ano.

 Mateus Herdy / Foto: Divulgação

Mateus Herdy / Foto: Divulgação

Depois de participar as duas maiores etapas da perna australiana do WQS, em Newcastle e Sydney, ambas valendo 6 mil pontos, Herdy, que ainda estava na Oceania, conversou com o Série ao Fundo para falar um pouco da sua carreira, amadurecimento profissional e seus objetivos e metas para essa temporada.

“Minha meta é entrar, se não for esse ano, no ano que vem. Quero entrar o mais rápido que eu posso. E, quando entrar, não quero sair. Sou novo, meu corpo ainda está desenvolvendo, ainda estou crescendo... Já troquei uma ideia com a Quiksilver, que é meu parceiro novo, para fazer trips [viagens] para ganhar mais experiência. Se eu não entrar esse ano, será um ano de preparação, mais experiência e força. Se eu treinar e dar o meu melhor, acredito que tudo vai acontecer”, disse ao SAF.

Filho do big rider Alexandre Herdy e sobrinho do ex-top do WCT Guilherme Herdy, Mateus já está acostumado com competições, já que disputou sua primeira etapa do WQS com apenas 14 anos de idade. Para a sequência de sua carreira, seus principais investimentos vêm da Red Bull, patrocinador de bico da prancha e boné, e da Quiksilver, acordo recém-fechado para borda e roupas diárias.

Confira o bate-papo completo com Mateus Herdy:

Série ao Fundo: Você já vem de uma família de surfistas. Acredito que escolher por essa profissão foi um caminho natural para você. Como foi isso dentro da sua casa?

Mateus Herdy: Em casa foi muito tranquilo. Minha família sempre me apoiou bastante. E hoje em dia existe bem menos preconceito com surfistas do que tinha antigamente. Na escola, a maioria dos professores gostava bastante, nunca tive problema quanto a isso, apesar de alguns não entenderem muito bem por que eu faltava e uma galera ainda pensava que era só curtição... Mas nem se compara com a época em que meu tio competia... Hoje temos o OFF, o Série ao Fundo... A mídia está muito maior... Tem o Gabriel (Medina), que mostrou que o surfe não é esporte de vagabundo.

SAF: Você está só com 17 anos, mas já compete desde criança. Como foi conciliar a carreira com os estudos?

MH: Então, eu tive que largar a escola. Foi uma conversa que tive... A parte da família do meu pai, todo mundo é médico - foi bem difícil convencer eles. No Brasil, existe essa lei que não pode ter "home school", não posso fazer depois. Para eu começar a fazer o WQS, e ir atrás dos meus sonhos, tive que largar a escola. Com 18 anos, eu vou poder fazer um supletivo para terminar. Então, eu parei no segundo ano do ensino médio.

SAF: Sua trajetória no WQS começou muito cedo, né?

MH: Meu primeiro WQS (etapa) foi quando tinha 14 anos, na Argentina, fiz oitavas de final, não esperava, me dei muito bem, passei umas cinco baterias. Foi muito bom para o primeiro WQS. Depois, continuei nos amadores, fiz bons resultados nos Pro Juniors, e ano passado foi quando decidi começar mesmo. De 15 para 16 anos que comecei a focar... No meio do ano que consegui virar Prime – fui para Cascais, Triple Crown... Esse ano é, de fato, o primeiro ano que estou competindo ele inteiro. Com a pontuação adquirida, posso disputar todas as etapas que não pude competir no ano passado.

 Mateus Herdy no QS de Mar Del Plata (ARG). / Foto: Beto Oviedo

Mateus Herdy no QS de Mar Del Plata (ARG). / Foto: Beto Oviedo

SAF: Quais são as principais dificuldades neste começo de WQS?

MH: A galera meio que reclama mais, mas eu, particularmente, não tenho problema com isso, que é o número de eventos. Estamos sempre viajando. Temos que ir para os eventos 3 mil, não são só os 6 mil ou 10 mil... Eu, que estou no início, estou atrás de milhas, eu ainda não tenho tantas quanto, por exemplo, o Thiago Camarão, que está competindo há tempos... Eles já viajam mais de primeira classe, e eu ainda no canil (risos), lá atrás... Pegar avião cansa, passar a noite em aeroporto... Essa viagem mesmo para a Austrália, fiz: Florianópolis, Rio de Janeiro, Miami, Los Angeles e Sydney. Cheguei completamente acabado, três dias de viagem... Você não come, não dorme bem... Gostaria mais se o WQS fosse dividido em pernas... Ano passado, por exemplo, fui para uma etapa no Japão, gastei a maior grana, perdi de cara e tive que voltar para casa. Poderia ser um pouquinho mais organizado.

SAF: Deve-se gastar muito dinheiro também. A conta fecha?

MH: Fechei com a Quiksilver de borda agora, meu patrocinador de roupas normais, e de bico fechei com a Red Bull, que também está no boné... Eu sou novo, tem bastante investimento em cima de mim... Eu estou bem, posso viajar, fazer o que quiser, a conta está fechando. Mas, no Brasil, na nossa idade, acho que só eu e o Samuel Pupo que temos essas condições. A realidade é que a maioria da galera está sofrendo para viajar três vezes no ano. Moleque da nossa idade, que já competiu e era para estar aqui competindo com a gente, não tem condições financeiras... E ainda tem uma galera do WQS que precisa ficar na casa de amigo...

SAF: Quem costuma te acompanhar nas viagens?

MH: Até o ano passado, eu viajei algumas vezes com o Ian Tavares, um amigo meu que filma e faz um bom trabalho. Mas a maior parte do ano eu viajei sozinho, totalmente sozinho... Ano passado eu gastei muito dinheiro na perna da Austrália, então, no resto do ano, tive que ir sozinho e guardar um pouco. Esse ano, fiz esses eventos aqui na Austrália com meu tio, Guilherme (Herdy), que tem bastante experiência... Até hoje, a maioria das viagens foi sozinho.

SAF: Quais são suas metas profissionais? Quando planeja entrar para o WCT?

MH: Eu tenho minhas metas, né? Acho que todo mundo tem... Eu quero muito entrar, acredito que vou entrar... Minha meta é entrar, se não for esse ano, no ano que vem. Quero entrar o mais rápido que eu posso, e, quando entrar, não quero sair. Sou novo, meu corpo ainda está desenvolvendo, ainda estou crescendo... Já troquei uma ideia com a Quiksilver, que é meu parceiro novo, para fazer trips para esses lugares tipo Fiji, Teahupoo, para ganhar mais experiência. Se eu não entrar esse ano, será um ano de preparação, mais experiência, força e para aprender ainda mais em lugares em que o Brasil não tem oportunidade de ter. Se eu treinar e der o meu melhor, acredito que tudo vai acontecer.

SAF: Para onde mais gostaria de ir?

MH: Eu quero ir para Fiji, Teahupoo... Quero ser o tipo de cara que é bom em tudo, quero ser o mais completo possível, sei que preciso melhorar, perder o medo de ondas gigantes, criar técnica em tubo para os dois lados... Quero muito ir para o México, que eu ainda não fui, é um sonho de criança ver aquelas direitas, ainda mais que sou regular. Tem muito lugar no mundo que eu acho que tem altas ondas e ainda não fui. Fui para a África do Sul, fiquei 45 dias lá, e não surfei J-Bay!

SAF: Você citou muitas ondas pesadas, tubulares... Acredita que é nessa característica que ainda precisa melhorar?

MH: Eu diria que sim. Lá em Floripa, temos tubos algumas vezes, mas não se compara com os havaianos (risos)... Particularmente, o que acho que falta no meu surfe, mas é mais questão de tempo, é o power, ganhar força, manobras que os juízes dão muita nota, e os tubos... O problema é que não temos tubo nenhum no WQS, sabe? Então, se falar para WQS, me falta o power, mas para WCT... Como é que vou ganhar do John John em Teahupoo se eu nunca fui para lá e se não entubo?

SAF: E das etapas do WQS? Ansioso para alguma em especial?

MH: Sri Lanka é uma onda que eles estão tentando, não é certo que vai rolar, mas dizem que é uma direita muito boa. E uma que não vejo a hora de ir é o US Open.

SAF: Além do seu tio e seu pai, quais são suas inspirações no surfe?

MH: Eu gosto muito de ver todos os surfistas que são completos. Para mim, um cara que é muito completo é o Julian Wilson, que sempre cito... Ele surfe de backside, frontside, da aéreo, surfa muito de borda, pega tubo para os dois lados. É muito completo em relação ao surfe, talvez não tão competitivo quanto o Gabriel (Medina) e o John (John Florence), mas ele é muito completo. Tem também o Gabriel e o John John... São esses caras que estou acompanhando bastante.

SAF: E daqueles que ainda estão brigando por um espaço?

MH: Vitinho Bernardo está sempre provando, o Deivid (Silva), que ganhou aqui agora, é um cara muito completo, você vê ele em umas condições... Jogando muita água, fora do normal. Tem o Samuel (Pupo), sem comentários, surfa muito. Tem o João Chumbinho. Tem um cara que está vindo do Brasil que acho que vai destruir todo mundo é o Eduardo Motta, fiz a trip com ele para Mentawai... Entre os mais novos, ele destruiu: pega tubo, quebra, já falei para ele vir para o WQS. Tem muita gente na verdade, os brasileiros surfam muito. Todos são meus parceiros. O Yago (Dora) já é WCT, né? Mas é impossível não falar dele. Toda vez que eu estou surfando, e estou rendendo, eu penso: 'o Yago teria feito o dobro disso'. Toda vez que viajei com ele, ele rende, não cai [de rendimento] nunca.

 

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2017 FOI O ANO DO BRASIL!

A história só conta o lado dos vencedores. Nesse caso, John John deveria falar sobre o ano de 2017 (e também o de 2016). Já que escolhemos falar da parte vitoriosa,  precisamos falar dos brasileiros.

O campeão mundial (2015) abre a temporada de vitórias brasileiras no CT

Não somos nós que dizemos. São os registros da World Surf League. Só na elite masculina, foram 11 etapas disputadas e 5 títulos conquistados pelo Brasil. Nenhuma outra nação ganhou mais. Nem mesmo John John, que conquistou o título conseguiu tantas vitórias. Veja:

Austrália: (3),  - Owen Wright, Matt Wilkinson e Julian Wilson /

África do Sul: (1) Jordy Smith / França: (1) Jeremy Flores / Havaí: (1) John John Florence

Brasil: (5) Adriano de Souza, Filipe Toledo e Gabriel Medina

 Ano inédito tem direito a dobradinha na elite

Ano inédito tem direito a dobradinha na elite

Partindo dessa lógica, representamos metade dos campeões do mundo. E olha que o momento do Brasil não se restringe ao WCT masculino. Silvana teve momentos históricos no CT e no QS. Mas ela não está sozinha nessa lista. Vamos a algumas vitórias:

JANEIRO - Peterson Crisanto vence e garante os primeiros 1500 pontos pro Brasil

FEVEREIRO - Yago Dora dá o primeiro passo na classificação ao vencer em Newcastle (QS 6000)

MARÇO - Chloe Calmon vence sua 1ª etapa no mundial de LongboardJesse Mendes ganha de Julian Wilson na final do Australian Open (QS 6000) e se isola na classificação

ABRIL - Em final brasileira, Thiago Camarão vence o Rio Curl Pro Argentina e mantém hegemonia de 5 anos do Brasil no evento. 

MAIO - Adriano de Souza conquista (pela 2ª vez) o Rio Pro

JUNHO - Silvana Lima vence evento em Los Cabos (QS 6000) e se garante na elite pelo ranking do QS

Chloe Calmon vence a segunda etapa no ano em evento em Porto

JULHO - Com duas notas 10, Filipe Toledo vence em J-Bay épico

Atalanta Batista é campeão sul-americana de longboard

Phil Rajzman é campeão sul-americano de longboard

Jesse Mendes confirma vaga no CT

SETEMBRO - Dobradinha brasileira em Trestles com Filipe Toledo e Silvana Lima campeões do CT

Yago Dora faz final brasileira em Portugal e confirma vaga no CT

OUTUBRO - Medina vence as duas etapas da perna europeia (Portugal e França)

NOVEMBRO - Filipe Toledo vence o Hawaiian Pro, abrindo na liderança a Tríplice Coroa

DEZEMBRO - Com Ian Gouveia entrando como wildcard Brasil garante 11 surfistas no CT de 2018 - feito comparável a 2001 (com mais de 40 atletas no CT)

Bom, de acordo com essa ‘retrospectiva’ talvez tenhamos mais motivos para comemorar em 2017 do que lamentar pelos acontecimentos das últimas semanas. Medina pode não ter ganho uma batalha nas areias e palanques de Pipeline. No entanto, quem sai vitorioso desse ano somos todos nós, os brasileiros. 

E aí? Pronto pra comemorar em 2018? 

Além de juízes e rivalidades

Ayrton x Prost.

Guga x Hewitt

Pelé x Maradona 

Por que a rivalidade entre John John e Medina seria diferente? Esse confronto é um caso comum no esporte. Por mais que alguns rejeitem esse título, o surfe competitivo é um esporte. E dos bons. 

Capaz de mexer com todas as faixas de idades, até mesmo as crianças, que criaram suas preferências na areia (veja o 3’35”). Quando menores, escolhemos sempre o exemplo vencedor.  Medina (e seu Instituto) inspira tanta gente aqui quanto John John faz no Havaí. 

Lembra a decepção que foi Neymar não resolver tudo na Copa? 

Pense em você, no país do surfe, ser o principal porta-bandeira dessa filosofia/esporte para o mundo. Pense em como os havaianos gostam disso. De certa forma, a torcida era o ponto desfavorável ao dono da casa. A favor, bem…é difícil explicar. Buscamos a palavra de especialistas.

Tão difícil que foram necessários questionarmos Kelly, Medina e John John. O brasileiro disse exatamente aquilo que precisava: aquilo que sentia. O havaiano não soube explicar uma nota subjetiva. O americano mostrou o porquê de ser chamado de 'Mestre dos Magos'.

John John recebeu a colaboração dos juízes?

Pode ser, mas é difícil dar nota até levá-lo em semifinais em 6 eventos. Durante o ano todo, ninguém fez resultados tão bons quanto ele. Até onde sabemos, no esporte isso é o que marca o campeão. Em um passado recente, John John deixava Fiji sabendo que estava fora da disputa de 2015. Este ano, a lesão em Gold Coast deram uma sequência de resultados horríveis (25º e 13º) a Medina.

Então, imagine o seguinte cenário: se JJ passasse por Ian Gouveia para enfrentar Medina na final? O anjo que foi Alejo em 2014 seria o vilão Ian em 2017?

O título não foi decidido em Pipeline e sim o ano todo. Em um ano pode acontecer muita coisa na vida de um atleta. A lesão do joelho de Gabriel, ainda em Gold Coast, foi uma delas. 
A propaganda da WSL nunca foi tão clara: é necessário um tour pra fazer um título. Ou seja, É necessário um enorme número de fatores (com ação da onda ou do palanque) para fazer um título. 

O 'espetáculo' continua em 2018. É necessário superar muitos obstáculos pra ganhar um título.

Justo ou não, o campeão de 2017 é JJ. 

Mas, e agora? Quem será o campeão de 2018?

 

PRONTO PARA O HEXA?

Bom, já que o pior cego é aquele que não quer ver, o SAF leva pra você as 5 provas de que o Brasil é sim o país do surfe e está perto de uma sexta (e definitiva) prova. 

E nada contra o futebol não. Mas em nenhum outro esporte fomos tão dominantes. Entre DEZ etapas, o Brasil levou CINCO. Metade pra uma nacionalidade e outra parte dividida entre sul-africano, havaiano e australianos. Vamos aos fatos: 

1 OI RIO PRO - “Não no nosso quintal!"

Em casa não teve pra ninguém. Ninguém mesmo. Mineirinho não perdeu uma bateria sequer, parou o embalado Yago Dora e fez uma final perfeita, com direito a volta 'olímpica' pela praia de Saquarema. 

2 J-BAY - “Passando com 10 e louvor"

Tubarões se assustaram com o que vinha de cima. Um Filipe Toledo surfando condições épicas como se fossem rampas de decolagem. Final? Nota 10 e 1º lugar! 

3 TRESTLES  (2x) - “Ganhe um, leve dois" 

Às vezes, já nem se sabia pra quem você tinha que torcer. Tudo o que sabíamos é que tinha Brasil na água entre uma semifinal e outra final. Todo mundo na areia esperando só pra dar a taça. Filipe e Silvana foram dominantes o tempo todo.

4 HOSSEGOR - "Rei na França? Só conheço um”

Napoleão conquistou o quê em Hossegor? Medina fez a mala até do John John e ficou com o primeiro título do ano. Já não era sem tempo! 

5 PENICHE - “Servido cru e quente"

Foi ou não uma boa vingança? Julian Wilson ainda sorria quando Medina achou uma onda no último minuto. Pra dar o troco de Peniche (2012) ou Taiti (2017)? Bom...Valeu pelos dois. 

6 - O QUE ESCREVEREMOS EM PIPELINE?